domingo, 5 de janeiro de 2020

"The Mandalorian" - Temporada em análise

Já passaram algumas semanas desde o lançamento da nova plataforma de streaming Disney + e daquela que era uma das suas novidades mais aguardadas, The Mandalorian do universo de Star Wars. Deste lado raramente somos capazes de fazer binge watching e por isso demorámos todo este tempo a ver os oito episódios que compõem a série. Finalmente, trazemos aqui uma opinião sobre aquilo que vimos! 


A narrativa situa-se depois da queda do Império, seguindo os acontecimentos do episódio VI, O Regresso de Jedi, e antes do surgimento da Primeira Ordem, episódio VII, O Despertar da Força. The Mandalorian apresenta um protagonista, criado ao modelo de Boba Fett, que é um caçador de recompensas e um guerreiro mercenário. Mando (interpretado por Pedro Pascal), como também é conhecido, recebe a missão de capturar um alvo, mas quando vê a criatura em questão fica rendido, o que rapidamente torna-se num problema, com a Galáxia quase toda a persegui-lo para conseguir ficar com a criatura, que não é nada mais do que o famoso “baby Yoda”, que nos últimos tempos tem agitado a Internet. “A Criança” (“The Child”) é o nome pelo qual este é reconhecido na série, até porque não é o Yoda (como muita gente acreditou), apenas é da mesma espécie. 

Mando torna-se num “pai” para a pequena criança, que a partir do momento em que aparece pela primeira vez rouba o espetáculo por completo. Mas não faz mal, pois há sempre coisas boas a acrescentar ao pequeno “baby Yoda”, pelo que dificilmente se sente que as suas aparições são forçadas. Honestamente, gostei muito de ver o pequenote a fazer coisas, desde dormir uma sesta, ou a beber uma chávena de qualquer coisa que certamente não é café, ou a usar a Força para quase estrangular pessoas. 


A série, criada por Jon Favreau, trouxe vários realizadores aos seus episódios. É interessante ver o modo como cada um realizou, ver as suas escolhas artísticas e se são adequadas ao ritmo da série. Se compararmos, por exemplo, o episódio 4, “Sanctuary”, realizado por Bryce Dallas Howard, e o último, realizado por Taika Waititi, são notáveis as diferenças de estilo. 

Já que falamos do último episódio, o melhor é mesmo dizer: que final! Claro que a realização experiente tem um papel fundamental, mas é caso para dizer que o melhor foi mesmo guardado para a última, com um episódio em que temos um argumento inteligente e grandes revelações, que eram aguardadas desde cedo e que, felizmente, se mantiveram guardadas até este último momento. 


A história estabelece um paralelo entre a infância de Mando e o momento em que decide ajudar a criança, em vez de simplesmente entregá-la a uma morte dura. Este paralelo também vai sendo desvendado aos poucos, mas contribui para que entendamos as suas atitudes. Só no episódio final é que ganhamos um total conhecimento do seu passado, o que aumenta a nossa empatia por ele, até porque desde início é uma personagem que apoiamos, essencialmente pelo facto de ser o protetor do “baby Yoda”. 

Para além destes dois protagonistas, ao longo dos episódios surgem outras personagens que captam a nossa atenção. Cara Dune, interpretada por Gina Carano, consegue rapidamente tornar-se num destaque na série. A rebelde tem grandes objetivos e torna-se, também ela, numa protetora da criança, mesmo depois de um braço de ferro que podia ter corrido mal para o seu lado – episódio 7, “The Reckoning”. IG-11, o droid que recebeu a voz de Waititi, também tem um lugar reservado nos nossos corações, pela sua inocência e pelo seu lado heróico, que no final entristece qualquer um. Depois temos também Kuill, um Ugnaught, que foi escravizado pelo Império e que finalmente conseguiu a tão desejada liberdade. Todas as personagens têm histórias, que foram pensadas de modo a que entendamos tudo o que fazem. 


O único aspeto negativo em The Mandalorian é que agora temos de esperar até ao Outono deste ano pela segunda temporada. Acredito que esta série foi capaz de agradar a todos - ou pelo menos à maioria - os fãs de Star Wars. Agora esperamos por mais, qual “baby Yoda” a beber o seu chá… 
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

2 comentários:

  1. Vi este fim-de-semana A Rainy Day in New York e The Irishman.
    Fabulosos cada um à sua maneira.
    boa semana

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    1. Apenas vi o primeiro! Já ando para ver "O Irlandês" há umas boas semanas...

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