segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Destaques da programação do LEFFEST 2019

Começa já na próxima sexta-feira, dia 15 de Novembro, mais uma edição do LEFFEST (Lisbon and Sintra Film Festival), que este ano, depois do encerramento do espaço em que tomava lugar (o Monumental), vai dividir-se pelo Espaço Nimas e pelo Centro Cultural Olga de Cadaval, em Sintra. São várias as sessões de estreia e muitas delas vão trazer conversas com os atores protagonistas e com os realizadores. Aqui ficam os nossos destaques da programação deste ano!


Todos os anos, o festival traz duas secções distintas de filmes exibidos: os que estão em competição e os que não estão. Hoje daremos mais destaque aos filmes que estão em competição. “O objetivo desta secção é descobrir filmes de grande qualidade de jovens realizadores de todas as partes do globo”; essa diversidade é bastante notável nas escolhas deste ano e o júri, composto pela atriz Victoria Guerra, a pianista Maria João Pires, a cantora e compositora Yasmine Hamdan e o realizador Wagner Moura, não vai enfrentar uma tarefa fácil.

Por ordem alfabética, começamos com o filme francês A Criança Zombie de Bertrand Bonello, que estará presente no festival. De acordo com a sinopse, a trama leva-nos para o Haiti, no ano de 1962. “Um homem regressa dos mortos para trabalhar no mundo impiedoso das plantações de cana de açúcar. Cinquenta e cinco anos depois, uma jovem rapariga de ascendência haitiana confidencia aos seus colegas um segredo de família, inconsciente das graves consequências deste ato. Uma história de terror contemporânea, baseada na realidade muito concreta do colonialismo francês no Haiti, a sua narrativa espoleta uma reflexão sobre racismo, imperialismo e memória cultural”. 


O segundo filme intitula-se A Flor da Felicidade (ou no nome original Little Joe) e é o novo da realizadora Jessica Hausner, que também marcará presença. Este é um filme peculiar. Somos apresentados a Alice, uma mãe solteira, que é criadora de plantas numa empresa que se dedica ao desenvolvimento de novas espécies. Infringindo a política da empresa, certo dia decide levar uma dessas plantas para casa e oferece-a ao seu filho adolescente, Joe. Este é um psico-thriller futurista, com uma pitada de sci-fi, que leva a nossa mente a questionar-se várias vezes ao longo da narrativa. 

Atlantis, de Valentyn Vasyanovych (mais um realizador com conversa marcada no final da exibição do filme), leva-nos para um futuro próximo, na Ucrânia oriental. “Sergey, um ex-soldado que sofre de perturbação de stress pós-traumático, não consegue adaptar-se com facilidade à sua nova realidade: uma vida em pedaços, uma terra em ruínas. Quando a fundição em que trabalha fecha, ele encontra uma inesperada ocupação, juntando-se à missão voluntária Black Tulip dedicada a exumar cadáveres. Ao trabalhar em conjunto com Katya, apercebe-se de que é possível um futuro melhor. Será ele capaz de viver sem guerra e de se aceitar a si próprio como é?”. 


O filme chinês Baloon, do realizador Pema Tseden, leva-nos para o Tibete rural, onde “Darje e Drolkar vivem uma vida simples e serena com os seus três filhos e o avô, quando uma situação embaraçosa provoca uma série de dilemas, e quebra a harmonia da família. O que realmente importa no círculo da vida e da morte: a alma ou a realidade material?”. 

Fête de Famille, mais um filme francês, traz a presença do realizador Cédric Kahn. A trama leva-nos para o seio de uma família, que se reúne num dia de Verão para celebrar o septuagésimo aniversário da mãe. “Mas esta ainda não sabe que a chegada «surpresa» da sua filha mais velha, Claire, que esteve desaparecida durante três anos e chega decidida a reaver tudo o que lhe pertence, irá perturbar o programa e desencadear uma tempestade familiar”. 


Giants Being Lonely de Grear Patterson propõe uma reflexão: “Que acontecimento é este que ocorre na adolescência e transforma o percurso de toda e qualquer vida?”. “Na zona semi-rural de Hillsborough, Carolina do Norte, os finalistas Adam, Bobby e Caroline atravessam o último ano da escola secundária enfrentando diversos desafios, relacionados com o sexo, a solidão, a morte e o basebol. Uma história sobre o fim da adolescência, contada por quem sobreviveu”. 

O Que Arde é o filme espanhol em competição, realizado por Oliver Laxe, que estará nas sessões. “Amador Coro foi condenado por ter provocado um incêndio. Anos mais tarde, ao sair da prisão, descobre que ninguém o aguarda. Regressa assim à sua terra natal, uma pequena aldeia escondida nas montanhas da Galiza rural, para viver com a sua mãe, Benedicta, e as suas três vacas. Os dias decorrem serenamente, seguindo o ritmo da natureza. Até que certa noite um incêndio começa a devastar a região”. 


