sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

"Star Wars: A Ascensão de Skywalker" em análise

Um dos filmes mais aguardados do ano (pelo menos por quem é fã) chegou esta semana aos cinemas. Star Wars: A Ascensão de Skywalker é o final de uma trilogia e acima de tudo de uma viagem que tem conquistado corações há mais de quarenta anos. Os bilhetes das sessões de pré-estreia esgotaram assim que foram colocados à venda, há cerca de dois meses. O que não admira minimamente, tendo em conta que estamos a falar de Star Wars, não é verdade? O problema é que tanta antecipação trouxe expectativas altas, até porque estamos a falar de algo que deveria ser épico. Será, então, que este capítulo foi o encerramento (por enquanto) ideal da saga?


J. J. Abrams, que iniciou esta nova trilogia com o filme O Despertar da Força, em 2015, regressou à cadeira de realizador depois de Os Últimos Jedi (2017), de Rian Johnson, não ter sido bem recebido por uma valente porção dos fãs. O desafio era, então, recuperar o rumo da trilogia e isso, infelizmente, levou à negação desse capítulo anterior, ignorando várias adições que este trouxe. Se Os Últimos Jedi tentou seguir um novo caminho e arriscar – até porque O Despertar da Força foi bastante criticado por ser demasiado idêntico ao início da saga -, desta vez temos um filme cujo argumento fica perdido a tentar desfazer os acontecimentos que desagradaram a muita gente, o que, claro está, também levou ao descontentamento de quem gostou das ideias de Johnson.

Pessoalmente, eu não gostei de Os Últimos Jedi. Detestei muitas escolhas que ali foram tomadas e inclusive saí irritada da sala de cinema quando o vi. Mas, atenção, eu também sou suspeita, porque, admito, de Star Wars só posso dizer que gosto realmente (realmente!) dos capítulos IV, V e VI. De resto, não sou minimamente fã da trilogia Star Memes - acho O Ataque dos Clones uma seca e pouco me importa que o Obi-Wan Kenobi tenha o high ground – e também não estava muito contente com esta nova trilogia, ainda que haja uma ou outra personagem que tenha captado a minha intenção no que toca às mais recentes introduções. 


O que eu mais queria ter em A Ascensão de Skywalker era um final satisfatório para as personagens que me são tão queridas – os protagonistas (que ainda estavam vivos neste capítulo final) que fizeram parte da trilogia original: a Princesa Leia, o Chewbacca, o C-3PO, o R2-D2, o Lando Calrissian… Ver o modo como essas personagens foram tratadas deixou-me feliz e de lágrimas nos olhos. E este é o motivo pelo qual, passados dois dias depois de ter ido ver o filme, não consigo ainda saber o que achei. Por um lado, vejo que o que mais me interessava correu bem, mas, infelizmente, o filme não se fica apenas pela despedida destas personagens e há uma grande história para além disso. 

Depois da dificuldade em aceitar o que aconteceu no capítulo anterior, este, como referi, perde muito tempo a tentar desfazer o que não agradou aos fãs e é inevitável não sentirmos, a determinado momento, que as personagens parecem estar perdidas. Às vezes até os diálogos parecem existir apenas para quebrar o silêncio, com afirmações óbvias e desnecessárias. Dito isto, demora um pouco a arrancar e pelo meio até temos demonstrações do uso da Força pouco interessantes e que apenas prolongam a duração, pois são apresentadas em momentos inoportunos. Quando, finalmente, começa a acontecer algo, o plot torna-se imediatamente óbvio e voltamos a sentir que já vimos o que ali acontece noutro filme da saga (com algumas diferenças).


Não arrisca minimamente. Mantém-se básico em vários aspetos. Não sei se por medo de ferir os fãs ou se por incapacidade de ser coerente perante uma história tão complexa. O resultado é apenas o idealizado em teorias simples. Não surpreende… As atitudes das personagens são só o esperado. Vejo muita gente a dizer que o filme é todo ele um grande fan service. Não me queixo em relação a isso, pois existem mesmo muitos momentos que estão escritos em teorias há anos e que acredito vão encantar muita gente. Só que houve algumas escolhas que, tal como também senti em Os Últimos Jedi, simplesmente levaram a minha mão à cara e deixaram-me a pensar “porquê? Há necessidade de isto estar a acontecer?”. 

Não é um final genial, nem extraordinário ou memorável. Só que, por algum motivo, também não consigo dizer que não gostei. Longe disso, até. Mas entendo que para além do destino das personagens que gosto também pouco me interessava aqui, porque os dois filmes anteriores não me conquistaram. Restava uma curiosidade em saber como tudo terminava e a verdade é que não termina mal, mas não tem nenhuma mística à sua volta, apenas um argumento assustado e muitas vezes preguiçoso.


Para além da história, há ainda outros pontos que gostaria de referir… nomeadamente as alterações de clima no filme. Alguns momentos são capazes de entregar uma atmosfera arrepiante que é capaz de nos deixar desconfortáveis, dando mesmo ares de filme de terror. Gostei do modo como alguns cenários foram apresentados e também do cuidado em manter sempre a ideia do dark vs light, que é acentuada não só pelos planos de fundo como também pela caracterização dos dois protagonistas, demonstrando que estes são uma díade perfeita que funciona como yin e yang

A banda sonora de John Williams regressa novamente cheia de força e com alguns acordes novos que enaltecem a sua beleza e poder. Claro que logo na abertura já há gente a bater palmas, ou não estivéssemos nós a falar de uma das bandas sonoras mais icónicas de sempre, mas isso é só o início… Felizmente, posso dizer que há alguns momentos em que a presença desta contribui para entregar sequências realmente épicas, como é o caso da chegada das grandes “frotas”. São momentos visualmente muito bem conseguidos e que com a ajuda da banda sonora ficam realmente ricos, especialmente quando vistos numa sala com capacidade para exibir este filme em todo o seu esplendor visual e sonoro (IMAX!).


Eu sei que desta vez fiquei longe de fazer uma análise ao filme, mas sinto que não podia trair a vossa leitura. Isto é simplesmente uma opinião verdadeira, de alguém que não tem medo de dizer que não está contente com uma grande parte dos filmes de Star Wars e que por esse mesmo motivo não tinha grandes expectativas para este. Penso que o facto de não esperar nada de soberbo de A Ascensão de Skywalker levou-me a apreciar pequenos momentos que para mim foram importantes. Despedir-me de um modo bonito de personagens que gosto deixou-me feliz e emocionada. Assim sendo, se forem como eu, talvez gostem do filme.

6/10
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos.

2 comentários:

  1. Considero um filme mediano. Terminou a proposta desta nova trilogia, mas não acrescentou muito à saga. Não deixo de o recomendar, de qualquer modo. É Star Wars!

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