quarta-feira, 9 de outubro de 2019

"Guerra das Correntes" em análise

Certamente ninguém pensou que ia voltar a ver o Doutor Estranho e o Homem-Aranha, e ainda o Beast e o General Zod, reunidos no grande ecrã tão cedo. Mas a verdade é que cá estão todos eles, em Guerra das Correntes, um filme que está fechado na gaveta há demasiado tempo, pois está classificado como sendo de 2017 e só agora viu a luz do dia. 


Guerra das Correntes, realizado por Alfonso Gomez-Rejon, apresenta-nos os grandes génios ligados à criação da eletricidade: Thomas Edison, George Westinghouse e Nikola Tesla e acompanha todo o processo das suas invenções, com os seus altos e baixos, até à grande Feira da Luz em Chicago. Sinceramente, desconfio que a maioria dos acontecimentos apresentados não são verídicos, pois a narrativa parece seguir um regime de novela mexicana repleto de intrigas, mas, esquecendo este pormenor, consegui apreciar a história apresentada, até porque é capaz de nos deixar, de um certo modo, curiosos. 

Algo que me agradou bastante neste filme foi a ousadia dos planos de filmagem. Cada um mais criativo que o outro e sempre com uma grande variedade, pelo que dificilmente eram apresentados dois planos iguais. Ora, se num tínhamos os atores postos a um canto, no outro tínhamos estes vistos de cima ou de baixo… Lá nisso, houve uma grande dinâmica e achei interessante esta tentativa de apresentar algo diferente, pois raramente isto corre bem e aqui até achei que foi bem sucedido. 


A narrativa é linear, mas ainda assim existem momentos apenas de imagens que a intercalam, levando a uma inserção de coisas que parecem abstratas, mas que estão inteiramente relacionadas com tudo o que está a acontecer: desde filmagens de elefantes e macacos ou apenas à apresentação de um mapa com as cidades que já tinham luz, acompanhando, assim, a evolução que decorria. 

No que toca a interpretações, já se sabe a qualidade do elenco, com Benedict Cumberbatch e Michael Shannon claramente a liderar. Infelizmente, este é um filme mega-americano e isso nota-se na falta de atenção que é dada a Nicholas Hoult e à sua personagem Nikola Tesla, o único estrangeiro aqui presente, que pouco aparece e só no final é que parece que o argumento percebeu a sua importância, pois este é completamente esquecido na maior parte do tempo do filme. 


Apesar de não ter desgostado por completo de Guerra das Correntes, entristece-me bastante o facto de ter sido necessária tanta intriga para contar esta história, que podia muito bem ter sido transmitida de outro modo. Para além disso, sinto que este é um daqueles filmes que alguém vê uma vez e está feito, pois também não apresenta nada de novo.

6/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

2 comentários:

  1. Por vezes, complicam o enredo e é, de facto, uma pena :/

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  2. Esteve fechado na gaveta,
    só agora está vendo a luz do dia
    continuam poluindo o Planeta
    tão arraigados estão à teimosia!

    Tenha uma boa noite Joana Grilo.

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