sábado, 14 de dezembro de 2019

"A Ovelha-Choné: O Filme" (2015) a rebobinar

Chegou na passada quinta-feira aos cinemas Ovelha Choné: O Filme - A Quinta Contra-Ataca e como aqui na Companhia Cinéfila temos uma grande admiração pelos Estúdios Aardman aguardámos por esta nova aposta com alguma expectativa. Infelizmente, o tempo livre não tem sido muito e ainda não conseguimos ir vê-lo, o que está a levar a um certo atraso na publicação da análise. No entanto, não podíamos deixar de partilhar algo relacionado e, por isso, hoje trazemos um “rebobinar” especial do primeiro filme da Ovelha mais famosa do mundo!


Depois de uma série que passou durante vários anos na televisão (entre 2007 e 2016), assim como quem não queria a coisa porque os episódios eram curtinhos e divertidos e eram transmitidos entre outras séries de maior duração, e que sempre foi bem recebida pelo público, em 2015 chegou aos cinemas A Ovelha-Choné: O Filme, que foi um sucesso instantâneo dos Estúdios Aardman, especialmente porque Shaun (o nome original do protagonista criado por Nick Park) já tinha uma grande legião de fãs.

Os estúdios, que são essencialmente reconhecidos pelas suas elaboradas técnicas de stop-motion, apresentam sempre um humor inteligente nas suas criações. Em Março deste ano, Peter Lord, um dos fundadores da Aardman, foi um dos convidados do festival de animação MONSTRA e na sua masterclass explicou que a comédia das suas produções é tonta. É inteligente, mas simples. A verdade é que resulta sempre. Neste filme de Mark Burton e Richard Starzak temos precisamente um humor básico, mas, neste caso, vai pegar em alguns aspetos do nosso quotidiano, o que faz com que nos relacionemos com muitas das situações, o que leva ao riso.


A trama inicia-se com as ovelhas a seguir uma rígida rotina. Exaustas, definem um plano para tirar um dia de folga e divertir-se… Só que nem tudo corre como planeado. O desengonçado fazendeiro (farmer, no original, pois o seu verdadeiro nome é desconhecido) vê-se trancado numa autocaravana em alta velocidade e tem um acidente que leva à perda da memória. As ovelhas, por sua vez, acompanhadas pelo fiel cão de guarda Bitzer, partem à sua procura pela cidade, mas quando o encontram percebem que este não se lembra delas e, para piorar, parece até ficar assustado quando as vê. O que devia ter sido apenas um dia de descanso, torna-se num caos e, no final, numa aventura que tem como objetivo o regresso ao lar.

Os primeiros minutos do filme apresentam-se como um vídeo caseiro, daqueles que os nossos pais faziam quando éramos pequenos. Temos o farmer e uma pequena Choné e um jovem Bitzer. Mesmo aparecendo antes do título do filme (que é entregue de um modo muito original, com um galo distraído a segurar uma placa), este início é importante no desenrolar da história, pois deixa desde cedo explícito que existe amizade entre aquelas personagens. Depois, também a música que o acompanha terá um papel fundamental na recuperação da memória do fazendeiro.


Como acontece em algumas produções dos Estúdios Aardman, este filme não tem falas, mas tem sons que a nada soam (para além da banda sonora, com o tema da Ovelha Choné, entre outras músicas). Assim sendo, os movimentos tomam um papel de maior importância. A técnica de stop-motion foi,  aperfeiçoada ao longo dos anos e a boa dinâmica deste filme deve-se, em grande parte, à naturalidade com que os movimentos se dão. Mesmo sem falas, nunca fica aborrecido, pois há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo e as personagens são energéticas, o que facilmente cativa a nossa atenção.

Na minha opinião, este é um daqueles filmes que tanto servem para crianças como para graúdos. O melhor é que há elementos que serão recebidos de modo diferente pelo público, dependendo das experiências de vida de cada um. Um adulto que todos os dias segue a mesma rotina de trabalho, por exemplo, vai facilmente identificar-se com as ovelhas logo no início. O humor aqui existente também enriquece a experiência e é capaz de nos aproximar das personagens. Depois, claro, a animação é incrível. O stop-motion é incrível. Os Estúdios Aardman são incríveis! A prova disso é que agora já está em exibição a sequela e, desta vez, temos uma personagem vinda de uma galáxia muito distante… 👽🐑
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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