segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Revisão da nona temporada de "The Walking Dead"

Depois de algumas temporadas que já andavam a pecar pela falta de qualidade, seja visualmente ou, essencialmente, no que toca ao argumento, a nona temporada de The Walking Dead foi um grande alívio. A mudança de showrunner e a chegada de Angela Kang foram uma espécie de ar puro, uma nova vida para a série. A décima temporada chega hoje à FOX e de modo a recebê-la de braços abertos decidi fazer uma “revisão” dos maiores acontecimentos da temporada anterior. Naturalmente, este artigo está repleto de spoilers. Fica o aviso!


A New Begining, o primeiro episódio da nona temporada, trouxe logo indícios da mudança. Depois de a oitava temporada basicamente resumir-se à guerra entre Rick e Negan, tivemos novamente um período de paz e bonança, em que reina o otimismo e a vontade de viver e não apenas sobreviver. Deu-se um avanço no tempo e alguns meses passaram (cerca de dezoito meses), como foi visível através das mudanças nas personagens e até mesmo nas comunidades. A passagem do tempo é especialmente notável no facto de Maggie já andar aqui com o filho nos braços. Na verdade, este episódio serviu apenas para mostrar como estava a situação das várias comunidades e o modo como agora viviam em paz. A ação do episódio chega apenas já perto do final e mostra-nos que a tal paz é bastante frágil. Existiu um foco essencialmente em duas personagens: Rick e Maggie. Rick é aquele que derrotou Negan e, por isso, é amado por uns, mas odiado por outros que querem novamente Negan como chefe. Por sua vez, Maggie assume-se na liderança de algumas comunidades, mas está cansada de alimentar aqueles que só a prejudicam. Para além disso, claramente existem personagens que não estão minimamente satisfeitas com tudo o que está a acontecer. Entende-se que nem tudo vai ser um mar de rosas nos episódios que se seguem. As comunidades estão juntas, mas é de lembrar que estas sempre se deram mal. Por exemplo, as raparigas de Oceanside estão a conviver com os Salvadores que lhes mataram os homens – maridos, irmãos, filhos. Por sua vez, até Maggie está a viver com a consciência de que Negan, o homem que matou o seu grande amor, ainda está vivo. 

A principal diferença na série com a chegada de Angela Kang (depois da saída de Scott Gimple), está nos diálogos das personagens e na maneira como tudo começa a ser mostrado, de um modo que nos vai dando algumas pistas para o que vai acontecer, mas que não se apressa… 


O segundo episódio, The Bridge, acompanha as várias comunidades durante a construção de uma ponte que prometia facilitar as comunicações entre elas e também as trocas. No entanto, alguns problemas vão acontecendo e, devido a algumas “traições” por parte de antigos Salvadores, Aaron acaba por sofrer um acidente que leva à amputação do seu braço. O que este episódio nos trouxe de novo no que toca à história? Em primeiro lugar, tivemos o “regresso” de Negan. Este episódio pôs-nos a par do seu estado de cativo, num momento em que Rick lhe contava como foi o seu dia. Em segundo lugar, é preciso referir que “o amor está no ar”, com vários casalinhos a nascer na série, entre eles Carol e Ezekiel e Jadis e o Padre Gabriel. A par com o à vontade que as personagens têm tido para avançar nestes relacionamentos, podemos falar do clima de conforto que este episódio foi capaz de passar nos seus minutos finais, com as comunidades a conviverem ao redor da lareira. Por fim, falou-nos da nova “profissão” de Enid: com a ajuda de Siddiq está a tornar-se perita em primeiros socorros e é ela mesma que faz a amputação do braço de Aaron. 


