segunda-feira, 14 de outubro de 2019

"Ad Astra" em análise

É pelas mãos de James Gray que nos chega o mais recente filme de sci-fi, Ad Astra, protagonizado por um Brad Pitt com um papel bastante distinto dos outros que constam na sua já longa carreira. O filme já estreou nas salas de cinema nacionais no dia 19 de Setembro e hoje, quase um mês depois, aqui trazemos, finalmente, uma opinião. 


Roy McBride, interpretado por Pitt, é um astronauta solitário que sempre colocou a sua profissão acima de tudo, privando-se de relações interpessoais. É perante a possibilidade de uma ameaça ao nosso planeta que este recebe a missão de encontrar o seu pai, desaparecido há vários anos depois de partir numa missão para Saturno. 

O facto de Roy ser um homem solitário tem uma forte influência na apresentação das personagens secundárias, interpretadas por Liv Tyler, Tommy Lee Jones, Ruth Negga e Donald Sutherland, que têm muito pouco tempo de antena, acentuando assim a dificuldade do protagonista de desenvolver algo para além do foco em cumprir a sua missão. Na verdade, o filme acentua a solidão de vários modos. Seja por esta pouca atenção nas outras personagens, ou através dos pensamentos do protagonista e, acima de tudo, pelos planos que formam um enorme vazio ao redor de Roy – as sequências no espaço mostram isso melhor que todas as restantes, mas mesmo nas cenas em corredores isso é específico, em momentos que quase parecem claustrofóbicos, ainda que a personagem se encontre sozinha. 


Por sua vez, infelizmente, também a narrativa me pareceu um pouco vazia. Na verdade, senti que vários momentos eram apenas filler, de modo a dar mais tempo a uma missão que podia acabar rápido ou também para mostrar algumas críticas à humanidade – como se dá no momento da chegada à Lua, com a mascote e tudo o mais, numa espécie de centro comercial. 

Admito que o que mais me encantou no filme foi a cinematografia a cargo de Hoyte Van Hoytema (que trabalhou com Christopher Nolan em Interstellar e Dunkirk). Muitas sequências relembram, por exemplo, 2001: Odisseia no Espaço, como é o caso do corredor em tons de vermelho, que se torna quase sufocante e que contribui na perfeição para aumentar a isolação. A estética é absolutamente incrível! Por sua vez, achei que a banda sonora a cargo de Max Richter ficou bastante a desejar, pois em determinadas alturas é muito menos sonante do que deveria ser, sendo incapaz de transmitir as sensações que estavam a ser dadas pela cinematografia e pelos acontecimentos. 


Ad Astra resulta num bom filme de ficção científica e apresenta uma interpretação muito sólida por parte de Brad Pitt, que se torna por completo no centro das atenções e é capaz de transmitir toda a melancolia exigida pelo guião. Infelizmente, senti que por vários momentos o filme podia ser capaz de ir mais além, ainda que, claramente, seja um projeto ambicioso.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

10 comentários:

  1. Parece-me improvável assistir a este filme, não só por não ser o género que mais aprecio, mas também por alguns aspetos que realçaste com a tua crítica.

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    1. Parece-me, realmente, que é um género muito específico e que não é para todos os gostos.

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  2. Ainda não vi esse filme e até esse post não sabia muito bem do que se tratava e agora fiquei bem curiosa pra assistir.
    Pena que o filme poderia ser melhor ainda, mas não é tudo isso apesar de ambicioso como você disse.

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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    1. Se ficaste curiosa, então dá-lhe uma oportunidade! E eu espero que gostes! 😛

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  3. Ainda não vi confesso mas tenho imensa curiosidade.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.com/2019/10/glow-on-base-shimmer-glam-base-etude.html

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  4. Eu vi o filme e, embora não seja espetacular, esmagou-me a solidão nele inscrita e a acentuação da pequenez do Homem perante um Universo tão vasto.

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