sábado, 9 de novembro de 2019

"Adeus, Lenine!" (2003) e a queda do Muro de Berlim

Celebra-se hoje o trigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim, um dos acontecimentos mais importantes da História e a prova de que uma união entre povos é sempre possível, por muitas que sejam as diferenças entre eles. Foi um dia feliz e, como tal, mereceu ser levado ao grande ecrã por várias vezes. Hoje, para celebrar, falamos sobre Adeus, Lenine! (2003), um filme que, ainda que não apresente diretamente a Queda do Muro, apresenta todas as mudanças que daí derivaram. 


A premissa dá-se num tom cómico, mas ao mesmo tempo dramático. Acompanhamos uma família, em meados de 1989, vésperas da queda do Muro. Alex Kerner vai a uma manifestação e depois fica a saber que a sua mãe, fiel apoiante do Partido Comunista, teve um acidente e entrou em coma. Este coma dura oito meses e durante esse tempo o estado do país altera-se por completo. Só que com receio da reação da mãe, Alex e a irmã decidem mentir e fazer de conta que continuam a viver no “passado”, escondendo todas as mudanças relacionadas com o capitalismo. 

O tom cómico do filme acentua-se essencialmente na sua premissa e na tentativa de esconder todas as alterações. Alex enfrenta a difícil tarefa de manter tudo como antes, desde a decoração da casa, o vestuário e, a pior parte, os programas de televisão (que este consegue inventar com a ajuda de um amigo seu, que quer ser o próximo Stanley Kubrick) e a comida – a irmã de Alex, para mal de todos os pecados, largou os estudos para trabalhar no Burger King, o que só por si seria o suficiente para deixar a mãe em coma novamente! Esta aventura leva a momentos memoráveis, como, por exemplo, o diálogo de uma mulher que diz a Alex que “falar com a sua mãe é tão bom. Faz-nos sentir como se vivêssemos no passado”. Porém, o filme aborda temas realmente sérios, não só relativamente à situação do país que é apresentada, mas também no que toca à relação entre familiares, o que dá um tom dramático que se sobressai quase tanto quanto a sua comédia. 


O realizador Wolfgang Becker apresenta um argumento sólido e inteligente. Ao apresentar esta situação absurda de uma mulher que entrou em coma num momento de mudança cujo filho tenta esconder para que esta não sofra, Becker foi capaz de apresentar uma comparação e um comentário político, apresentando os “podres” tanto do ponto de vista comunista como do capitalista. 

A banda sonora do filme, composta por Yann Tiersen, é, certamente, também um dos grandes destaques deste filme. O compositor, que é acima de tudo reconhecido pelo seu trabalho em O Fabuloso Destino de Amélie (2001), apresenta aqui melodias que transmitem mais do que mil palavras, sendo por várias vezes apresentadas em momentos de pleno silêncio onde acompanham os olhares das personagens. Na verdade, e por falar é Amélie, é de referir que um dos temas desse filme também faz parte da banda sonora de Adeus, Lenine!; Comptine d'un autre été: L'après-midi faz-se ouvir num dos momentos de maior comunicação e felicidade entre a família. 


Este é um filme que se dá numa maneira fluída. É ideal para os historiadores, mas também para quem não sabe nada acerca do momento histórico apresentado, até porque a relação entre a família protagonista até acaba por ser talvez o mais interessante. É fascinante ver o modo como o elenco, composto por Daniel Brühl, Katrin Sass e Maria Simon, interage entre si. É um filme que recomendo, pelos vários fatores que aqui referi. Vale muito a pena!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. Um muro que nunca teria sido construído. Se os homens em vez de fabricarem armas para sem matarem uns aos outros. Soubesse com inteligência dialogar entre si. Respeitando as fronteiras entre países. Mas, podendo os cidadãos de uns e outros países circularem livremente!

    Bom fim de semana joana Grilo.

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  2. Tenho que o acrescentar à minha [interminável] lista!

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    1. Este é mesmo uma daquelas recomendações essenciais... 😛

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