The Obliged centrou-se bastante em Michonne e mostrou-nos esta personagem em conflito consigo mesma e a exibir a verdadeira guerreira que há em si, incapaz de estar quieta, enquanto tenta ajudar a comunidade de Alexandria. É através dos momentos de Michonne que também nos é mostrada a situação de Negan, que continua preso e com muitas saudades da sua querida Lucille, talvez mesmo a começar a ficar maluco devido à solidão em que se encontra. Outra personagem que também teve o seu momento de destaque neste episódio foi Jadis/Anne. Fomos novamente levados até ao lixo, onde esta colocou Gabriel numa situação idêntica aquela em que colocou Rick, com um walker prestes a mordê-lo. As cenas de Anne começavam a ser bastante interessantes, pois conduziam à origem dos helicópteros que apareciam de vez em quando, e que mais tarde viriam a tornar-se mais importantes. Outro dos grandes focos do episódio foi o “fim” da amizade entre Daryl e Rick. Depois de descobrir o plano de Maggie de entrar em Alexandria, Rick aceita uma boleia por parte de Daryl para ir para a comunidade. No entanto, esta boleia era apenas um plano para o manter afastado de Alexandria. O resultado é o que os dois acabam por entrar em conflito e caem dentro de um buraco. Não tarda a chegar um grupo de walkers, mas não sentimos um grande clima de perigo. No entanto, quando os dois finalmente escapam, cada um segue o seu caminho e Rick vê-se cercado por walkers. O problema é que cai do cavalo e fica preso – e é assim que termina o episódio: com Rick ferido e rodeado de walkers. Este episódio começou a estabelecer o início do final de Rick, no entanto não nos entrega logo tudo de uma só vez – até porque seria um choque demasiado grande ver o protagonista da série morrer a ser devorado por walkers. Na verdade, isto serve apenas de preparação para algo que não queremos que aconteça, mas que estava confirmado há muito tempo. O cliffhanger acaba por, de um certo modo, amenizar o que estaria por vir. 


What Comes After trouxe a tão antecipada despedida de Rick e também o fim de um ciclo. Rick sempre foi o líder e durante anos muitos acreditaram que a série era essencialmente sobre ele e a sua família (principalmente Carl), em busca de uma vida melhor no meio da morte. Depois da saída de Chandler Riggs (que interpretava Carl) na oitava temporada, a notícia de que íamos perder também Andrew Lincoln foi quase como um murro no estômago. Por isso, o mínimo que os fãs exigiam era um “final” digno para a sua personagem. A questão é: este episódio de despedida foi o que nós precisámos naquele momento? A resposta é muito simples: sim! Numa altura em que The Walking Dead começava (finalmente!) a recuperar as suas origens e começava a trazer-nos mudanças bastante positivas em termos de cinematografia e argumento, este episódio foi quase como chegar ao topo de uma colina. What Comes After centrou-se em Rick como era esperado, mas, para além disso, levou-nos por uma bonita viagem pelo passado da série, levando-nos até ao seu início e revisitando várias personagens que nos foram abandonando – Shane, Hershel e Sasha. Ao mesmo tempo, mostrou-nos em sonhos aquilo que agora era a realidade de Rick com Michonne, num momento que não pode deixar de ser considerado emocionante. 

Quando muitos fãs esperavam que o final de Rick seria a sua morte, a série foi capaz de nos entregar algo melhor que isso e mais digno para a personagem. Rick não morreu. Sim, Rick estava bastante ferido, mas foi encontrado por Jadis (ou Anne, se assim preferirem) que o entregou aos famosos helicópteros. Mas de onde vêm estes helicópteros e a que comunidades pertencem? A partir daqui começou a nossa especulação, mas tudo aponta que estamos perante uma grande comunidade bastante famosa nas bandas desenhadas que se chama Nova Ordem Mundial. Lembram-se de Georgie, a personagem bem vestida que apareceu há alguns episódios atrás e que entregou planos para construção a Maggie? Ainda que tenha sido uma personagem bastante misteriosa, pensa-se que vinha dessa comunidade, que vive uma vida quase normal. 

É inevitável falar também do final, que nos apresenta novas entradas na série, como é o caso de Dan Fogler, ator por muitos conhecido por fazer parte da saga Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los. No final do episódio vemos um grupo em perigo, rodeado por walkers. É aí que ouvimos uma voz de uma criança que os salva. “Judith. Judith Grimes”; é assim que ela se apresenta. Mas Judith já não é a bebé que tem sido ao longo de tanto tempo. É agora uma criança mais velha e independente, que se assemelha ao pai e usa o chapéu de cowboy do irmão. O que significa isto? Demos novamente um salto no tempo. 


