quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"A Dama e o Vagabundo" (2019) em análise

Na passada terça-feira, foi lançada, nos Estados Unidos e na Holanda, a nova plataforma de streaming Disney+, que chegou (não cá) com a promessa de novos conteúdos originais. Um dos primeiros filmes da plataforma foi o mais recente remake dos estúdios, uma nova versão de A Dama e o Vagabundo. Já vimos o filme e hoje trazemos aqui uma opinião... 


Esta nova aposta surge na já tão afamada onda de remakes da Disney. Reparem que este ano já temos quase uma mão cheia, depois de Dumbo, Aladdin e O Rei Leão. Desta vez, a cobaia foi este original de 1955, que se transforma aqui numa espécie de conto de fadas em imagem real – e, desta vez, felizmente com animais reais, que apenas têm um bocadinho de CGI a dar-lhes algumas emoções (e um pouco mais). A história mantém-se praticamente inalterada, com a exceção de alguns momentos. Temos a Dama, a cadela cocker-spaniel que vive bem numa casa juntamente com a sua família, e temos o Vagabundo, um cão deambula pela cidade. Toda a gente já conhece a história de cor e salteado, não é verdade? Pois, então, falemos do que este filme tem para acrescentar… 

Os dois atores protagonistas (e, atenção, refiro-me aos cães e não a quem lhes dá a voz) são o que de melhor este filme trás, especialmente depois de conhecermos a história de Monty, que interpreta o Vagabundo, um cão que foi encontrado pela própria Disney num abrigo de animais. É um gesto bonito por parte da produtora e, de um certo modo, vai ao encontro da mensagem final do filme, a de adotar um animal que já foi de rua ou que foi abandonado. É preciso dizer que quem gosta de cães certamente vai encontrar aqui algum brilho, pois as sequências dos caninos são de uma ternura imensa. O problema é o resto… 


Claro que neste filme são os cães que têm um maior destaque. Só que infelizmente os adultos que aparecem não fazem jus aos cães. O Querido e a Querida (Jim Dear e Darling), interpretados por Thomas Mann e Kiersey Clemons, entregam prestações que parecem forçadas. Talvez seja intencional, mas algo não parece estar certo e entrega em demasiada a tal ideia de que isto é apenas um conto de fadas e não uma história que, originalmente, acontecia num lugar real e numa determinada década. 

Curiosamente, é de notar a tentativa da Disney de ocultar aspetos que podiam ser considerados racistas no filme original. Isso começa por ser visível na escolha da atriz que interpreta Darling (tudo bem, entende-se a ideia e até faz sentido se o objetivo é rever uma época histórica com olhos do presente – ou até mesmo do futuro), mas o que mais me custou a engolir foi a sequência dos gatos siameses. Vou ser sincera: para além do momento das almôndegas, a sequência dos gatos é, para mim, uma das sequências mais icónicas do filme original. Aqui foi tudo alterado, desde a canção até à raça dos gatos. Deixaram de ser siameses e deixaram de cantar aquela música meio oriental e arrepiante altamente sincronizada. Tudo isto pelo medo da Disney de que os asiáticos fiquem ofendidos. Ora, a mim o que mais me custou a engolir ainda foi o facto de os gatos estarem criados de uma maneira horrível, não parecendo minimamente reais em comparação com os cães. E a música, sinceramente, também não é nada de especial… Se a ideia era mudar a sequência, que ao menos tivessem feito algo decente!


Vocês sabem que já estou cansada destes remakes, mas, mesmo assim, decidi dar uma oportunidade a este, pelo simples facto de achar os cães protagonistas extremamente amorosos. É assim: na verdade, podia ter sido muito pior. Até nem está mal, vê-se bem, mesmo tendo mais meia hora do que o filme original, o que se torna muito desnecessário (até porque nessa meia hora não há nada de novo). Acho que tudo em redor dos cães até está bem conseguido, incluindo o trabalho de vozes de Tessa Thompson e Justin Theroux. O maior problema está na insistência por parte da Disney de continuar a querer trazer de volta a nossa nostalgia com filmes novos que não trazem nada de novo, em vez de produzirem realmente algo que seja novidade. Este é mais um desses casos. Daqui a uns anos, quando alguém quiser ver A Dama e o Vagabundo ninguém se vai lembrar sequer que este filme existe e a escolha principal vai continuar a ser aquela VHS cheia de pó que está guardada na prateleira.

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. É uma das minhas histórias favoritas. Por isso, por um lado, queria muito ver o remake, mas, por outro, estava bastante apreensiva. Acho que vou adiar mais um pouquinho, tendo em conta a opinião :/

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    1. Se realmente gostas da história, acho que podes ver. Não tens nada a perder... 😜

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