segunda-feira, 21 de outubro de 2019

"Wounds" em análise

Wounds é o mais recente filme a chegar à Netflix, depois de anteriormente ter sido muito mal recebido no Sundance Film Festival. Realizado por Babak Anvari, é baseado no livro The Visible Filth de Nathan Ballingrud e protagonizado por Armie Hammer, Zazie Beetz e Dakota Johnson. Tenho de admitir: o principal motivo que me levou a querer ver este filme foi o facto de as suas críticas irem, literalmente, do oito ao oitenta. Se por um lado determinados críticos o acharam péssimo, depois houve também quem o achasse uma obra-prima repleta de metáforas. E eu gosto sempre de alguma controvérsia, então lá fui, com alguma fé mas sem grandes expectativas, ver este filme. 


Não vou negar, achei a primeira meia hora interessante. Pareceu-me teatral, forçado, mas pensei que teria os seus motivos. É nesta primeira hora que somos apresentados ao nosso protagonista, um barman chamado Will, à sua ex-namorada e ao seu atual namorado. Somos levados para o bar, onde também estão presentes quatro adolescentes. Depois, a determinado momento, começa a aparecer mais gente e dá-se uma rixa, que é bastante momentânea e não se entende bem os seus motivos. Ora, por esta altura começa a parecer que algo não está bem, até porque por todo o lado existem baratas, que vão caminhando com um aspeto sinistro e repugnante. É depois desta breve apresentação que uma das adolescentes se esquece do telemóvel e o nosso protagonista decide levá-lo consigo, apenas para perceber que este contém algumas coisas muitos estranhas relacionadas com carne humana (inspiração de Cronenberg a tentar funcionar e a falhar miseravelmente) repleta de bichos – baratas, baratas. No entanto, tudo isto parece não servir de muito durante o resto do filme. 

Após a primeira meia hora, somos também apresentados à namorada de Will, Carrie, interpretada por Dakota Johnson. E, a partir daí, o filme transforma-se mais num drama entre namorados do que propriamente num filme de terror, pelo que nem se entende essa classificação. Parece que, afinal, o telemóvel malvado apenas tinha o intuito de levantar uma onda de ciúmes, pois nunca chegamos a ter respostas relativamente ao objeto nem aos seus donos. É suposto termos medo de tudo o que permanece no desconhecido para o protagonista e para nós mesmos? 


O filme esquece-se de responder a todas as questões que levanta. É apenas um amontoado de pontas soltas e de acontecimentos nonsense. Nada é respondido, ficamos sem saber o que se está a passar com o protagonista, o que é realidade e o que não é, se alguma coisa é resultado de uma valente bebedeira, quem são determinadas personagens… Enfim. Questiono-me como é possível um filme ser apresentado deste modo. Será que ninguém se apercebeu que não está a acontecer nada aqui? Ou alguém gosta de ver um filme apenas para ver baratas, que aparecem sabe-se lá porquê? 

Se, por um lado, o primeiro ato até me deixou curiosa, o restante apenas me deixou com vontade de desistir de continuar a ver. Lá aguentei, sempre à espera que alguma coisa conduzisse a uma conclusão que fizesse um mínimo sentido, mas parece que o filme apenas decide andar a vaguear por um labirinto sem fim, pois até a conclusão é apressada e, na verdade, pouco concluí, pois dá a sensação de que os créditos são apenas uma intermissão em algo que podia continuar durante muitas mais horas e que continuaria sem fazer sentido algum. 


Os atores, por sua vez, parecem esforçar-se ao máximo. Especialmente Armie Hammer, que até consegue entregar uma boa prestação, num papel inesperado e que se distancia do seu restante currículo, mesmo com um péssimo argumento. Só é pena que essa contribuição não sirva de muito para alterar o resultado final.

2/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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