segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Grinch em dose dupla!

Grinch: Talvez o Natal não seja apenas os presentes. Talvez o Natal signifique algo mais!
Falta uma semana para o Natal e percebi agora que temos aqui poucas sugestões de filmes que celebram esta época, com a exceção de um ou outro artigo sobre novos lançamentos, como é o caso do Klaus da Netflix. Decidida a mudar isso, lembrei-me de falar sobre um filme que certamente todos conhecem, nem que seja apenas de nome. Aliás, muito provavelmente muitos de vocês também viveram traumatizados com ele durante algum tempo. Refiro-me a How the Grinch Stole Christmas (2000)! O Grinch, aquele monstro verde rabugento, marcou várias gerações e recentemente até regressou aos cinemas com um novo visual. Ora, hoje é sobre ele que falamos!


Em 2000, o famoso Grinch das histórias de Dr. Seuss chegou aos cinemas pelas mãos de Ron Howard, depois de já ter ganho várias animações em televisão. How the Grinch Stole Christmas trouxe-nos Jim Carrey irreconhecível no papel desta criatura que detestava o Natal. O filme levou-nos diretamente para a Vila dos Quem (Whoville), onde mora a pequena Cindy Lou Who. O plano de Grinch é simples: arruinar o Natal de todos os cidadãos da Vila dos Quem. Mas ao tornar-se sua amiga, Cindy Lou faz com que o Grinch comece a ver o Natal de uma maneira diferente.


Este é um filme que, enquanto apresenta uma lição para as crianças (o seu público-alvo), consegue mostrar uma crítica bastante explícita à sociedade consumista em que vivemos. Os primeiros instantes do filme são a representação perfeita dos shoppings em vésperas de Natal, a abarrotar com tanta gente desesperada por comprar prendas – um verdadeiro caos. Várias falas do filme mostram precisamente a importância que as pessoas dão às prendas e apenas no final percebem que o especial do Natal são as pessoas e estar com aqueles que são importantes para nós. Este é um daqueles filmes em que a visualidade é destacada ao máximo e temos aqui uma representação caricata do Natal. Existe uma cena no filme em que duas vizinhas lutam para terem a casa mais decorada: o resultado visível nas casas é algo que já não nos estranha, apesar do ridículo. Casas cobertas de luzes cheias de cores, enfeites a imitar pinhas, árvores de Natal de plástico, neve falsa, bonecos de neve também de plástico, presentes a fingir. O filme mostra-nos na perfeição o lado material do Natal, que nem sempre foi assim.


No ano passado, o Grinch regressou novamente aos cinemas, pelas mãos dos estúdios Illumination, especialmente conhecidos por terem sido os criadores de Gru – O Maldisposto, Minions e A Vida Secreta dos Nossos Bichos. A história do filme sofre poucas mudanças, mas é inevitável pensar que o próprio Grinch ficou um pouco amolecido e perdeu o seu lado mais malvado. O que temos aqui é uma criatura mais social e já não temos tão presente aquele grande ódio pelo Natal que vimos anteriormente e que durante anos assustou muitas crianças.


Este filme destaca-se pela sua animação, bastante colorida e com alguns pequenos pormenores que lembram os outros filmes da Illumination. Se compararmos com o filme de Ron Howard, percebemos que a história aqui é mais moderna, como até se percebe pela narrativa com a voz bastante fluída de Pharrell Williams. Ainda assim, muitas das cenas foram realmente apenas adaptadas do filme de 2000 e tornadas em animação.


Este novo Grinch é um filme colorido e divertido. Em comparação com How the Grinch Stole Christmas torna-se mais agradável para as crianças pelo facto de termos um Grinch menos assustador. Mas ao contrário deste seu antecessor, dificilmente será considerado um clássico da época, ainda que, curiosamente, esteja melhor classificado no IMDb. O melhor é mesmo vermos os dois e termos Grinch em dose dupla!
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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