quarta-feira, 2 de outubro de 2019

"Skin" em análise

No seguimento do sucesso da sua curta-metragem Skin, vencedora de um Óscar este ano, o realizador Guy Nattiv apresenta agora uma longa-metragem com o mesmo nome, tema e premissas, mas que a determinada altura segue um caminho completamente diferente, levando a uma conclusão mais pacífica do que a curta-metragem. 


Skin, que é baseado numa história verídica, começa por apresentar-nos o jovem Bryon Widner, que foi criado por skinheads e já é notório entre os supremacistas brancos. No entanto, a sua vida e o seu modo de ver alteram-se quando este se apaixona por Julie Price, uma mulher que é mãe solteira, e começa a receber apoio por parte de um ativista negro, empenhado em acabar com o ódio entre culturas. 

O filme não segue uma narrativa linear, o que, de um certo modo, impede o fator-surpresa para quem não está familiarizado com a história real. Pois se existem alguns momentos de tensão, estes são rapidamente abafados com cenas que apresentam o futuro da personagem, já numa fase de redenção. Acredito que uma narrativa linear provocaria outro impacto, mas a intercalação não impede que o argumento seja bom e, verdade seja dita, este consegue ser muito coerente. Neste aspeto é de referir que a banda sonora acentua-se apenas nos momentos referentes à redenção do protagonista e o trabalho do produtor e compositor Dan Romer consegue ser arrepiante. 


Ao contrário da curta-metragem, a longa não é tão caótica e bruta, pois rapidamente o protagonista entende que não está a seguir o caminho certo e busca alguma paz, com ele mesmo e também com aqueles por quem até então sentia ódio. Infelizmente, senti falta do caos da curta-metragem aqui, pois por momentos senti que este filme apenas estava a esticar ao máximo a premissa que já tinha sido apresentada por Nattiv, ainda que desta vez seja exposta com recurso a factos verídicos. Penso que o melhor é ver a curta-metragem e a longa, de modo a conectar o conteúdo que ambas apresentam e enriquecer a nossa experiência. 

Jamie Bell é quem interpreta o protagonista e parece-me razoável e justo dizer que este carrega o filme às costas, pois se a sua prestação não tivesse tido a qualidade que teve o resultado ficaria bastante aquém. Lamento que Danielle MacDonald, que, ao contrário de Bell, já tinha participado na curta-metragem, não tenha merecido mais tempo para brilhar e demonstrar melhor as suas capacidades enquanto atriz. 


O resultado de Skin consegue transmitir bem a sua mensagem: o amor triunfa sempre contra o ódio, especialmente quando existe alguém para nos dar a mão depois de assumirmos que tudo o que fizemos até ao momento não está certo. Bryon Widner, a personagem de Bell, tem de escalar uma grande montanha até conseguir redimir-se por completo dos seus erros. O filme expõe de um modo coeso esta longa viagem de redenção, sem esquecer todos os obstáculos que existem pelo caminho. É verdade que a história é um tanto previsível, mas não deixa de ser interessante de se ver.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. Embora não aprecie esse lado previsível, fiquei curiosa!

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  2. Uma agradável surpresa este filme duro e cru sobre a vida de um homem criado numa comunidade completamente desregulada dos mais básicos princípios. Gostei da grande interpretação de Jamie Bell (concordo que ele carrega quase todo o filme às costas), gostei da história do pequeno Gavin (que é recrutado apenas e só porque tem fome), gostei da realização e dos planos aproximados dos atores (não vi a curta metragem mas depois de ler esta crítica fiquei com curiosidade de ver). O final é previsível embora isto não tire valor ao filme e à mensagem que pretende transmitir. Vale a pena ver.

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    1. Vale muito a pena ver a curta-metragem, Luís! Complementa muito bem este filme! Fica a sugestão!

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