domingo, 27 de outubro de 2019

"Tristeza e Alegria na Vida das Girafas" em análise

Tiago Guedes ainda está a colher os frutos da sua última grande colheita, mas no dia 21 de Novembro já chega aos cinemas o seu novo filme, Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, baseado na peça homónima de Tiago Rodrigues. A Herdade foi realmente bem recebido pelo público português, mas este novo filme traz ainda mais um género à atual diversidade do cinema nacional. 


Neste filme somos apresentados à jovem Girafa (interpretada por Maria Abreu), uma menina de dez anos que depois da morte da sua mãe vive somente com o seu pai (Miguel Borges) e com a companhia do seu urso de peluche Judy Garland (Tónan Quito). Girafa tem o objetivo de apresentar um trabalho escolar, mas para isso precisa de ver o Discovery Channel. Só que como o seu pai se vê impossibilitado de pagar as contas, naturalmente o canal é cortado. A rapariga decide, assim, partir numa aventura pela cidade de Lisboa em busca da única pessoa que será capaz de a ajudar: o primeiro ministro, que poderá escrever uma lei para que esta tenha acesso ao Discovery Channel

Girafa é uma rapariga diferente e isso traz um modo distinto de ver o mundo que o filme é capaz de transmitir na perfeição, levando-nos a ter uma vontade enorme de pensar como ela e de ter a sua inocência. O filme, mesmo sendo protagonizado por uma criança e pretendendo transmitir o seu modo de ver, não é infantil. Isso é logo acentuado pela personagem Judy Garland, que é uma espécie de urso de peluche com tendências suicidas que não diz uma única frase sem, no mínimo, três asneiras seguidas. 


Temas como a crise económica, o excesso de horas de trabalho e a incapacidade de certos políticos de governar o país são abordados com a dose certa de humor, tornando-se em pequenos detalhes e não assumindo o protagonismo da história. O protagonismo é todo direcionado para a Girafa e o modo como esta lida com o que a rodeia, até porque o principal tema aqui é o crescimento e a auto-descoberta, levando a uma perda daquilo que nos torna crianças: os amigos imaginários, os peluches e a necessidade de termos constantemente um porto-seguro. A protagonista aprende a deixar tudo isto para trás, mas não de um modo repentino, pois aprende muitas lições anteriormente. 

Se por um lado o filme consegue ser muito cómico, depois temos também momentos realmente emocionais. Nós, enquanto adultos, entendemos que muitas coisas aqui são cruéis e isso, no final, entristece-nos, porque gostaríamos certamente de voltar a acreditar que tudo no mundo é bom e isto é uma espécie de abre-olhos. A personagem de Tónan Quito nunca se esquece de fazer essa ligação e funciona como uma consciência fundamental para que não entremos demasiado na imaginação da protagonista. 


As representações neste filme são todas de aplaudir, mas a pequena Maria Abreu é quem mais brilha, sendo capaz de demonstrar um grande à vontade mesmo quando utiliza vocabulário que geralmente não seria pronunciado por crianças da sua idade, como palavras com mais de dez sílabas. Tónan Quito interpreta, também, uma personagem que se torna inesquecível de tão peculiar e cómica apesar de toda a tragicidade que o rodeia. 

Enquanto lisboeta, resta-me apenas dar destaque à capacidade de utilizar cenários reais e de explorar lugares distintos da capital. O filme pode, também, servir como uma espécie de cartão de visita e seria muito interessante se alguém pegasse em todos os locais apresentados e fizesse um roteiro pela cidade.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

6 comentários:

  1. Não conhecia.
    Parece-me interessante.

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  2. Fiquei cheia de vontade de ver este filme :o

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  3. Pensando agora... acho que nunca assisti um filme português!
    Fiquei bem curiosa pra assistir esse filme, já que Portugal é um dos lugares que queri visitar com minha família.
    Gostei do história do filme, é diferente mas parece ser bem legal :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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    1. O cinema português está numa fase de mudança e vale muito a pena veres este!

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