segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O 15º aniversário de "Snake Eater"

Há muito tempo, a Konami era louvada por muitos como uma das maiores criadoras de jogos. Fazendo sucessos atrás de sucessos, muitos eram distinguidos principalmente pelo seu trabalho e originalidade. E muitos desses trabalhos, desde 1998 até 2015, tinham quase sempre um nome a eles associado que chamava a atenção da maior parte da comunidade gamer. Esse nome era o de Hideo Kojima. Isto devido ao facto de ele nas capas dos próprios jogos colocar o seu próprio nome à frente de cada título, algo nada habitual na indústria, onde o nome da simples criadora do jogo na capa era suficiente para conseguir vender o jogo. Assim dizendo, Kojima já tinha feito um nome de si mesmo na indústria dos jogos, e muitos, ainda hoje, o louvam como uma espécie de Messias dos mesmos, graças às inovações que ele foi criando, levando os seus jogos sempre um passo à frente e levando as consolas ao limite da sua funcionalidade.


Finalmente, este ano Kojima lançou com a sua produtora independente o jogo que tem “dividido” a crítica (mas que não deixa ninguém indiferente), Death Stranding, sendo já este aclamado como revolucionário, pois não existe nada como este no mundo dos jogos. Como ainda estou a jogá-lo, não posso dizer ainda nada em relação a isso por enquanto, mas, este ano também se celebra o 15° aniversário de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, jogo que Kojima, na altura, tinha considerado como o último da série (até a Konami ter pedido mais e mais). E, como esse sim eu já passei e refleti durante umas longas horas sobre o que joguei, acho que vale a pena falar um bocado sobre ele, mesmo que todo o lucro que lhe irei dar já lhe foi atribuído há bastante tempo.

Metal Gear Solid 3, apesar de ter uma continuação numérica, é, de facto, uma prequela à série, “introduzindo-nos” a personagem de Naked Snake, o primeiro da linhagem, e ainda um bocado novato no que diz respeito às técnicas de espionagem e stealth. Este vê-se metido numa situação um bocado complicada mal o jogo começa, onde este também passa de um Rookie bastante desinteressado e confiante a alguém que, no fim, já não sabe para quem mais se deve virar, ou em quem confiar. Este, então, irá lutar contra cada uma das suas emoções e defeitos personificados, de maneira a conseguir ultrapassá-los e tornar-se no homem que, no fim, iniciou o seu legado como Big Boss. Não entrarei, obviamente, em grandes detalhes no que diz respeito à história, pois o próprio Kojima é uma espécie de mestre em manter todo o suspense e interesse nas suas narrativas pelo simples facto de nunca demonstrar demasiado das mesmas, especialmente nos trailers que ele próprio edita. Mas este capítulo tem, de facto, muitos dos momentos mais icónicos da série. Sejam eles uma simples luta entre um gato e um rato de snipers, ou uma simples descida mental ao inferno pessoal. O jogo deixará, definitivamente, a sua marca no jogador. Para aqueles que apreciam cinema, já agora, irão gostar imenso de conversar no CODEC com Para Medic.


Ao contrário dos jogos anteriores da franquia, este toma uma rota mais primitiva: o setting é num “mundo” mais vasto, aberto, onde há mais hipóteses e maneiras de nos escondermos dos inimigos, tal como mais maneiras de os passarmos sem ser vistos - isto se a pessoa quiser abordar a 100% a mecânica de stealth no jogo. É agora passado, principalmente, numa selva, onde o próprio jogador tem de arranjar maneira de sobreviver, seja procurando ou poupando Rations, ou comendo, literalmente, cobras ou outros animais que se vão encontrando na fauna, de forma a manter a resistência e vida. E isso é só uma das várias coisas manhosas que o Kojima decidiu colocar no jogo, há muitas outras que os jogadores vão conseguir descobrir a medida que o vão passando e desvendando. Claro que, nesta era da internet, muitas dessas manhas já foram exploradas e demonstradas em vários vídeos no YouTube ou outras plataformas, mas se o jogador for alguém que não está nada a par do jogo e conseguiu evitar ver pequenos exemplos ou menções de coisas inesperadas, terá muitos momentos em que ficará espantado.

Tendo saído há quinze anos, o jogo continua tecnicamente brilhante e lindo de se ver. Claro que continua a ser um jogo da PS2, com vários cubos e defeitos de animação, ou até uma dobragem que nem coincide sempre com as bocas das personagens, mas, mesmo na altura, a qualidade visual do jogo era revolucionária, e era algo que o Kojima ambicionava sempre: utilizar ao máximo as capacidades do sistema. Pode-se até dizer que o antecessor, o Metal Gear Solid 2, não passou apenas de uma experiência para este conseguir evoluir e aperfeiçoar o seu trabalho com a sequela. Claro que há coisas que um jogador casual dos tempos modernos não irá apreciar, como a câmara do jogo, mas é algo que a pessoa se vai habituando aos poucos. Eu que o diga, passei-o por completo na 3DS e foi um verdadeiro desafio. A banda sonora aqui também faz um excelente trabalho de captar seja a fauna como as emoções das personagens. Esta até costuma aparecer em momentos mais silenciosos tornando-os mais intensos e/ou refletivos, algo que se agradece imenso. É mais uma OST incrível de Harry Gregson Williams, e o tema James Bondiano é apenas a cereja no topo do bolo.


Para um jogo já com quinze anos, este ainda se aguenta muito bem. Algo que não me espanta nada, visto que até o original de 1998 também se aguenta e ainda gosto de fazer uma maratona de vez em quando para o passar de uma vez. MGS3 não é exceção nenhuma. Eu acabei este jogo no primeiro quarto do ano, e posso admitir que foi uma experiência desigual que me deixou a refletir muitas horas depois dos créditos já terem terminado. Posso ter começado a seguir a carreira do Kojima “recentemente” – tendo esta começado, por acaso, no mesmo dia em que esta comédia romântica começou – e é algo de que eu, certamente, não me arrependo. São este tipo de jogos que fazem a diferença e devem ser jogados. Não são apenas mindless fun que as pessoas atualmente procuram, apenas para passar o tempo. São obras que pedem tempo e dedicação do próprio, puxando o jogador aos limites. Quinze anos depois, Snake Eater continua a ser uma obra prima, e, vinte anos depois, Metal Gear Solid prova que ainda é como mais nenhuma série que aí anda, contendo ainda bastante relevância nos dias de hoje.
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Por acaso, destes clássicos sempre fui mais fã de, por exemplo, Silent Hill do que propriamente de Metal Gear, mas dou valor ao Hideo Kojima por estar sempre um passo à frente. Ainda não comecei a jogar o Death Stranding, mas já está cá em casa à espera de tempo para ser jogado.

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    1. Eu já vou em 8/9 horas de jogo no Death Stranding. Por mais que digam que é um jogo aborrecido,não encontro nada disso. Já passei imenso tempo a andar para saber muito bem que o jogo é tudo menos aborrecido. É intrigante e suspenso, deixa-te a antecipar sempre algo, e, enquanto não surge esse algo, consegues refletir no que te rodeia. Não direi muito mais que isto, deixar-te-ei experienciar o jogo por completo assim que o começares a jogar!

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  2. O universo dos jogos sempre me passou totalmente ao lado, confesso.

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    1. Há jogos que vale a pena não deixarem passar ao lado! 😉

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