terça-feira, 8 de outubro de 2019

"Projeto Gemini" em análise

Chega esta semana às salas de cinema nacionais Projeto Gemini, o novo do conceituado realizador Ang Lee, que conta com Will Smith duplamente no papel principal. Sendo filmado originalmente em 120p, esta aposta peca logo pelo facto de no nosso país não existirem salas capazes de o exibir em pleno, tendo sido reduzido para 60p, mas contando ainda com um formato 3D+ em HFR. Ora, não podendo, então, dizer que me senti tonta ao ver o filme com os seus 120p – como aconteceu anteriormente lá fora com outros filmes de Lee -, resta-me apenas refletir sobre o filme no formato em que o vi. 


A trama apresenta-nos a Henry Brogan, um antigo assassino de elite que pretende reformar-se. No entanto, este seu desejo vê-se adiado depois de perceber que tem outros assassinos atrás dele, incluindo alguém que parece ser capaz de adivinhar todos os seus movimentos… Alguém que foi totalmente criado à sua imagem. 

É claro que o grande objetivo deste filme é mostrar que é muito bem desenvolvido tecnologicamente. Foi isso que Ang Lee e Will Smith mais destacaram em todas as suas conferências e apresentações e, claro, sente-se que o aspeto mais interessante aqui é precisamente a tecnologia envolvida, especialmente na criação de Júnior, que é o resultado de um “de-age” muito bem feito a Will Smith, capaz de o rejuvenescer de tal modo que parece que estamos a ver uma versão sua de quando este iniciou a carreira. Infelizmente, parece que este objetivo de mostrar que se está a fazer um cinema futurista é esquecido lá mais para o final do filme, quando o próprio Júnior começa a assemelhar-se mais a um robô (uma espécie de Alita) e não tanto a um humano, com movimentos faciais pouco naturais. Para além disso, e ainda que este seja apenas um clone, é de notar que ninguém é perfeito e alguns pontos negros ou sinais na pele teriam levado a um resultado muito mais real... 


Ora, se no primeiro e segundo ato é realmente notável este avanço tecnológico, o final peca em tudo o resto que apresenta. É de reparar que as sequências que têm lugar em plena luz do dia parecem atrapalhar o objetivo de Lee, pois todos os efeitos ficam muito aquém do que seria possível, inclusive no 3D. Não sei se, de facto, o problema é as sequências serem ao sol ou se foi mesmo cansaço por parte da equipa da produção do filme, que quando chegou ao final desistiu da perfeição visual que estava a tentar transpor. 

Em termos de história, não há nada que seja capaz de nos deixar maravilhados, pois tudo soa um pouco cliché. Nem a própria ideia de criar um clone assassino é praticamente nova e aqui é a base de tudo. Para piorar a sua execução, o guião apresenta falas que vão do oito ou oitenta, sendo algumas realmente bem escritas e outras são apenas cringe, como é o caso da conversa sobre os coentros. Na verdade, pareceu-me que o filme é realmente de extremos! Pois se por alguns momentos também temos sequências de ação muito bem coreografadas (por exemplo, a fuga de mota) depois temos outras que parecem prolongar-se por demasiado tempo (como a “luta” na gruta). 


Mas nem tudo aqui é mau e tenho de admitir que me agradou bastante a interpretação de Will Smith, especialmente quando representa a sua fase mais jovem, o Júnior. Há uma sequência em que este é capaz de transmitir toda a sua emoção e sentimento de tristeza na perfeição. Neste filme é notável a sua evolução enquanto ator. Infelizmente, o restante elenco pouco se destaca. Mary Elizabeth Winstead tem um bom desempenho, mas a sua personagem tem muito menos atenção do que merecia. 

É uma pena que um filme que podia muito bem ser especial se tenha limitado a um argumento básico e que não é nenhuma novidade. O facto de ter uma tecnologia do melhor que há não é suficiente quando tudo o resto não tem alma. Ainda assim, não vou negar: quando estava a vê-lo até estava entusiasmada, sempre à espera de algo que se sobressaísse – o que, infelizmente, não chega. Para ver uma primeira vez, consegue ser “ok”.

6/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

2 comentários:

  1. Quando me falaram sobre este filme, confesso, não fiquei muito entusiasmada, ainda que reconheça o interesse da premissa. Que pena que não tenham elevado a fasquia

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