Chegámos ao sexto episódio da nona temporada (intitulado Who are you now?), o primeiro depois do final da “era” de Rick Grimes. O melhor é entrar nesta nova fase sem expectativas e, especialmente, sem a típica ideia: “o protagonista desapareceu, isto agora só vai piorar”. Mente aberta é o melhor! Estamos numa nova fase! 

Judith Grimes é a grande protagonista deste episódio e fica marcada especialmente pela sua evolução, tanto a nível de crescimento como de carácter. Podemos dizer que a miúda sai a Rick! É ela que traz um novo grupo para Alexandria, formado por Luke, Magna, Connie, Kelly e Yumiko. Grupo esse que não merece logo o respeito de Michonne… 

Retomando o nome do episódio, foi curioso o momento em que Aaron questionou este grupo acerca das suas vidas antes do “fim do mundo”. Temos uma ex-jornalista muda, uma ex-estudante, uma ex-empregada de café e um professor de música – que continua a afirmar ser isso mesmo. Um grupo de lutadores, todos bastante diferentes. Magna é aquela que se destaca mais no grupo, até porque traz uma faca e tem uma tatuagem de prisão. Por sua vez, Michonne assume-se enquanto líder de Alexandria na ausência de Rick e temos uma mulher ainda mais feroz do que já era, a suspeitar demasiado e a ser bastante arrogante. Para além dos momentos relacionados com estas novas personagens, o final do episódio foi o mais importante. Eugene e Rosita estavam a ser perseguidos por walkers. Eugene encontrava-se ferido, por isso ambos decidem esconder-se debaixo de lama. Os walkers passam. No entanto, para além dos típicos rugidos, ouve-se os walkers a falar! O primeiro pensamento para alguém que não leu as comics seria: “mas os walkers falam? Será que estamos perante alguma evolução nos mortos-vivos?”. Calma… Os walkers não falam! Mas os Sussuradores, sim… Quem são os Sussuradores? São mais uma comunidade conhecida nas comics, cujos membros andam pelo meio dos walkers, vestidos como tal. Para além disso, os Sussuradores conseguem “controlar” os mortos-vivos e têm grupos enormes deles… Ou seja, mais um perigo em The Walking Dead? Os próximos episódios vão revelar isso… 


Stradivarius, teve dois focos principais: Carol e Henry em busca de Daryl e Michonne com os sobreviventes do novo grupo a caminho de Hilltop. Começando por Carol e Henry, estes encontram Daryl a viver em condições péssimas, mas com um novo companheiro, um cão chamado… Cão (Dog). Carol quer que Daryl regresse a Hilltop, para que este possa ensinar Henry a sobreviver ao apocalipse. Daryl lá acaba por ir para Hilltop, ainda que ao início não estivesse muito convencido. Ao mesmo tempo, Michonne e Siddiq também levam o novo grupo para Hilltop. Mas Michonne recusa-se a ir mesmo até à comunidade, pois não quer confrontar Maggie. É, então, numa conversa com Michonne que Siddiq revela que Maggie foi embora para outra comunidade e levou o filho consigo – motivo pelo qual a personagem já não aparecia na séria há algum tempo. Neste momento, podemos pensar que Maggie foi para a Commonwealth, uma comunidade que ainda não foi explorada na série. Maggie deixou, assim, um novo líder em Hilltop, Jesus, que não está muito feliz com o seu novo cargo. Para além disso, temos também uma retomada do final do episódio anterior, que terminou com um cliffhanger em que vimos os walkers a falar enquanto Rosita e Eugene fugiam. No início deste episódio temos precisamente Rosita ensanguentada, mas já sem Eugene, que ela diz ter deixado num celeiro. 


