domingo, 17 de novembro de 2019

"Klaus" em análise

O Natal chegou cedo este ano com o novo filme de animação da Netflix (lançado na passada sexta-feira, 15 de Novembro), Klaus. Realizado por Sergio Pablos, tudo parte da simples premissa de que um simples ato de sincera generosidade pode desencadear outro. Será este um daqueles filmes de época que vão ficar na nossa memória? 


A trama leva-nos para a suja e escura aldeia de Smeerensburg, onde o recentemente chegado novo carteiro, Jesper, vê no fabricante de brinquedos, Klaus, a sua única chance de voltar para a sua cómoda casa, bastante longe daquele lugar para onde foi enviado pelo seu pai. O carteiro tem uma tarefa simples: cobrar às crianças os envios das cartas que estas enviam para receber brinquedos em troca. Só que, e seguindo a premissa, a determinado momento aquela aldeia começa a ganhar cor… 

Para começar, é interessante pensar nos contrastes deste filme, quando comparamos as primeiras imagens da aldeia com as sequências finais. Quase que podemos definir apenas duas paletes de cores: no início temos cores frias (azulados, cinzentos), mas escuras; no final temos cores quentes (alaranjados, amarelados) e claras. Através da cor, temos os sentimentos de tristeza, solidão e também os de alegria, confiança. Temos a morte e a vida; se no início, os habitantes da aldeia apenas só pensavam em “matar”, mais para o final já começamos a ver que estes passaram a dar uma maior importância às suas vidas. 


Estas ideias até podem não soar a novidade. Na verdade, até soa um pouco a Grinch, com um toque de A Família Addams, caso as histórias fossem no Natal. O que torna isto fresco é o facto de a trama ir buscar um simples carteiro e a partir dos seus planos começar a apresentar as mudanças. É-nos entregue uma narrativa muito coerente, com momentos divertidos e bem pensados. Se por um lado temos esse bom humor, é também de notar que o filme acaba por nos levar a refletir acerca da nossa zona de conforto e, acima de tudo, no modo como tratamos os outros. 

As personagens foram, a meu ver, muito bem criadas e, principalmente, bem apresentadas. Começamos por ter uma breve introdução do “passado” (podemos dizer assim, mas, na verdade, é numa pré-mudança) de todos eles. O caso mais curioso é o de Alva, uma rapariga professora que também se mudou para Smeerensburg em busca de uma vida melhor e que acabou por se dedicar à venda de peixe (pela descrição do cheiro, possivelmente podre), pois naquela aldeia ninguém dava importância à educação. Depois, a determinada altura, também isso se altera e as mudanças são, obviamente, para além de positivas. 


Não estava à espera de me cruzar tão cedo com um filme de Natal tão agradável quanto este. Admito que me surpreendeu bastante e que em alguns momentos até foi capaz de me emocionar. Acredito que poderá vir a ser considerado, num futuro próximo, um daqueles bons clássicos que gostamos de rever na época natalícia, assim como o The Polar Express, por exemplo.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

6 comentários: