segunda-feira, 4 de novembro de 2019

"The King" em análise

Chegou na passada sexta-feira, dia 1 de Novembro, à plataforma Netflix o mais recente filme de David Michôd, The King, um drama histórico protagonizado por Timothée Chalamet, que se junta a um elenco composto por Robert Pattinson, Sean Harris, Lily-Rose Depp e Joel Edgerton. 


A trama inicia-se em vésperas da morte do rei, o pai de Hal, o que faz com que este seja coroado rei Henrique V, recebendo, assim, a missão de comandar Inglaterra em plena Guerra dos Cem Anos. Mas Hal é um jovem rebelde, que parece não saber muito bem como governar. Pelo menos até começar a sentir-se ameaçado pelos Franceses, deparando-se com um ambiente hostil, dentro e fora dos muros do seu castelo. 

A primeira parte do filme desenvolve-se num ritmo lento que tem o objetivo de construir as personagens protagonistas, não esquecendo de apresentar o modo como estes reagem a tudo o que vai acontecendo, o que é fundamental numa narrativa que apresenta sempre apenas o ponto de vista de uma personagem, não variando entre grupos – praticamente tudo o que é apresentado acompanha o protagonista Henrique V, pelo que nunca chegamos sequer a ter uma visão do lado dos franceses (até porque é desnecessário). 


Inicialmente, percebe-se logo o excelente trabalho de direção artística e de fotografia do filme. Este é um “épico de guerra”, mas a cinematografia de algumas sequências é capaz de as tornar quase teatrais, o que é interessante visto que uma das fontes da história são as peças de Shakespeare sobre o reinado de Henrique V. Por sua vez, quando chega o momento da batalha essa teatralidade desaparece e os planos de paisagem tomam o seu lugar, sendo capazes de nos levar a sentir o mesmo que os homens combatentes quando esses mesmos campos são preenchidos pelos inimigos, dando uma sensação claustrofóbica. 

O argumento escrito por David Michôd e Joel Edgerton simplifica (num bom sentido) uma história complexa, sendo coerente e fácil de acompanhar, mesmo para quem não está muito dentro da História de Inglaterra. Novamente, o facto de apresentar apenas o ponto de vista de Henrique V dá asas a alguns momentos inusitados, que funcionam bem pelo simples facto de não sabermos o que esperar de algumas personagens, nomeadamente dos inimigos. 


A banda sonora composta por Nicholas Britell é inquietante, pois tanto transmite serenidade como, ao mesmo tempo, é capaz de trazer gritos angelicais em agonia. É assim, difícil de explicar, mas o objetivo é cumprido ao máximo, pois acentua o lado épico do filme. 

A nível de prestações, é interessante ver aqui determinados atores a entrar em géneros distintos daqueles em que costumam participar. É o caso de Timothée Chalamet e Robert Pattinson, que interpretam personagens diferentes dos seus registos mais comuns, mostrando, assim, que são atores versáteis e capazes de, literalmente, andar enterrados em lama e continuarem a entregar boas prestações. 


Admito que não estava com grandes expectativas para este filme, mas o resultado foi uma agradável surpresa. É um filme com uma história coerente, uma excelente banda sonora, direção artística soberba e ainda prestações muito bem conseguidas. Vale a pena ver, mesmo que não sejam assim muito fãs de dramas históricos.

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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