Evolution foi o nome do oitavo episódio, derivado de uma teoria que Eugene lança acerca de os walkers estarem a evoluir e, por esse motivo, terem aprendido a falar. Mas vamos começar por Michonne e pelo novo grupo, que finalmente chegaram a Hilltop, onde foram recebidos com uma certa suspeita. Em Hilltop temos também Carol e Henry, que agora é aprendiz de ferreiro. No entanto, depois de conhecer alguns membros da sua idade na comunidade, Henry revela que é o único ali que conhece a “realidade” e consegue defender-se propriamente dos walkers. O miúdo cresceu! Ao mesmo tempo, temos também o ponto da situação em Alexandria: Gabriel fica responsável por tomar conta de Negan. Aaron, Daryl e Jesus partem em busca de Eugene, que ficou escondido num celeiro, pois estava ferido. Quando o encontram, percebem que estão a ser perseguidos sempre pelo mesmo grupo de walkers. Então, o grupo divide-se e Daryl tenta despistá-los, mas é nesse momento que percebe que os walkers não estão a ir atrás do barulho que ele está a fazer e é como se estivessem a ser comandados. Aaron, Jesus e Eugene acabam por ficar encurralados e é aí que se dá o momento alto do episódio. Quando estava a enfrentar os walkers, Jesus é morto por um, que lhe sussurra que ele não pertence ali. E assim foram introduzidos os Sussuradores (Whisperers)! Acerca de Jesus, claro que foi uma morte triste, mas depois de o termos visto a “borrifar-se” para a liderança de Hilltop, talvez já fosse esperado que algo lhe acontecesse, de modo a haver um novo líder. Apesar de ter sido uma personagem importante, podemos dizer que Jesus também não teve um grande desenvolvimento, por isso não chegou a tornar-se numa daquelas personagens cujas mortes realmente nos chocam. Não é verdade? No entanto, pela reação de Aaron à sua morte, podemos mesmo pensar que estava a começar a haver alguma relação entre os dois. O episódio terminou com um pequeno cliffhanger em que Michonne, Aaron, Eugene e o novo grupo estão no meio do nevoeiro, prontos a enfrentar novos Sussurradores que possam aparecer e atacar. 

A introdução dos Sussuradores foi um ponto alto. Não foi apressada e foi inesperada – sim, sabíamos que um Sussurador podia atacar a qualquer momento, mas não estávamos à espera que atacassem naquele momento. Por sua vez, a revelação dos próprios Sussuradores, com Daryl a retirar uma máscara de zombie da cara de um deles também foi bastante interessante. De um modo tão simples, ficámos a saber que existe um novo perigo em The Walking Dead


Depois da já habitual espera a meio da temporada, The Walking Dead regressou com o nono episódio, intitulado Adaptation. O grupo do episódio anterior decide montar uma armadilha e conseguem capturar uma jovem mulher que faz parte dos Sussurradores, Lydia, que lhes mente dizendo que o grupo é composto por poucas pessoas. Um momento importante do episódio mostra-nos as reações dos amigos de Jesus à sua morte, depois de o corpo deste ser levado de volta para “casa”. Claro, é com muita tristeza que a comunidade aceita a sua morte…

Algo que pareceu estranho neste episódio e muito pouco natural foi o facto de terem florescido muitas relações, que à partida nem fazem muito sentido… Então, Enid e Alden estão juntos, há tão pouco tempo que ela ainda nem o considera namorado. E Rosita e Siddiq (sim, como assim?!) também andaram envolvidos, aparentemente antes de ela andar com Gabriel… O pior é que ela ficou grávida!... Tivemos também vários momentos ligados a Negan e a Judith (a nova grande dupla!), que o deixa escapar de Alexandria, avisando-o que se o voltar a ver dá-lhe um tiro. E isso não demora a acontecer, porque no mesmo episódio Judith volta a encontrá-lo, dá-lhe um tiro e regressam a Alexandria. O final do episódio foi, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes. Alden e Luke, que andavam à procura do grupo de Michonne, que até já tinha regressado, são apanhados pelos Sussurradores, que, novamente, mostram as suas capacidades de aparecer sem que ninguém dê por eles. E é, então, que aparece Alpha, a líder dos Sussurradores, a nova grande estrela de The Walking Dead