Patrick, o filme português que também é uma produção alemã, realizado por Gonçalo Waddington (é a sua primeira longa-metragem), apresenta-nos a Mário, que é menino de oito anos, que foi raptado no interior de Portugal na primavera de 1999 e que reaparece doze anos depois, numa prisão em Paris. “Neste período em que esteve desaparecido escondeu um terrível segredo que poderá explicar a complexidade desta misteriosa personagem”. 

The Criminal Man de Dmitry Mamuliya é uma produção da Rússia e da Geórgia. “A vida pacata de Giorgio Meskhi, um jovem engenheiro de uma cidade industrial, fica virada do avesso quando este acidentalmente testemunha o homicídio de um famoso guarda-redes. Absorto em tudo o que se relaciona com o crime, Meskhi estuda rostos de criminosos, tentando resolver o mistério, parecendo obcecado com muito mais do que aquilo a que assistiu. Esta é a história do nascimento de um assassino”. 


Tommaso, protagonizado por Willem Dafoe e realizado por Abel Ferrara, é um dos maiores destaques desta secção de competição. “Em contracena com as próprias esposa e filha do realizador, Willem Dafoe é um artista americano a viver em Roma cujas manifestas semelhanças com Ferrara se traduzem num drama sobre dúvida e desconexão, filmado num estilo documental auto-reflexivo. Oscilando entre estados de alegria e cólera, o quotidiano de Tommaso envolve-nos num turbilhão emocional que dificulta uma resposta à derradeira questão: a quem ofereceremos a nossa compaixão?”. As sessões contarão com a presença de Abel Ferrara e também de Willem Dafoe. 

O último filme desta lista chama-se Violeta e chega diretamente da Rússia, mas leva-nos imediatamente para Leninegrado em 1945. “A segunda guerra mundial devastou a cidade, deixando um rasto de destruição manifesta em edifícios demolidos e gentes arrasadas, tanto física como psicologicamente. Um dos cercos mais destrutivos da história moderna acaba de terminar, e os vivos devem reaprender a viver. O filme acompanha o percurso de duas jovens mulheres que, no meio das ruínas onde tentam reconstruir as suas vidas, procuram um novo sentido e esperança”. Realizado por Kantemir Balagov. 


Já na secção fora de competição, destacamos as estreias O Farol e Uma Vida Escondida. O Farol é o mais recente filme protagonizado por Willem Dafoe (que, como já referi, é um dos convidados desta edição) e Robert Pattinson. Bastante aclamado pela crítica lá fora, é a segunda longa-metragem de Robert Eggers. “O Farol é um drama empolgante e turbulento. O filme passa-se numa ilha rochosa, na década de 1890, onde um velho marinheiro, interpretado por Willem Dafoe, se encarrega do serviço de um farol durante quatro semanas, auxiliado pelo seu novo assistente, interpretado por Robert Pattinson, que vai ficando cada vez mais curioso em descobrir o que se passa dentro do farol”. Por sua vez Uma Vida Escondida é o novo filme de Terrence Mallick. “Inspirado em eventos reais, A Hidden Life conta a história de um herói anónimo, Franz Jägerstätter, que se recusou a lutar pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Quando o camponês austríaco é confrontado com a ameaça de ser executado por traição, serão a sua fé inabalável e o seu amor pela sua esposa Fanni e pelos seus filhos que manterão vivo o seu espírito”. 

Em destaque está também o Simpósio Internacional Resistências, que decorrerá de dia 15 a 17. O simpósio terá curadoria de Juan Branco, e trará a Portugal ativistas, políticos e criadores que, pelo mundo, resistem e lutam contra os vários tipos de opressão. Além de vários debates, o programa contará com a exibição dos filmes da Selecção Oficial Fora de Competição Comportem-se Como Adultos de Costa-Gavras e Passámos Por Cá de Ken Loach, bem como as projeções especiais de Marighella de Wagner Moura e Joker de Todd Phillips. Contará ainda com outros debates, reunindo convidados como Luigi de Magistris, Presidente da Câmara de Nápoles, Chen Guangcheng, o mais importante dissidente chinês, Richard Stallman, fundador e ativista do movimento de software livre, ou a ativista e pensadora feminista Minna Salami, entre muitos outros. 


Podem consultar a programação completa (horários e convidados) do Lisbon and Sintra Film Festival 2019 clicando aqui ou visitando o site do evento - leffest.com!
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. Acho que nunca tinha ouvido falar deste Festival, confesso, mas parece-me ter sugestões interessantes!

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    1. É sempre aqui em Lisboa. Infelizmente, ainda não chegou a outros cantos do país...

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  2. Respostas
    1. É um festival muito interessante e conta, quase sempre, com excelentes escolhas e bons convidados!

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