quarta-feira, 13 de novembro de 2019

"A Flor da Felicidade" em análise

Este é um daqueles casos que deviam ir diretamente para aquela lista de filmes sobre os quais não devemos saber nada antes de ir ver, só que, infelizmente, o nome em português traz logo algumas ideias: A Flor da Felicidade. No original chama-se Little Joe, o que, a meu ver, nos deixa com várias questões – por exemplo, quem é o Joe? Ora, esta é a nova longa-metragem de Jessica Hausner e vai ter a sua antestreia nesta edição do Lisbon and Sintra Film Festival, onde a realizadora estará presente nas sessões de sábado, dia 16 de Novembro, no Centro Cultural Olga de Cadaval (às 15:00h) e no Espaço Nimas (às 19:30h).


A trama apresenta-nos Alice que, sem querer revelar muito, trabalha num laboratório onde se fabricam plantas de novas espécies. Só que a protagonista infringe algumas políticas da empresa, o que leva a um resultado bastante distinto daquele que esta pretendia, mostrando logo que a felicidade também é um negócio. 

O filme tem lugar em espaços minimalistas e luminosos. As sequências nas estufas são muito claras, mas há sempre elementos contrastantes; nesse caso, temos a flor, que é num tom avermelhado, a acentuar-se num cenário completamente branco e verde claro. Na verdade, os contrastes começam logo na protagonista: seja pelo seu cabelo ruivo ou pelas suas roupas coloridas que marcam presença em todos os cenários, por muito minimalistas que sejam. É notável que há uma direção de fotografia muito inteligente, que acentua as cores ou a falta delas, dependendo das emoções que cada cena pretende transmitir. 


A construção das personagens é feita lentamente, de modo a aumentar o suspense do verdadeiro objetivo do filme. Neste sentido, é interessante notar no background dos protagonistas e entender os seus medos à medida que a narrativa vai avançando. As relações interpessoais assumem um papel fundamental, mas há sempre um receio de que estas sejam quebradas. 

Little Joe traz uma banda sonora que a determinados momentos consegue ser arrepiante. Traz alguns ritmos exóticos, que se relacionam claramente com a criação da flor, mas rapidamente soam a algo mais; temos sons de maracas, sons ásperos e arrastados, flautas e algo que parecem ser cães a ladrar. É caótico. É uma grande mixórdia, que vai para além da nossa compreensão, mas que nos leva a apurar os sentidos ao máximo, até porque em determinados momentos esta consegue surpreender quando menos estamos à espera, levando a alguns momentos de tensão. 


Não sabia minimamente o que esperar deste filme, mas o resultado foi para mim uma agradável surpresa. É um filme muito fresco, não só pela sua visualidade, mas também por trazer uma história que soa a novidade. O elenco liderado por Emily Beecham e Ben Whishaw também faz um excelente trabalho, especialmente nos momentos em que é necessário entregar um tom mais misterioso ao espectador. É um filme que vale a pena ver, especialmente se estiverem disponíveis para receber algo diferente.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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