Omega foi o nome escolhido para o capítulo seguinte, que não teve grandes momentos de ação, mas foi capaz de trazer alguma inquietação. A personagem principal foi Lydia, que foi capturada e estava presa numa cela ao lado de Henry, com quem conversava sob os ouvidos de Daryl. Neste episódio, os dois continuam a conversar, mas Daryl decide libertar Henry, pois este já estava a falar demasiado. Entretanto, o próprio Daryl tenta conhecer melhor a cativa. É, então, que somos levados numa viagem pela infância de Lydia. Ou, melhor, até ao momento em que começou o apocalipse. Descobrimos mais sobre os seus pais, especialmente sobre a sua mãe “que é uma pessoa boa”. Por momentos acreditamos mesmo nisso… Mas ao longo do episódio percebe-se que nem Lydia sabe no que acreditar. Através das suas descrições, primeiro entende-se que Alpha era uma boa mãe, que apenas queria proteger Lydia. Mas depois revela-se que afinal ela é terrível, inclusive até matou o pai da filha. Foi bastante interessante o modo como a série aprofundou o passado da rapariga, até porque nos deixou com várias opiniões acerca dela. No final do episódio, sentimos que ainda não sabemos bem o que pensar. 

Outra surpresa deste episódio foi o grupo de Magna, Yumiko e as irmãs Connie e Kelly, que partiram em busca de Luke (que tinha saído com Alden). O problema foi que o facto de terem saído apenas trouxe problemas para a comunidade, pois o episódio termina mesmo com Alpha e alguns sussurradores a chegar aos portões e a pedir Lydia de volta – num momento tenso e arrepiante. 


O episódio seguinte, Bounty, focou-se em duas histórias: Alpha a tentar recuperar a filha e o Reino a cumprir uma missão de encontrar uma lâmpada num cinema antigo para um projetor. Um fantástico contraste… Começando pelo primeiro momento, tivemos finalmente um confronto entre Hilltop e os Sussurradores, depois de Alpha no episódio passado ter chegado com o objetivo de recuperar Lydia. Claro, depois de ouvir os desabafos da rapariga, Daryl recusa-se a entregá-la à mãe. Mas quando Alpha faz o acordo de entregar Luke e Alden em troca de Lydia, Hilltop não vê outra opção. Só que, entretanto, Henry, que está muito apaixonado, foge com Lydia, para evitar que esta seja entregue. O problema é que isso lá acaba por acontecer, pois Lydia aceita entregar-se à mãe… Apenas para ser recebida de um modo frio e cruel, que apenas comprovava os seus relatos relacionados com a progenitora. Entretanto, durante este momento tivemos sequências muito interessantes. Aquando da aproximação de um grupo de walkers, Alpha dá a ordem de deixarem um bebé, que estava a chorar, no chão, para que este morra comido pelos walkers. Só que ao perceber isso, Luke faz indicações a Connie, que estava escondida no meio de umas plantações) e esta consegue salvar a criança. Depois, temos uma filmagem incrível desta a fugir por entre os arbustos, enquanto surgem mortos-vivos de todos os lados. E o som quase desaparece, fica ao nível de um ruído, para termos noção daquilo que ela sente. Um momento arrepiante e de grande tensão… Consequência de tudo isto é o final do episódio, em que Henry desaparece e apenas deixa um bilhete a dizer que foi à procura de Lydia. Claro está, Daryl também não estava feliz com a entrega da rapariga e decide partir em busca dos dois. Mas à saída Connie compromete-se a ir com ele procurá-los e então temos o trio Daryl, Connie e Cão a partir em busca de Henry e Lydia. 

