domingo, 8 de dezembro de 2019

"Marriage Story" em análise

A Netflix está em grande nos últimos tempos; numa altura em que se fala do novo filme de Martin Scorcese, O Irlandês, chegou agora um outro muito distinto à plataforma de streaming, que, certamente, não chamará menos às atenções. Marriage Story, escrito e realizado por Noah Baumbach, baseando-se na sua própria experiência aquando do seu divórcio com a atriz Jenniffer Jason Leigh, apresenta-nos um olhar sobre a separação de um casal, com muita compaixão e sem esquecer a dificuldade vivida perante o facto de existir uma criança, que passará por todo o processo de divórcio dos pais.


O filme é protagonizado por Scarlett Johansson e Adam Driver, que formam um casal em fase de separação. Somos apresentados às suas rotinas, profissões e às suas principais características. É precisamente por aí que começamos, com uma descrição do parceiro feita por cada um, revelando logo cedo uma extraordinária atenção aos detalhes, com vários planos rápidos que têm o objetivo de apresentar as personagens quase instantaneamente.

As interpretações dos protagonistas são ricas e vão para além do soberbo. Tanto Johansson como Driver entregam representações fortes e sentidas; tornam-se pessoas reais a passar por uma fase má, pela qual tanta gente passa. Transmitem todas as emoções na perfeição, mas é (por triste que isto possa soar) nos momentos de discussões que realmente elevam as suas prestações ao máximo, com sequências que são capazes de nos deixar de boca aberta e lágrimas nos olhos. É uma escolha de atores improvável - nunca me tinha ocorrido esta dupla -, mas que resultou.

O argumento é muito sólido, com momentos que levam o seu tempo, de modo a que as palavras soem naturais. Isto torna o pacing lento, mas é como se estivéssemos a assistir a algo real, como se entrássemos na vida dos protagonistas e ouvíssemos o que têm para contar. Isso sabe bem! Começamos a sentir empatia pelo casal, sentimos que queremos que as coisas resultem, mas passamos a ser, também nós, alguém que ouve o que eles têm para contar. O poder dos diálogos aqui presentes resulta nisso. São bem pensados, nunca soam forçados ou absurdos; às vezes são alegres, outras vezes trazem apenas palavras cheias de raiva, que nos entristecem ao máximo. É uma relação, mas sem nada a esconder.


Marriage Story tem sido bem recebido pela crítica, depois de ter tido uma ovação de cinco minutos da plateia presente no Festival Internacional de Veneza. Naturalmente, neste momento já se fala numa possível nomeação aos Óscares – que terão de engolir o facto de uma porção dos seus filmes candidatos serem da Netflix. Não é para menos. Este filme é genial por tantos motivos… Pela sua simplicidade, pela construção das personagens, pelas situações que apresenta e o modo como lida com elas, excelentes interpretações, uma banda sonora adequada e uma grande realização. É, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do ano.

9/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

4 comentários:

  1. O que eu gostava de conseguir ver tantos filmes.

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    1. É uma questão de gestão de tempo. Até porque o filme não tem necessariamente de ser visto de uma ponta à outra de uma só vez.

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