quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"Um Homem Fiel" em análise

Chega esta quinta-feira aos cinemas, já com algum atraso, a segunda longa-metragem de Louis Garrel, Um Homem Fiel, que já tinha estreado em solo nacional no ano passado, quando foi apresentado no Lisbon & Sintra Film Festival. O filme é protagonizado pelo próprio e a ele juntam-se as atrizes Laetitia Casta e Lily-Rose Depp.


Abel é um homem que partilha casa com Marianne, por quem é apaixonado. Infelizmente, a determinado dia, a mulher diz-lhe que está grávida e que ele não é o pai, o que leva a um afastamento entre ambos. Ève é a irmã do pai da criança, mas é também uma jovem que sempre viveu apaixonada por Abel, considerando que este é o “homem mais atraente no mundo”. Esta é uma comédia romântica onde os encontros e desencontros tomam um lugar de especial relevo.

O início do filme dá-se, de um certo modo, de forma trágica. Primeiro temos o assumir de uma “traição” e depois segue-se uma tragédia que quase automaticamente remove todos os efeitos desse momento. Chegamos mesmo a ter algumas situações dramáticas, que colocam as personagens à prova, deixando-as tentadas a cometer novamente os erros do passado ou a seguir novos rumos na vida.


Apesar de o filme ser de curta duração, com apenas 1h e 15 minutos, a construção das personagens, especialmente do protagonista, é bem pensada. Em alguns momentos, existe uma voz que narra os pensamentos de cada um, levando-nos a conhecer os seus motivos. No caso de Éve, por exemplo, este conhecimento da personagem apresenta na perfeição o conflito que nela existe e confirma que “o fruto proibido é sempre o mais apetecido”.

A cinematografia do filme apresenta-se muito simples, assim como o argumento, que é genuíno e consegue soar natural, apesar da estranheza de alguns momentos. As interações entre as personagens revelam-se o mais importante e nesse aspeto é de elogiar as três performances protagonistas, que apresentam uma espécie de trio amoroso em que as duas mulheres discutem para ganhar o homem, que nem sempre parece ter um total controlo de si mesmo. Garrel coloca-se nesta situação e desempenha um papel indeciso, mas interessante.


Este é um filme sólido, com alguns momentos com um certo humor, mas nunca hilariantes. O plot é um tanto comum e posso dizer que é seguro, sem correr grandes riscos de falhar. Só que isto faz com que também seja um filme que facilmente esqueceremos, ainda que passemos uma boa hora a vê-lo.

6/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

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