quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

"The Grudge: Maldição" em análise

Ano novo, novo Janeiro. Para muitos (nós, até) é a época em que os filmes dos Óscares começam a surgir para os conseguirmos avaliar antes da grande gala – e, infelizmente, muitos até saem após. Nos Estados Unidos, no entanto, é a altura em que os filmes de terror que não têm qualquer tipo de confiança por parte das distribuidoras saem, o que, só por aí, não é coisa boa. The Grudge: Maldição é uma sidequel – sim, o termo aparentemente existe – e acontece paralelamente aos acontecimentos dos filmes “originais” americanos, que, por sua vez, já são remakes de outros filmes japoneses, que ainda agora estão a ser produzidos continuamente. 


Desta vez, esta… coisa é realizada por um realizador menos conhecido, Nicolas Pesce, que chegou à ribalta após o seu sucesso Os Olhos da Minha Mãe, que contava com músicas portuguesas, especificamente da Amália Rodrigues. Este trouxe consigo o produtor Sam Raimi, ícone do terror low budget que também haveria produzido o remake e continuações americanas desta conhecida franquia. Tudo batia certo desde o início, por isso, como é que isto acabou por correr mal? 

Se olharmos atentamente para a franquia The Grudge, esta é principalmente conhecida por conseguir tornar ambientes casuais e urbanos em locais em que seja possível entrar em pânico e suspense. Uma simples cabine telefónica de rua é o suficiente para tornar alguém paranóico ao ponto de ser levado pela maldição de Kayako. Nicolas Pesce fez isso bem nos seus filmes antecessores, tornando até a nossa casa como foco de terror, mas aqui conseguiu falhar tremendamente, tornando todas as possibilidades de suspense em pequenos momentos de jumpscares. Visualmente e narrativamente este também é incrivelmente aborrecido, sendo que é fácil de adivinhar onde vai dar toda a narrativa, mesmo que esta seja contada de uma forma pouco convencional. 


Algo que continua a fazer falta na série The Grudge é o facto de não haver sequer um set de regras que torne qualquer um dos acontecimentos credíveis. Sim, tornar uma maldição vaga pode torná-la um pouco mais imprevisível, mas era bom poder ver um pequeno limite de extensão para a mesma, invés de a ver a fazer coisas que são necessárias para o plot ter progressão. E ainda, esta maldição acaba por não ser tão fantasmagórica como as das histórias anteriores, visto que aqui nem parecem realmente espíritos ou fantasmas (inspirados nas velhas histórias de terror japonesas) mas mais zombies, como se tivessem a tentar americanizar mais o cenário. 

As interpretações são medianas, nada por aí além. Conhecendo a série, é mais que frequente não ver qualquer tipo de desenvolvimento da maior parte das mesmas, estão estandardizadas ao que apenas vemos no ecrã e às pequenas interações que têm, seja com família, colegas ou amigos. Muitos até estão ali apenas para servir de exposição para a audiência, que de pouco serve, visto que este filme está repleto de flashbacks que explicam a maior parte dos acontecimentos. 


Para quem conhece a série, este é um filme que desilude imenso, pois descarta a maioria das coisas que tornavam os filmes The Grudge especiais, mesmo que até estes não sejam obras primas. É o típico filme que sai no início do ano, que apenas é despejado para os cinemas para fazer um bocado do valor que gastaram na sua produção, sem querer saber da sua qualidade. Todos os anos há um, 2020 não foi exceção. 

3/10
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

4 comentários:

  1. Estou a tentar ver este filme desde o fim de semana. Fui a uma sessão no Colombo e o ecrã falhou, devia estar assombrado ou então foi por o filme ser tão mau que a Nos decidiu interromper a sessão.

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    1. Vou usar os meus poderes psíquicos e tentar adivinhar que essa sessão foi a das 17 e picos de sábado 🤔

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  2. 😀Que a paz, a saúde e o amor estejam presentes em todos os dias deste novo ano que se iniciou. Feliz MMXX!🌼

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