domingo, 13 de outubro de 2019

"Abominável" em análise

Chega na próxima quinta-feira às salas de cinema a nova produção da Dreamworks e do Pearl Studio, Abominável, realizado por Jill Culton e Todd Wilderman. Depois do capítulo final da trilogia Como Treinares o Teu Dragão, esta é a primeira vez que voltamos a ter notícias dos estúdios da Dreamworks, que até agora já nos trouxeram tantas coisas boas. Será, então, esta uma boa aposta?


Este filme de animação começa por apresentar Yi, uma jovem que depois da morte do seu pai vive uma vida atarefada, numa tentativa de juntar dinheiro para visitar todos os lugares que o pai gostaria que visitasse, e afastada da família, a sua mãe e avó Nai Nai. Yi tem um talento enorme para tocar violino e é, certo dia, quando se encontra a tocar que dá de caras com um enorme Yeti ferido e que se encontra a ser perseguido por uma cientista e um homem malvado. Yi, juntamente com os seus dois amigos Jin e Peng, embarca então, acidentalmente, numa aventura para levar o Yeti para o seu lar, no monte Evereste. 

Logo desde início é impossível não ficarmos encantados com a perseverança de Yi e é delicioso acompanhá-la na sua rotina cansativa e depois vermos o modo como esta se refugia nas cordas do seu violino. É enquanto a seguimos que ficamos a conhecer os seus motivos e quando estes são apresentados de um modo mais aprofundado é inevitável sentirmos uma certa tristeza pela personagem. O filme conta com muitas sequências realmente emocionantes. Na verdade, cada vez que Yi pega no seu violino dificilmente não ficamos com um nó na garganta, tal é a beleza das canções que esta interpreta unidas na perfeição com os momentos em que ocorrem. 


É notável que o filme é direcionado a uma faixa etária mais jovem, a crianças e pré-adolescentes. A determinado momento, a narrativa deixa isso explícito, passando a dar também uma maior atenção a personagens mais novas, como é o caso de Peng e até mesmo do Yeti, que é uma criança. Talvez por esta definição do público-alvo, alguns momentos cómicos não farão tanto sentido para os adultos, como é o caso da sequência dos mirtilos e também de alguns diálogos que têm apenas a função de fazer rir e que parecem desenquadrados de tudo o resto. 

A banda sonora merece ser destacada, mas por ser diferente e arriscada. Na maioria dos filmes, as bandas sonoras seguem uma linha que as conduz sempre aos mesmos ritmos. Aqui temos uma grande mixórdia, desde os sons do violino de Yi a adaptações originais de músicas Pop, que surgem aqui de um modo muito inesperado, mas em momentos bem conseguidos. Na verdade, e sem revelar qual é, uma das músicas surge num momento inesquecível no filme, que é realmente belo de se ver – e extremamente emocionante. 


Infelizmente, houve algo que não me agradou minimamente: os vilões, nomeadamente o uso da fórmula “personagem demasiado boazinha que afinal é má”. A personagem em questão é quase descartável e os seus momentos são aborrecidos, porque apenas empatam a beleza de tudo o resto. Para além disso, admito que não gostei da dobragem feita nesta personagem em específico, que até me deixou um pouco irritada… Acredito que esse era o objetivo, mas digo sinceramente que não me agradou. Aliás, quando a personagem “desaparece”, nem nos apercebemos que ela deixa de aparecer. 

Abominável resulta num filme interessante pelo modo como acompanha os seus protagonistas. Infelizmente, tem alguns aspetos que podiam ter sido melhorados, como referi, mas entende-se o seu público alvo e talvez as crianças lhe achem uma maior graça. De qualquer modo, vale a pena ver para acompanhar a aventura da encantadora Yi.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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