Já noutro lado, acompanhamos também um grupo do Reino a pensar no futuro e a querer apresentar um cinema numa futura feira de comunidades. Para isso, precisam de uma lâmpada para o projetor. Então, o único modo de conseguir encontrar uma lâmpada é ir a um Cinema antigo, abandonado e cheio de walkers. Vemos, então, o Rei Ezekiel e a sua Rainha Carol a liderarem numa missão que, apesar de ser perigosa, se torna divertida, acompanhada com alguma música (It’s All Right Now de Eddie Harris) e dança. Basicamente, este momento foi uma brisa de ar fresco no meio do caos. 


O amor é cego, já sabemos e o episódio Guardians foi prova disso, ainda que não confirmasse totalmente este dito popular. Já todos tínhamos percebido que o jovem Henry (que podia bem ser um substituto para Carl, mas nem perto disso conseguiu estar) ficou completamente apaixonado por Lydia desde o primeiro momento em que ouviu a sua voz, mas estávamos longe de imaginar as loucuras que este iria fazer por ela… E não tardámos a descobrir que Henry ainda ia causar muitos problemas e este episódio foi prova disso. Quando no final do episódio anterior vimos que o rapaz foi atrás de Lydia, imaginámos logo que este ia ser apanhado por Alpha e companhia. Então, basicamente foi isso que este episódio nos mostrou. Henry foi capturado e Lydia viu-se obrigada a mentir (por medo da mãe) e a mostrar-se completamente neutra ao sofrimento dele, ao ponto de lhe dar uma chapada na cara. Só que quando a implacável Alpha disse à rapariga para o matar, esta não foi capaz. Um momento de tensão, mas que pouco tempo durou, pois chegou logo Daryl. Daryl e Connie “infiltraram-se” no meio dos Sussurradores e agirem como eles. E foi bastante interessante perceber que é fácil controlar os mortos, pois estes dois conseguiram logo atrair um grupo deles. 

Noutro lado, tivemos uma ideia do estado de Alexandria. Michonne não quer ser líder, mas age como tal e entrega cargos a vários membros da comunidade. Para além disso, a certo momento confronta Negan, apenas para perceber que este tem uma “amizade” com Judith, que ela não consegue entender. Judith, por sua vez, voltou a destacar-se aqui com o seu ar de guerreira ao afirmar que “as pessoas mudam”. 


Chokepoint focou-se em duas narrativas paralelas. Por um lado, acompanhámos a fuga de Lydia, juntamente com Henry, Daryl e Connie. Ao mesmo tempo tivemos também um vislumbre do Reino, nos preparativos para a Feira e um encontro com um novo grupo: os Homens da Estrada. Começando por Daryl e companhia, estes continuam em fuga e a ser perseguidos por alguns Sussurradores. Estes decidem planear uma armadilha e assim vivemos grandes momentos de tensão, durante os quais vemos Connie em grande ação, Henry a ser ferido e Daryl a enfrentar Beta, enquanto Lydia está escondida num armário para não ser encontrada. Beta foi quem chamou mais à atenção neste episódio (para além de Daryl, mas esse já conhecemos bem) e tivemos uma espécie de apresentação do seu carácter, pois até agora este tinha apenas estado nas sombras de Alpha, que, por sua vez, não participou neste episódio. 

Já no Reino, os preparativos continuam e vivem-se momentos de alegria. Pelo menos até chegar uma carta de um novo grupo (os Homens da Estrada) a dizer que não deixaram ninguém passar para o Reino até terem vários bens que enumeraram numa lista. Por momentos, até pensamos que temos por aqui mais uns vilões, mas rapidamente percebemos que não há nada a temer, pois Ezekiel e, especialmente, Carol, conseguem convencê-los a tornarem-se aliados (apenas dizendo que a Feira terá um cinema). Mais para o final do episódio temos este mesmo grupo a ajudar o pessoal de Hilltop, depois de estes serem cercados por walkers


