quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Uma história não contada em "Maléfica" (2014)

Ora, ora… E se a história que nós tão bem conhecemos tivesse mais para contar para além daquilo que está à primeira vista? Foi esta a premissa que Maléfica (2014), realizado por Robert Stromberg e protagonizado por Angelina Jolie, trouxe consigo: a ideia de contar a história da vilã que até agora nada mais era do que isso mesmo. 


A história do filme de animação já todos sabem. É na festa de batizado de Aurora que Maléfica, a bruxa má que ficou zangada por não ser convidada, lhe lança a maldição que lhe trará um interminável sono depois de se picar numa roca. Aurora é, então, levada pelas suas três fadas madrinhas, que cuidam dela até fazer dezasseis anos. Mas o inevitável acaba por acontecer e só um amor verdadeiro será capaz de acabar com a maldição da princesa. 

O que aqui temos é uma mudança do que já conhecemos, mas através da apresentação de elementos desconhecidos. De facto, Maléfica lança a maldição à bebé Aurora, mas porque se sente imensamente traída pelo seu pai, com quem em tempos tinha vivido momentos feliz e de pleno amor. Só que neste filme, quando Aurora é levada para a floresta para morar com as fadas madrinhas, é a própria Maléfica que começa a assumir um papel de protetora, desenvolvendo, inicialmente, um grande ódio pela criança mas que rapidamente se torna em amor e carinho. É quando Aurora já é mais crescida que esta começa a considerar Maléfica quase como uma mãe, até porque até aí desconhecia a sua verdadeira identidade e o facto de os seus pais ainda estarem vivos. 


Uma consequência da mudança da história de modo a contar melhor a vida de Maléfica está na falta de atenção dada às três fadinhas. Recordo-me bem que quando era pequena adorava ver vezes sem conta a VHS de A Bela Adormecida (1959), essencialmente devido à alegria que as três fadinhas me transmitiam. Sempre as considerei personagens interessantes, patetas mas destemidas e, acima de tudo, cheias de magia. A sequência da criação do vestido de Aurora era, para mim, uma das melhores sequências num filme de animação e também uma das mais divertidas. Foi, então, uma grande desilusão perceber que aqui as fadinhas pouco têm para além de papéis ligeiros, pois é Maléfica que assume a responsabilidade das três. 

Por sua vez, acho o princípio do filme encantador no modo como apresenta Maléfica, inicialmente como alguém com um coração realmente bondoso e depois começa a desenvolver a personagem que todos conhecemos, daquela mulher com voz forte, vestida de preto, pele clara… E bastante maldosa. Só que Maléfica continua sempre com um coração bondoso, o problema é que quem a rodeia não entende isso, assumindo sempre que esta é uma ameaça. Ainda que possa parecer uma comparação tonta, neste momento até tenho vontade de comparar a posição de Maléfica à do mais recente Joker: ambos são produtos da sociedade que o rodeiam. 


Não só a Maléfica ganha aqui uma nova história. Tenho de dizer que uma das coisas que mais me agrada neste filme é a nova vida do corvo da vilã. Diaval, interpretado por Sam Riley, torna-se numa espécie de consciência e ainda que tenha sido sempre um corvo é capaz de entender os humanos e os seus costumes, levando a uma dupla imparável entre este e Maléfica. Os dois juntos contribuem, também, para trazer vários momentos de humor ao filme. 

Este até podia ser um filme desnecessário, mas conseguiu contrariar a ideia de que pegar nos contos clássicos é um ultraje. Na verdade, desta vez a Disney conseguiu entregar uma história bastante original mesmo pegando numa que já é contada há muitos anos. Depois, a adicionar a isto, temos ainda grandes prestações e aqui é obrigatório falar de Angelina Jolie na pele de Maléfica. A sua prestação, aliada a um fantástico figurino e também a uma maquilhagem capaz de a transformar por completo, levou à criação de uma personagem completamente icónica. E a vontade de ver o seu regresso a este papel foi perfeitamente notável durante o marketing do novo filme Maléfica: Mestre do Mal, que chega já amanhã às salas de cinema!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

6 comentários:

  1. Essa falta de atenção dada às fadas é, de facto, uma pena. A cena que mencionaste também sempre foi uma das minhas favoritas *-*
    Ando para ver Maléfica há imenso tempo, mas depois adio sempre

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  2. A caracterização da Angelina Jolie está soberba.

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  3. Não vi (mais um) mas sempre tirei o chapéu à mensagem... e este tipo de filmes ou animações, tem sempre uma moral e tem sempre uma luta por ajudar a formar boas pessoas... dotar de valores e combater a má formação humana...

    Como sempre... uma análise brilhante e bem escrita

    Beijinhos

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