quinta-feira, 17 de outubro de 2019

"Maléfica: Mestre do Mal" em análise

Depois do sucesso de Maléfica em 2014, o inevitável acabou por acontecer e agora temos a sequela Maléfica: Mestre do Mal, até porque a Disney gosta de fazer render o seu peixe quando encontra um bom cardume. Desta vez, o filme é realizado por Joachim Ronning. Linda Woolverton regressa como argumentista, juntando-se a ela Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster. Claro está, Angelina Jolie volta a vestir a pele da famosa “vilã”. 


Depois dos acontecimentos do primeiro filme, Aurora torna-se rainha dos Moors e passa a viver com Maléfica no bosque. No entanto, um pedido de casamento por parte do príncipe Philip vem destabilizar um ambiente de paz que se vivia. Aurora, claro, aceita e logo de seguida é convidada a conhecer o rei e a rainha de Ulstead, só que a pedido da rainha Ingrith também Maléfica visitará o reino. É, então, durante o jantar que os ânimos começam a levantar-se entre a fada e a rainha. Para piorar, o rei começa a sentir-se mal e Maléfica é acusada de o ter amaldiçoado, obrigando Aurora a escolher entre confiar nela ou convencer-se de que Maléfica é realmente má, como a lenda dizia. 

O filme não perde tempo em apresentar da melhor maneira toda a sua capacidade visual. O reino dos Moors é o exemplo perfeito de como criar criaturas em CGI. Lembrando um pouco alguns cenários de Avatar (2009) e até mesmo de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) - eu sei que não é propriamente um bom exemplo, mas há que se admitir que existem algumas sequências interessantes conseguidas pelos avanços tecnológicos -, este é um espaço que usa e abusa das cores, contrastes e luminosidade. Para além disso, foram criadas imensas criaturas completamente diversas, que, em meros segundos, são capazes de transmitir vários sentimentos, essencialmente alegria e tristeza. É de destacar também o modo como alguns dos cenários começam por ser apresentados, com uma viagem em espiral que até é capaz de nos deixar zonzos, mas que contribui para vivenciar ao máximo a experiência no grande ecrã – e se o filme for visto em formato de IMAX 3D leva-nos mesmo a viajar para aqueles cenários, quase como se fossemos uma Alice a cair no túnel a caminho do País das Maravilhas. 


A narrativa é intercalada, pois existem muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo, especialmente depois da separação de Maléfica e Aurora. Existem, pelo menos, quatro focos diferentes: um que segue Maléfica e que nos apresenta outras fadas e feiticeiros como ela; outro que se mantém em Ulstead e que acompanha Aurora; outro que, ainda em Ulstead, apresenta o lado secreto da rainha Ingrith; e, por fim, um que acompanha as criaturas Moors, incluindo as três fadinhas, durante a ausência de Maléfica – a determinado momento, até este grupo se divide, seguindo Diaval para um lado e os restantes para o outro. É de destacar que mesmo seguindo caminhos diferentes, o objetivo inicial do filme nunca é esquecido: tanto esta sequela como o filme de 2014 são sobre a relação de Maléfica com Aurora e aqui apenas temos estas duas a enfrentar obstáculos, de modo a, no final, conseguirem confiar ainda mais uma na outra. 

Admito que achei que há momentos que se prolongam demasiado, especialmente quando a narrativa intercalada retoma alguns lugares e as coisas continuam iguais ao que estavam antes de termos sido levados a ver o que estava a acontecer num outro ponto. Senti isto, essencialmente, na sequência do piano (quem já viu o filme certamente saberá do que estou a falar), que quase parecia interminável. Por sua vez, também me pareceu que determinadas personagens foram mal trabalhas, parecendo afastadas de tudo o que estava a acontecer – é o caso do príncipe Philip, que mesmo estando bem interpretado parece estar completamente alheio e sem reação a todos os acontecimentos. 


Angelina Jolie volta a brilhar, mas sem ocultar Elle Fanning, que retoma o papel de Aurora, e que neste filme tem mais atenção do que no primeiro. Curiosamente, parece que as duas contracenam ainda melhor desta vez. Já Michelle Pfeiffer torna-se realmente interessante a interpretar a misteriosa rainha Ingrith e a sua prestação poderosa faz jus ao nome do filme. 

Seguindo muito o estilo do primeiro, dificilmente este Maléfica: Mestre do Mal tem por onde falhar. Na verdade, soube trazer mais uma história original, mas continuando a retomar acontecimentos do próprio filme de animação (A Bela Adormecida de 1959) - os olhares atentos vão até deliciar-se com algumas referências interessantes. É um filme colorido, com muitas sequências ousadas, excelentes prestações e um argumento bem construído. Se gostaram do primeiro filme, também gostarão deste.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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