quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

"O Filme do Bruno Aleixo" em análise

Por mais estranho que possa parecer, eu nunca fui adepto do Cinema português. No entanto, já é o segundo ano consecutivo em que me vejo à procura das novas produções nacionais, de maneira a poder vê-las. O ano passado teve várias surpresas, desde Mutant Blast a Diamantino. Este agora começa com o famoso cachorro/urso/ewok português Bruno Aleixo, figura cómica, digamos, importante para quem ainda via SIC Radical nos seus últimos ricos dias de vida (ou até no YouTube ou, para quem se lembrar, no Sapo Vídeos). 


Bruno Aleixo esteve uns tempos afastado da ribalta, mas agora volta com uma longa-metragem para mostrar que ainda tem algumas piadas debaixo do pêlo. Este traz consigo ainda o seu gang - Renato, Busto, Dr. Ribeiro, Jaca, Nelson e Homem do Bussaco -, e todos têm um simples objetivo: dar uma ideia a uma produtora para um filme autobiográfico sobre o Bruno. Mas, como é inevitável, com estes nada é assim tão simples…

Eu já sigo esta rapaziada desde os tempos da escola, ou seja, desde que estes tinham começado a procura de maneiras de arranjar o cromo do Raul Machado que o Constantino tinha. Por isso, ver este filme acabou por ser uma delícia. Claro que, para quem nunca viu nada do Bruno Aleixo, é muito possível que não entendam 50% do mesmo, especialmente as pequenas referências a momentos que tenham ocorrido na série. Mas, mesmo assim, há piadas para todo o tipo de audiência, abrangendo piadas grotescas a outras mais simplificadas (como apenas dizer palavrões à maneira do Bussaco), e até vários tipos de géneros, como o Terror e Neo-Noir. Infelizmente, como a maior parte das comédias que seguem este tipo de narrativa, ou falta dela, acabam sempre por ter momentos que se tornam aborrecidos visto que a sua estrutura é sempre a mesma, apenas com batimentos diferentes. Ou então por a piada já estar a arrastar um pouco demais. 

Não desvalorizarei, claro, o trabalho dos atores que fizeram parte da jornada. Seja Rogério Samora ou Adriano Luz, de certeza que todos tiveram uma grande paciência para conseguirem aturar os argumentos do Bruno, pior ainda personificá-lo e aos seus amigos. Mas nota-se que passaram o tempo das suas vidas enquanto participaram no filme. 


De tudo o que este filme podia ter sido, definitivamente não “calhou cocó”. Fãs de longa data encontraram sem dúvida o cromo da longa caderneta que começou a colecionar do Bruno. Pode não ser o Raul Machado, mas é algo quase tão bom. Pode-se sentir que pelo menos trinta minutos podiam ser cortados do filme, mas aí já não lhe poderíamos propriamente chamar “longa-metragem”, não é? Tecnicamente seria na mesma, mas não teria o mesmo impacto. 

Lembrem-se: nunca comam cornettos ou bebam qualquer coisa no café do Aires!

7/10

Crédito de imagens: © 2019 O Som e a Fúria, SIC Radical
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

2 comentários:

  1. O Bruno Aleixo é um espetáculo. Quanto mais secas são as piadas mais graça têm. Quero ver este filme, mas este fim de semana devo ir ver antes o 1917. Se tiver tempo, vejo os dois. Bom fim de semana, Diogo!

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  2. Também tenciono ver o 1917 em IMAX este fim de semana!
    Abraço!

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