terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Até à Morte" em análise

Chega esta quinta-feira, dia 21 de Novembro, aos cinemas um western da autoria de Ivan Kavanagh, que é protagonizado por Emile Hirsch e John Cusack. O filme leva-nos para a pequena e pacata cidade de Garlow, no ano de 1849, em plena Febre de Ouro, e acompanha um coveiro chamado Patrick Tate  (Hirsch), que apenas procura viver em paz com a sua família. Só que determinado dia, o fora-de-lei Dutch Albert (Cusack) chega para impor o caos na vila, o que faz com que o negócio de Patrick comece a florescer, levando as pessoas a crer que estes agora são cúmplices. No entanto, com o aumento das mortes, Patrick percebe que tem de agir para proteger a sua família. 


Até à Morte começa com uma sequência intensa que, percebemos depois, é o final, mas rapidamente recuamos na história e somos levados até ao momento em que o tal Dutch Albert chegou à cidade, mas não sem antes termos uma breve apresentação do protagonista Patrick Tate e da sua família. Infelizmente, esta introdução é muito breve, o que faz com que em determinados momentos fulcrais não sejamos capazes de sentir a empatia requerida pelas personagens, fazendo com que não nos sintamos suficientemente preocupados com os seus destinos. 

A narrativa é fluída, especialmente a partir do momento em que chega Dutch, que é uma das personagens mais interessantes do filme. Este é um bom desempenho por parte de John Cusack, que apresenta um antagonista que sabemos ser mau, mas que continua a ser humano e alcançável, invés de alguém que fica realmente num local em que é inatingível. Os diálogos entre este e o protagonista interpretado por Emile Hirsch tornam-se interessantes pelo modo como ambos reagem, com um certo esgar e desinteresse interpessoal: ambos interessam-se somente nos seus objetivos, especialmente Tate que quer sustentar a sua família ao máximo. 


Emile Hirsch, que em menos de um mês chega agora pela segunda vez aos cinemas nacionais (depois de Freaks), também entrega uma boa prestação neste papel de homem de família. Só que, lá está, para além dele não temos muito background relacionado com os seus filhos e mulher, interpretada por Déborah François (que relembra um pouco o papel de Rosamund Pike no filme Hostis, mas com menos garra). 

Em termos de cinematografia, temos alguns momentos muito interessantes em que a direção de fotografia merece ser destacada. As sequências de paisagens ao amanhecer e anoitecer, que jogam com as tonalidades azuladas e alaranjadas são de uma verdadeira beleza contrastante e muito outonal. A sequência do incêndio, por exemplo, por muito crua que seja tem uma visualidade muito especial. 


Apesar de não trazer uma história propriamente original, na verdade este é um drama com traços de western que é bem-vindo, especialmente tendo em conta que este ano tivemos poucos filmes deste género até ao momento. Tem boas prestações por parte dos protagonistas, um argumento coerente e uma cinematografia bem pensada. Vale a pena ver, se forem fãs deste estilo de filmes.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

8 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar, mas parece interessante! :)
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  2. Nunca tinha ouvido falar, obrigada pela partilha. Mais uma excelente crítica!

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  3. Gosto do género (western).
    E já há muitos anos que não é realizada uma bom western.
    Estou curioso.

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    1. Este é bom. Talvez não seja propriamente novidade, mas tem alguns momentos muito interessantes.

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  4. Excelente crítica, parabéns. Um western não convencional que vive sobretudo da excelente performance de John Cusack (gostei muito da malvadez de Dutch Albert), nem tanto da de Emile Hirsch algo apagado. Gostei da plasticidade do filme (muito "noturno") e da banda sonora irlandesa. As cenas do incêndio e do enforcamento são suficientemente dramáticas para dar ao filme um realismo adequado. Uma boa surpresa.

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