quinta-feira, 7 de novembro de 2019

"Quem Brinca com o Fogo" em análise

Geralmente, o resultado de brincar com fogo é uma queimadura grave. Ainda que as expectativas fossem praticamente inexistentes, pensei logo que esse poderia vir a ser o problema com o novo filme de Andy Flickman, Quem Brinca com o Fogo, que vende a presença de John Cena e Keegan-Michael Key como principal destaque. 


Com argumento de Dan Ewen e Matt Lieberman, o filme acompanha um grupo de quatro bombeiros que encontram três crianças (vá, uma delas é mais adolescente) presas numa cabana a arder. É depois do salvamento que os bombeiros são obrigados a dar refúgio ao grupo de menores até que alguém os vá buscar. Só que o ambiente ali vivido acaba por ser mais tenso do que o combate às chamas, pois as crianças são tão rebeldes que os bombeiros são incapazes de ter controlo no que estão a fazer e a determinada altura torna-se evidente que ninguém as vai buscar. 

Bem, admito que ao início estava a ter uma certa dificuldade em adaptar-me à narrativa extremamente fluída que não perde uma única oportunidade de tentar apresentar um certo grau de humor, até porque os grandes planos iniciais pretendem transmitir ao máximo uma ideia de heroísmo, pelo que tudo parece ser exagerado, desde as sequências em câmara lenta à banda sonora dinâmica em ritmo pop. Passados alguns minutos, começa a apanhar-se o ritmo e, na verdade, este filme apresenta planos tão simples que mais parece que estamos a ver sketches no Youtube do que propriamente um filme no grande ecrã. 


A certa altura, porém, o filme traz algumas mudanças: começamos a perder um pouco da comédia (só um pouco) e passamos a receber alguma carga sentimental. É quando entramos nesta fase que parece que algumas sequências são repetitivas. Inevitavelmente dei por mim a olhar para o relógio, ainda que o filme só tenha cerca de 90 minutos. Ainda assim, parece-me que este lado mais emotivo é fundamental na construção da história, pois sem isso a trama estaria completamente vazia, só que se prolonga um pouco demais. 

Outro problema é o facto de termos personagens que também pouco acrescentam à narrativa. A Dra. Amy Hicks (interpretada por Judy Greer) tem uma certa graça, especialmente sendo uma mulher bióloga sempre pronta a quebrar preconceitos, mas falta-lhe uma certa profundidade de modo a ter uma maior relevância, deixando de ser apenas um interesse amoroso. 


O mais curioso deste filme é que os atores pouco precisam de representar. Isto vai diretamente para John Cena e Keegan-Michael Key, que se limitam a ser eles mesmos. A melhor parte é que resulta! Resulta porque tudo soa natural, apesar de ser tudo inusitado. O facto de serem eles mesmos torna-se cómico e enquanto dupla protagonista funcionam bem. A relação destes com o restante elenco também não falha e parecem tornar-se todos numa grande família. 

Claro que este Quem Brinca com o Fogo está repleto de piadas infantis (sobre cocó, por exemplo), como seria de esperar de um filme produzido pelo Nickelodeon. Está longe de vir a ser considerado uma grande referência no seu género, mas consegue entreter e até pode ser visto em família. Tem momentos engraçados e feitos de um modo inteligente. Em contrapartida, tem outras sequências que parecem repetir-se demasiadas vezes, mas, felizmente, o elenco consegue fazer-nos esquecer um pouco isso.

5/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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