domingo, 10 de novembro de 2019

"Exterminador Implacável: Destino Sombrio" em análise

Se há um franchise que podemos dizer que tem sobrevivido ao passar dos tempos é o de Exterminador Implacável. De facto, começámos com dois filmes que são verdadeiros clássicos e depois passámos para um mais morno, que foi seguido de dois que foram breves fracassos. No entanto, ainda há ali uma certa alma pronta a ser explorada e a mais recente adição Exterminador Implacável: Destino Sombrio, realizado por Tim Miller (o realizador de Deadpool), é a plena prova disso. 


O filme situa-se vinte e cinco anos depois dos acontecimentos de Exterminador Implacável: O Dia do Julgamento (1991), pelo que pode ser considerado uma sequela direta. A trama desenvolve-se ao redor de uma jovem rapariga com ascendência mexicana, Dani, que a determinado dia vê a sua vida dar uma volta completa quando começa a ser perseguida por alguém que a quer matar. Mas no exato momento em que o “assassino” aparece, também Grace, uma rapariga humana que foi aperfeiçoada e enviada do futuro com o objetivo de a proteger, entra em ação e evita que Dani seja morta pelo exterminador. Por muito habilidosa que Grace seja, a verdade é que sozinha não consegue proteger Dani. É, então, que temos o regresso da famosa Sarah Connor, que, depois de ter conseguido alterar o futuro e ter protegido a população, dedicou-se a matar exterminadores. As três mulheres seguem assim um caminho que apenas as conduz a inevitáveis confrontos, incluindo um que Sarah esperava ter há anos. 

Exterminador Implacável: Destino Sombrio tem como maior destaque o regresso da “santíssima trindade” original: Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger e ainda James Cameron, o criador do franchise que assume o papel de produtor e também de escritor do argumento. A presença destes três influencia por completo o resultado do filme, pois é inevitável sentirmos de volta os sentimentos que tínhamos em relação aos dois primeiros filmes. Uma nostalgia pura que muitos não sentiram com os outros três filmes anteriores. 


A trama gira muito à volta das três protagonistas femininas, que desempenham diversas gerações. Dani, interpretada por Natalie Reyes, parece ser a personagem que menos estava preparada para o que está a testemunhar. No entanto, a determinado momento o argumento traz alguns plot twists que a favorecem e entregam novos modos de olhar para ela. Sarah Connor regressa em grande força. Ainda que os anos passados por Linda Hamilton sejam claramente visíveis, a personagem continua tão icónica quanto antes. Por sua vez, Mackenzie Davis (a eterna Yorkie do melhor episódio de sempre de Black Mirror, San Junipero) é quem mais surpreende no papel de Grace, a tal humana que foi aperfeiçoada. Todas as suas sequências são extremamente dinâmicas e repletas de garra, o que contribui para uma maior fluidez da narrativa. 

Infelizmente, ainda que coerente, senti por vários momentos que a história andava às voltas. O vilão, se assim lhe podemos chamar, é fraco e não traz nada de novo. Infelizmente, a consequência das suas aparições é que durante vários momentos do filme apenas temos as três protagonistas a fugir, pois ainda não tinham a capacidade de o derrotar (tendo em conta a sua capacidade de restauro, pois é uma máquina quase imortal). Neste sentido, lamento que não tenha havido uma maior construção do vilão, pois assim é apenas algo que já tínhamos visto, tal e qual, no franchise, só que desta vez completamente sem carisma. 


No geral, considero que este filme trouxe de volta o espírito do franchise. Não é perfeito, mas tem sequências realmente bem conseguidas e um elenco que consegue surpreender ao máximo. É o encerramento de um capítulo que estava em falta.

7/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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