quinta-feira, 28 de novembro de 2019

"Mulher em Guerra" em análise

Em semana de greve estudantil pelo clima, chega aos cinemas o filme islandês Mulher em Guerra, realizado por Benedikt Erlingsson, que se apresenta como mais um alerta de que é necessária uma mudança urgente para evitar a morte da nossa “casa”. Temas sérios, como um absoluto desinteresse por parte de quem está no Poder, são aqui abordados em formato de comédia trágica.


A trama apresenta-nos uma mulher, Halla, que age sozinha em nome do planeta. Nos primeiros minutos vemo-la a destruir cabos de eletricidade com o intuito de parar o funcionamento de uma fábrica, por exemplo. Ninguém sabe quem ela é, mas as suas ações tornam-se reconhecidas em todo o lado. Esta aparece como alguém que se sente responsável, pois, nas suas palavras, “somos a última geração que pode inverter o colapso climático, somos os responsáveis pela preservação deste planeta que poderá não ver nascer os nossos netos”.

Para além de sermos apresentados a este objetivo da protagonista logo no início, também ficamos a conhecer melhor a sua vida pessoal e o que de resto a cativa, como, por exemplo, a vontade de adotar uma menina ucraniana chamada Nika. Isto entra em conflito com a sua necessidade de agir individualmente e “escapar” à autoridade que começa, cada vez mais, a suspeitar dela. É preciso optar entre “salvar” o futuro e concretizar um desejo do passado.


A protagonista parece, muitas vezes, carregar o filme às contas. A sua personalidade foi espelhada ao mais ínfimo pormenor e todas as suas ações soam naturais, mas ponderadas. A interpretação por parte da atriz Halldóra Geirharðsdóttir, que a determinado momento desempenha duas personagens, está soberba.

Um dos aspetos mais interessantes de Mulher em Guerra é a banda sonora, que vai soando através de uma espécie de banda fantasma, quase uma caricatura, que se apresenta em cena, mas que, na maioria, parece não ser notada pelas restantes personagens. Os ritmos são trapalhões, pitorescos, rurais e, mais para o final, começam a ser tradicionais, com os músicos vestidos a rigor tendo em conta o país da localização. Muitas vezes é inusitada, mas aumenta sempre a dinâmica da narrativa. 


Este é um filme que reconhece a necessidade de agir. Num momento em que todos os holofotes se viram para os discursos de Greta Thunberg, aqui temos alguém que poderia ser um ouvinte da jovem ativista e que decidiu entrar em ação. A protagonista é uma mulher muito forte e racional, que cria estratégias para chamar à atenção de quem pode fazer mudanças maiores. O tema da crise climática é explorado com uma esperança luminosa. Fica aqui provado que simples atos individuais são capazes de fazer a diferença. É um filme obrigatório neste momento e o melhor chega no final, que é capaz de nos encher o coração e depois levá-lo a desfazer-se.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários: