terça-feira, 15 de outubro de 2019

"Freaks" em análise

Eu bem sei que digo isto várias vezes, mas há filmes que mais vale a pena ir ver sem conhecimentos prévios: sem ver trailers, ler sinopses e evitar todas as fotografias já lançadas. Com Freaks senti que esta “norma” foi capaz de me trazer uma grande surpresa. Este é um filme de ficção científica, realizado por Zach Lipovsky e Adam B. Stein e protagonizado por Emile Hirsch, Bruce Dern e pela jovem Lexy Kolker. Sei que não vou revelar nada realmente importante sobre a trama, mas desta vez fica aqui a advertência para que continuem a ler apenas caso prefiram ir ver o filme já com uma breve ideia do que podem esperar. 


Começamos por ser levados para uma realidade distinta, na qual pessoas consideradas diferentes são obrigadas a esconder-se para sobreviver. É neste meio que Chloe cresce, sempre à vista do seu pai hiper protetor. Só que Chloe quer ser como aquelas raparigas que ela vê do lado de fora da janela… E quer ir até à carrinha dos gelados que frequentemente pára à entrada da sua casa. 

O filme acompanha três gerações muito distintas que assumem o rosto dos três protagonistas interpretados por Lexy, Emile e Bruce. Sendo estes três o grande centro das atenções, é de destacar as prestações de cada um. A jovem Lexy traz um desempenho fenomenal a transparecer a curiosidade da sua personagem mas também o seu poder e os seus medos; Emile Hirsch apresenta-se aqui num papel realmente forte e as suas expressões encaixam na perfeição em cada momento; já Bruce Dern começa por ser uma personagem sinistra, mas depois leva a momentos realmente emocionantes. A relação desenvolvida entre as personagens desempenhadas por estes três é o grande ponto alto do filme, pois se este aspeto não tivesse sido tão bem trabalhado o resultado não seria tão interessante. Por sua vez, o facto de estes serem o centro das atenções faz com que as personagens secundárias percam toda a sua força, sendo que algumas são facilmente descartáveis na narrativa tendo em conta o modo como desaparecem de cena. 


Por vários momentos, o filme dá a sensação de ir buscar muitas referências a muitos sítios. A começar pela pequena Chloe, que lembra a Eleven de Stranger Things. Depois temos também uma vibe que lembra os filmes de “super-heróis” menos mainstream, como é o caso de Unbreakable de M. Night Shyamalan, pelo modo como trata alguém com “poderes”. E, acima de tudo, é quase como se estivéssemos a ver uma prequela de X-Men, como se as personagens fossem mutantes incapazes de controlar os seus poderes. Só que mesmo transmitindo esta ideia de que vai buscar referências a outros filmes, Freaks consegue entregar algo novo, que nos deixa curiosos até ao fim, pois a informação que nos vai transmitindo nunca é suficiente para sabermos logo à partida o que está a acontecer. Ou seja, as coisas vão acontecendo nos momentos certos… 

Para terminar, é curioso ver os contrastes existentes entre a realidade de Chloe (viver fechada numa casa escura e suja) e os seus sonhos (sair à rua e ser uma rapariga normal, em vez de uma freak). Se por um lado temos um ambiente muito escuro, no exterior temos luminosidade e cor, especialmente nos pormenores da carrinha dos gelados. O contraste é também acentuado através da banda sonora, que se torna muito mais alegre e vibrante quando apresenta o exterior. 


Este filme foi, de facto, uma grande surpresa para mim. Não só por não saber o que esperar, mas porque senti que estava a ver um filme com uma história fresca, mas coerente. E, depois, temos ainda personagens realmente bem construídas e muito bem interpretadas. Vale muito a pena ver, especialmente se gostarem de filmes deste género.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

6 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar deste filme, mas já me conseguiste deixar curiosa! :)
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  2. Fiquei mesmo curiosa com este filme. Embora não seja a maior apreciadora de ficção científica, tem um conceito muito interessante

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    1. Acho que até quem não gosta do género vai encontrar aqui algo interessante!

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  3. Não conhecia, mas fiquei muito curiosa :)

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