E quando menos esperado, The Walking Dead surpreende-nos com um episódio diferente, sem Alpha ou Beta, sem grupos novos. Apenas focado em Michonne e no seu amor por Judith… E por Rick. Scars levou-nos numa viagem em flashbacks depois de Judith ter fugido. Michonne revê todo um passado traumatizante, que até agora era desconhecido para o público. Anteriormente tinha sido mostrada uma cicatriz em forma de X nas costas de Michonne e de Daryl e aqui, finalmente, descobrimos a origem desta cicatriz. Recuamos até ao momento em que Rick desaparece. Nos episódios que se seguiram tivemos um grande salto temporal e pouco sabíamos sobre o que tinha acontecido depois da sua saída. Então, Scars leva-nos para depois do desaparecimento e apresenta-nos uma Michonne grávida (já numa fase quase terminal da gravidez, atenção!) e um Daryl desesperado em busca de Rick, a tentarem descobrir se este está morto, mas sem efeito, pois, claro, o corpo dele nunca apareceu. Mais tarde no episódio, surge uma surpresa, uma amiga de longa data de Michonne, Jocelyne. Já não se viam há anos e achavam que nunca mais se iriam encontrar. Jocelyne está acompanhada por crianças e está ferida, então Michonne aceita recebê-los em Alexandria. Só que a “amiga” não demora a fugir… E leva as armas e todas as crianças, incluindo Judith. Michonne e Daryl partem, então, em busca de Judith. E vão parar a um sítio onde as crianças foram ensinadas a matar. É que Jocelyne, afinal, é uma mulher doida, que tornou as crianças violentas. O resultado é que Michonne e Daryl são presos e marcados com ferros – cá está, a origem do X. Mas conseguem escapar e procuram Judith. É neste momento que Michonne é cercada por crianças, que a tentam matar. Mas a mulher defende-se e temos um momento chocante de luta entre um adulto, uma mulher grávida!, e um grupo de crianças. Michonne chega mesmo a ser esfaqueada na barriga, num momento capaz de nos tirar o fôlego. Depois, claro, Jocelyn aparece e Michonne mata a antiga amiga e acaba por encontrar Judith dentro de um contentor. Já no presente, Michonne fala com Negan e este “abre-lhe” os olhos para o facto de ela nem sempre entender Judith, que quer a união entre as comunidades, ao contrário de Michonne. Depois de uma conversa, Michonne lá é convencida a aceitar ir à feira do Reino e no final do episódio temos as duas a caminho da feira e a dar boleia a Daryl, Connie, Henry e Lydia, que se encontravam a ir para lá também. 


Muita coisa aconteceu desde a morte de Glenn e Abraham às mãos (ou à Lucille) de Negan. Então, vocês pensam: “porque estás a escrever sobre isso?”. É que a última vez que senti tanta raiva a ver The Walking Dead foi precisamente nesse momento. Dou por mim vezes sem conta a pensar no porquê de a série não seguir mais os comics. Depois arrependo-me de tal pensamento quando a série decide voltar a seguir as bandas desenhadas de Robert Kirkman. The Calm Before foi mesmo um daqueles episódios cujo final atinge um clímax inesperado e que vale a pena ver sem conhecimentos prévios do que vai acontecer. O episódio começou com um casal a partir para a Feira do Reino, mas pelo caminho são apanhados e mortos pelos Sussurradores. Alpha corta o cabelo da mulher, para mais tarde o usar para se infiltrar no Reino. Logo este início do episódio foi bastante triste, pois vimos a evolução de um casal que nunca tinha aparecido e vimos a felicidade deles a caminho do Reino, apenas para serem mortos. 

