terça-feira, 22 de outubro de 2019

"Um Dia de Chuva em Nova Iorque" em análise

Aqui vamos nós para mais um filme (o quinquagésimo) escrito e realizado por Woody Allen, depois de este ter tido vários problemas de financiamento que quase colocaram em causa lançamento deste novo projeto. Um Dia de Chuva em Nova Iorque leva-nos, tal como o nome indica, (novamente) para plena cidade de Nova Iorque, mas não propriamente para o seu lado mais luminoso; somos levados para pequenas ruelas, num dia em que a chuva insiste em não parar.


O filme traz um elenco de luxo, mas juvenil, contando com Timothée Chalamet e Elle Fanning, que começam por interpretar um casal que viaja para Nova Iorque porque a rapariga tem uma entrevista com um dos seus realizadores favoritos. Já na cidade, cada um vai para o seu lado e os seus planos românticos acabam por ser quebrados: ele acaba nas gravações de um filme amador realizado por um antigo colega e transforma-se numa espécie de protagonista que tem de beijar a “atriz” (interpretada por Selena Gomez), que, por acaso, é irmã de uma ex-namorada; já ela, vai para um visionamento do novo filme do realizador, apenas para depois ser levada para o meio da elite numa festa que reúne grandes estrelas. 

O argumento é tipicamente escrito por Woody Allen. Temos presente uma das temáticas dos seus filmes: os encontros e desencontros, capazes de terminar antigos amores e dar vida a outros novos. Se formos a ver, são vários os filmes do realizador em que a trama só se desenvolve por esta via. Depois temos também os já usuais diálogos que soam meio teatrais, com palavras com tantas sílabas que os atores até parecem ter dificuldade em pronunciá-las ou que apenas pretendem transmitir ideias intelectuais. Não vou negar, em algumas personagens neste filme isso até funcionou, mas noutras tornou-se apenas estranho de se ver, como foi o caso da de Elle Fanning, que apenas soava superficial, não por culpa da atriz mas sim da própria construção da personagem. 


Acho que a chuva torna-se no maior elemento de destaque do filme e o que diferencia este dos restantes da carreira de Allen. A chuva surge também como um fator capaz de unir as personagens, pois, de um certo modo, é o que vai fazer com que algumas entendam que não têm interesses em comum. Para além disso, ajuda a dar uma sensação cozy ao filme, sendo capaz de o tornar num daqueles que até são bons para se ver durante uma tarde em que chova lá fora e não nos apetece sair de casa. 

Agora, algo que me incomodou imenso foi a mudança de planos, essencialmente numa determinada sequência no carro na qual não foi dado um minímo de atenção à coerência. Ora, se num segundo o cabelo de Selena quase lhe tapa metade da bochecha, no segundo seguinte já está atrás da orelha, apenas para regressar à bochecha logo no regresso ao plano anterior, e assim consecutivamente. Infelizmente, isto aconteceu várias vezes durante o filme, seja com a caracterização das personagens ou com posicionamento de objetos. Pode não ter grande influência no resultado, mas é um aspeto que poderia ter sido tido em conta durante as filmagens, especialmente tratando-se já do quinquagésimo filme do realizador. 


O elenco consegue fazer um bom trabalho, mas o argumento não lhes permite criar a química necessária para transmitir o que acredito que fosse o objetivo do filme. Na verdade, acontecem tantas coisas ao mesmo tempo, as personagens separam-se tantas vezes, que o próprio final nem parece fazer muito sentido, ainda que consiga ser poético. 

Não posso negar, eu, no geral, não sou fã dos filmes de Woody Allen. Há um ou outro que gosto, mas sinto que é um realizador que já não sai da sua caixa e que insiste em seguir sempre o mesmo estilo narrativo. Não vi aqui nada de novo, apesar dos novos elementos introduzidos e do elenco interessante, capaz de trazer estes atores para um ambiente diferente do habitual. Lamento que não tenha sido mais arriscado, pois adorava que se tivesse afastado mais das suas raízes. Assim, penso que é só mais um filme para quem é realmente fã da obra de Woody Allen.

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

10 comentários:

  1. Os elementos para surpreender, sinto, estão lá todos, mas é mesmo uma pena quando não se gere isso, apresentando um produto pouco original :/

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    1. É mais um típico do Woody Allen, sempre com a mesma fórmula...

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  2. Como sou fã da obra de Woody Allen (o meu favorito é Manhattan) não vou perder este filme.

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    1. Acredito que os fãs de Woody Allen vão gostar. Pessoalmente, acho que a fórmula já está a precisar de renovação...

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  3. já apontei, vou mesmo ter de ver.

    Beijinhos | danielasilva-oficial.blogspot.com

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  4. Não conhecia! Tenho que ver :)

    https://blogda-joana.blogspot.com/

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  5. OI Joana, eu gosto dos filmes do Woody Allen. Todos são semelhantes, mas tem diferenças. Esse eu ainda não vi. Por coincidência, li nessa semana uma matéria sobre o filme em uma revista enquanto estava no salão e fiquei curiosa para assistir ao filme. AGora vendo aqui no seu post fiquei com mais vontade ainda.
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe / Instagram  / Facebook / Pinterest


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    1. Então se gostas dos filmes dele, certamente vais gostar deste. Pessoalmente, já me cansei...

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