quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

"Os Aeronautas" em análise

O ano já está quase a terminar e, desta vez, é impossível dizer que não nos trouxe bons filmes. Na verdade, houve grandes surpresas em 2019 e uma dessas foi, para mim, Os Aeronautas, que à partida pouco me diria, mas que acabou por surpreender pela positiva. Realizado por Tom Harper (uma das mentes por detrás de Peaky Blinders) e protagonizado pela harmoniosa dupla Felicity Jones e Eddie Redmayne, que fizeram excelentes desempenhos em A Teoria de Tudo (2014), este filme leva-nos numa aventura pelos céus de Londres, com o objetivo de bater um recorde de altitude em balão de ar quente.


Amelia Wren, interpretada por Felicity, é a junção de várias personalidades históricas, como Henry Tracey Coxwell e Sophie Blanchard. No entanto, esta alteração não soa forçada, pois foi construída de modo a respeitar os padrões da época, só que com alguma excentricidade. Amelia Wren é uma mulher que, depois de passar por uma tragédia, vive isolada até receber uma proposta de James Glaisher, interpretado por Eddie Redmayne, um homem que se apresenta como meteorologia e que acredita que há muito para estudar no tempo e nas suas mudanças. Esta proposta, que rapidamente se transforma numa aventura épica, é o ponto de partida de uma narrativa alternada, que acompanha a viagem de balão e regressa ao passado, ao momento em que os dois protagonistas se conheceram e, ainda mais além, à fase trágica da vida de Wren.

A ação desenvolve-se num local fechado, mas nunca deixa de trazer a dinâmica necessária para que o filme não se torne aborrecido. A viagem de balão de ar quente atrai o inesperado, desde uma tempestade à beleza das borboletas, o que contribui para uma alteração dos cenários. A banda sonora, composta por Steven Price, não se perde com as mudanças e traz sempre os acordes apropriados, desde alguns mais dramáticos a outros mais alegres ou tristes. Nas sequências de maior perigo, a banda sonora eleva-se ao máximo, criando ainda uma maior tensão.


As sequências no balão podiam ter corrido mal, tendo em conta que os planos de fundo foram adicionados com recurso à edição. Felizmente, parecem naturais, até mesmo nos tais momentos em que o tempo não dá tréguas. Para além disso, são coloridos, mas sem exageros, o que torna o filme muito apelativo visualmente.

A dupla de protagonistas, por si só, é um motivo para dar uma hipótese a Os Aeronautas, especialmente para quem já conhece o excelente trabalho de ambos em A Teoria de Tudo. Aqui parece que os dois se sentem mais à vontade a contracenar, ainda que não interpretem um par romântico, mas sim uma dupla de companheiros aventureiros. As reações dos atores são retratadas com imenso pormenor, especialmente quando há uma maior carga dramática, acentuando o trágico de algumas sequências.


Ainda que não seja um filme extraordinário, é capaz de nos levar aos céus com uma aventura em tempo real - o que tem a sua dose de originalidade - e que nunca parece prolongar-se demasiado. Os atores também entregam bons desempenhos e mostram, mais um vez, que são capazes de contracenar muito bem um com o outro. Vale a pena ver!

8/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

8 comentários:

  1. Gosto quando os filmes me surpreendem, no geral, nas diversas vertentes, no particular, quando me dá mais do que o esperado.

    Beijinhos, mais um artigo de qualidade

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  2. Não vi o filme, mas pelo teu texto me pareceu interessante (aliás, gosto de balões e vivo em uma cidade em que em diferentes momentos do ano muitos balões dão cores ao céu, há um festival de balonismo por aqui). Tenho o costume de ver filmes um bom tempo depois de seus lançamentos. Um abraço.

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    1. Qual é a cidade? Fiquei com curiosidade em ver e quero pesquisar! 😊

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  3. Adorava viajar assim *-*
    Obrigada por mais uma sugestão maravilhosa!

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  4. Mais uma vez uma excelente crítica, parabéns. Vi o filme e foi também uma boa surpresa. Boas interpretações, quer da Felicity Jones quer do Eddie Redmayne, boa reconstituição de época (cenários, figurinos). A realização de Tom Harper não compromete o resultado final e o filme flui naturalmente. Uma boa surpresa nesta época de Natal.

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    1. Obrigada pelo comentário, Luís. Sem dúvida, foi uma boa surpresa!

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