A primeira parte do episódio foca-se no reencontro de várias comunidades no Reino para celebrar a feira e temos sequências verdadeiramente alegres. Ao que parecia, tínhamos um momento de calma, que em breve poderia começar a dar frutos… É neste início que se dá o reencontro entre Carol e Henry e, principalmente, entre esta, Ezekiel e Judith, que já não os via há muito tempo. É aí também que temos Tara a ver Lydia e a afirmar que era suposto apenas terem levado Henry. Logo de seguida, temos os líderes a decidir o que fazer com a filha de Alpha e a concordarem em dar-lhe auxílio. Então, alguns líderes partem para Hilltop, tendo em conta que os Sussurradores poderiam voltar para lá para recuperar Lydia. No entanto, logo após esta saída, Alpha infiltra-se no Reino e chega mesmo a falar com Ezekiel. A princípio achamos que esta apenas tentou ir buscar a filha, mas mais tarde no episódio, mesmo depois de encontrar Daryl e companhia, que tinham partido, percebemos que deixou o caos plantado… Já perto do final, temos um momento memorável e incrivelmente triste das comics. Acontece que aquando da invasão de Alpha ao Reino, esta capturou algumas pessoas… Entra elas, Tammy, os amigos de Henry, o próprio Henry, Enid, Tara e também alguns Homens da Estrada, que tentaram ajudar estes… Então, temos todas estas personagens mortas, com as cabeças transformadas em mortos-vivos, espetadas em paus – completamente empaladinhos… Tal e qual as maçãs que Enid tinha comido durante a feira. 


Assim chegámos ao fim da nona temporada com The Storm, que trouxe alguma calma à série. Chegou o Inverno e a neve cai com força; um cenário que nunca foi apresentado em The Walking Dead, então foi muito curioso ver como as personagens se adaptaram ao tempo frio. Com o fim da temporada, foi também o fim de uma das comunidades e vemos Carol e Ezekiel a fechar as portas do Reino, para mais tarde ouvirmos Carol a dizer que adorou viver aquela fantasia. O fim do Reino vai tornar as coisas mais simples, pois a partir de agora a série vai focar-se em apenas três comunidades – Alexandria, Hilltop e Oceanside –, o que tornará tudo menos confuso para quem não consegue acompanhar bem a mudança das personagens de comunidade para comunidade. Foi após a saída do Reino que o grupo caminhou para Hilltop, onde ficariam em segurança. No entanto, Lydia escapa e é encontrada por Carol, que a vê a tentar ser mordida por um walker, para morrer. Sabemos que Carol está a sofrer pela morte de Henry e vemos Lydia a sentir-se culpada pela morte do namorado, mas temos aqui um momento muito interessante entre as duas, pois finalmente vemos Carol a conseguir acolher Lydia e a tentar limpar um pouco a sua consciência. Outro destaque deste episódio foi a amizade entre Negan e Judith. Noutro momento, tempos Judith a fugir no meio da tempestade para ir procurar o Cão. E Negan é o único que se dá ao trabalho de ir atrás dela, mostrando uma enorme preocupação que é ainda mais acentuada quando a encontra e lhe dá o casaco. Mais tarde, vemos Michonne a agradecer-lhe… E começamos a gostar ainda mais um bocadinho de Negan, quase ao ponto de nos esquecermos que este matou Glenn há uns tempos. O vilão transformou-se! No final do episódio, foram por água abaixo as expectativas que muitos tinham de que Rick ia falar pelo famoso rádio. No entanto, de facto alguém falou, mas não se sabe ao certo quem era. Será que era alguém da Commonwealth? É o mais provável, e, se assim for, voltamos a entrar por novos caminhos. 

Claramente foi visível a transformação que a série passou depois da chegada de Angela Kang. Sejamos honestos, durante várias temporadas quase só havia ação no primeiro episódio, na mid season finale e no final. Desta vez, como foi notável, tivemos um episódio final mais morno, sem grandes acontecimentos e sem mortes, pois ao longo da temporada já tivemos momentos chocantes que bastassem. Acontece que estas transformações apenas fizeram bem à série. Chegámos ao final da temporada e tudo ficou esclarecido, sem pontas soltas, pois agora tudo acontece com uma maior rapidez, mas sempre com muita coerência. 

Agora, The Walking Dead está de regresso para a sua décima temporada. A esta hora, o novo episódio já foi lançado nos Estados Unidos, mas só o verei logo à noite na FOX – como já me manda a tradição. Pelo que ouvi, os primeiros minutos vão ser completamente diferentes de tudo o resto… Estou curiosa! Entretanto, há boas notícias: a série foi renovada para a sua décima primeira temporada!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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