sexta-feira, 20 de setembro de 2019

"Something Else" em análise

Provavelmente não vou ser a primeira, nem sou a única pessoa a dizer isto: a programação deste ano do MOTELX foi muito fraquinha. Normalmente consigo contar os filmes que quero ver no festival com todos os dedos das minhas mãos, mas este ano pareceu que apenas uma mão chegava para contar os filmes que nunca tinha visto. Something Else é um deles. E, tal como o título, este filme realmente é algo diferente. 


O filme, para começar, parece bastante distorcido, mas algo que pensamos que já vimos antes, vezes e vezes sem conta: aquele típico filme dramático, desde a sua aparência e até, de certa forma, o argumento, em que o rapaz, após a sua namorada ter desaparecido durante bastante tempo, tenta seguir em frente. Mas esse seguir em frente é a parte que é virada de pernas para o ar, acrescentando um ar misterioso e um pouco de terror à mistura. Mas, apesar de tal pirueta, o filme continua a deixar-nos a pensar que temos as respostas para o que vai acontecer no final, e que revelações acabarão por acontecer. No entanto, devo notar que irão passar a maior parte do filme enganados. Aconselho e entrarem neste filme, desde já, com um mood não à espera para ver algo de terror, onde há sangue e monstros em todo o lado (mais ou menos como a sinopse assim promete) mas à espera de algo mais pessoal, onde o “terror” vem principalmente de saber aprender a lidar com a relação que se tem, ou teve, com alguém querido. Há terror, de qualquer das maneiras, mas este é como se fosse um ligeiro passageiro quase que como um obstáculo metafórico para o protagonista. 


As interpretações aqui são, em parte, boas. Algumas secundárias não parecem fazer nada demais quando estão presentes, mas ambos os protagonistas acabam por carregar o filme às costas. São estes que mostram alguma vitalidade no filme, e alguma reflexão também. Apesar de terem alguns momentos de diálogo onde se mostra que é um momento escrito num argumento, outros apenas soam a algo natural, principalmente num momento que ocorre perto do terceiro ato onde estes interagem, durante uns cinco a dez minutos, com câmara fixa e sem cortes aparentes num dos momentos mais fulcrais da relação dos dois. Pode ter sido um bocado monótona, mas foi algo real, e duro de se ver. Mesmo assim, o filme ainda tem espaço para alguma piada, que resulta a maior parte das vezes, e é até agradável quando esta é utilizada. 


Something Else foi uma surpresa bastante agradável. É daqueles casos em que a baixa expectativa e a falta de conhecimento do material favoreceu a experiência, pois não existia antecipação. Duvido que muito gente irá, por causa disso, gostar do filme, pois este pode ser um bocado lento em momentos específicos da narrativa que se parecem tornar repetitivos, mas algo não podem negar, e isso dirá respeito ao final do filme, sobre o qual não falarei, na esperança de alguns de vós, leitores, verem o filme, pois este é something else.

7/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

6 comentários:

  1. Nunca ouvi falar deste filme, mas fiquei curioso em ver. Deve ser algo diferente. Pelo menos foi essa a ideia que a tua análise me deu. Vou pedir ajuda ao Jack Sparrow para ver se ele me arranja o filme, já que o Mote LX já passou. Bom fim de semana, Diogo. Abraço!

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    1. Não sei se terás muita sorte com o Jack Sparrow honestamente. Há muito pouca coisa sobre o filme na Internet, quando mais no imenso mar de ficheiros de vídeo...
      Bom fim de semana, Jaime! Abraço!

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    2. Acho que já percebi isso. Não encontrei mesmo em lado nenhum. Será que vai ser lançado cá alguma vez?

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    3. Não apostava muito nisso... Já há uns anos também passou um pequeno filme chamado The RAID 2 (até me engasguei com este sarcasmo) e ele nunca saiu fora do festival em qualquer formato físico cá, ou em lançamento normal...

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  2. Epá, por acaso fui ver este filme, mas não foi dos meus favoritos no Motelx este ano. Não deixa de ser... Qualquer coisa, não é? xP
    Para quando uma crítica do Midssomar?

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    1. É mesmo... Qualquer coisa x)
      A do Midsommar já foi publicada!

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