segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

"21 Pontes" em análise

Só há uma maneira de descrever corretamente 21 Pontes, o novo filme de Chadwick Boseman, produzido pelos irmãos Russo: é um bom filme… mas que devia pertencer aos anos 90. Como interpretar isto é simples. Lembram-se, nessa década, de vários filmes de ação a sair com enormes vedetas do género, seja Stallone ou Schwarzenegger, mas com argumentos ridículos e falas engraçadas, por vezes, que fazem parecer que é o Van Damme que está a fazer vários papéis ao mesmo tempo? 21 Pontes, se tivesse saído por aí no meio, seria um filme muito bom. Mas, estamos no século XXI, quase numa nova década até - numa ao qual este filme não devia pertencer.


Um dos maiores props que posso dar ao filme é o realismo que este toma em relação à sonoridade, seja quando uma porta é abatida ou uma bala é disparada. Pode parecer um bocado alto de mais ao início, mas acaba por se tornar numa mais valia para entrar dentro da ação e suspense de algumas cenas. Apesar de haver um momento ou dois em que esse realismo é atirado borda fora e fica-se a questionar o “porquê?” e “como?” algo é suposto acontecer, ou se chegou aquela conclusão tão rápido.

O filme tenta ser cru durante a maior parte da sua duração, mas isto acaba por cair água abaixo quando muitas personagens abrem a boca para dizer algo hilariante, ou, pelo menos, pela maneira como o dizem. Sim, a maioria do elenco faz um bom trabalho, especialmente Boseman e Simmons, mas até estes têm algumas falas tão inesperadas que acabam por deixar sair uma gargalhada ou duas. Acrescento ainda que, ao longo do desenvolver da trama, esta torna-se cada vez mais previsível e fácil de decifrar, algo que fica imediatamente aparente assim que uma personagem toma uma decisão completamente estúpida.

A cinematografia do filme é boa, mas nada de impressionante. Certamente, mal o filme começou, já estava a ficar farto de todas as vezes que este cortava para uma shot de paisagem da cidade, mas assim que o plot começou a surgir no filme estas desapareceram e deixaram de ser problema. Há alguns instantes em que esta se torna bastante dinâmica e ajuda no suspense de algumas cenas de conflito, mas a edição e a música também ajudam.


Para um filme de hora e meia, parecendo que tem espaço para mais, este não perde tempo em fazer acrescentos e apenas conta a história sem fugir ao principal. Mesmo com a sua curta duração, entrega alguns bons momentos, mas também tem aqueles em que tem de haver suspensão de credibilidade, ou certamente haverá algumas risadas pelo meio. É um filme mediano, mas que vale a pena ser visto. Mas revisitado? Nem por isso. E muito menos será relembrado daqui a poucos meses.

6/10 ⭐
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

2 comentários:

  1. O único filme que vi com o Chadwick Boseman foi o Black Panther. Fiquei com vontade de ver este para o ver num registo diferente. Boa semana, Diogo!

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