quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Toss a coin to your witcher…

Parece-me possível dizer que a nova aposta da Netflix tornou-se, rapidamente, numa das séries mais aguardadas do ano de 2019. The Witcher, protagonizada por Henry Cavill (o eterno Super-Homem da DC) e inspirada nos livros de Andrzej Sapkowski, começou por receber críticas deveras positivas: algumas diziam até que ia destronar A Guerra dos Tronos. No entanto, rapidamente começou também a ter muitas negativas. Como expliquei na última análise a uma série aqui no blogue, deste lado dificilmente somos capazes de ver os episódios todos de seguida e, para piorar, na altura em que esta estreou (dia 20 de Dezembro) ainda estava a ver The Mandalorian, pelo que só no fim-de-semana passado acabei de ver The Witcher. No entanto, parece-me pertinente ainda trazer para aqui a minha opinião. Aviso que pode conter spoilers, por isso não recomendo a leitura a quem não viu a série!


Antes de começar a ver a série, tive a oportunidade de visitar o The Witcher Bar, uma instalação da Netflix no Cais do Sodré, que foi capaz de aumentar um pouco as minhas expectativas, porque ajudou a entrar no ambiente da série. Para além disso, foi uma experiência interessante, que me deixou mais curiosa para ver o primeiro episódio. 

Logo no início somos apresentados ao “witcher” Geralt de Rivia e também à princesa Cirila. Apenas no segundo episódio ficamos a conhecer a poderosa Yennefer, recuando a uma fase complicada da sua vida. Aqui é importante referir, porque parece-me que muitas pessoas viram a série e acabaram por não entender, que as três personagens iniciam-se em tempos diferentes, pelo que a sua presença é o único fator que indica o tempo da série. Yennefer está num passado mais distante relativamente a Geralt; Ciri marca o presente. A determinado momento todos atingem o mesmo tempo, mas é útil destacar esta diferença inicial. Neste sentido, lamento que não tenha havido uma maior distinção no guarda roupa e cenários, de modo a que fosse mais perceptível que cada um está num período diferente. De qualquer modo, alguns diálogos transparecem que o tempo vai passando. Temos isso numa conversa entre Yennefer e a reitora de Aretuza, Tissaia de Vries, que a acolheu enquanto era mais jovem. 


Admito que ao início não estava muito convencida. Em grande parte por causa dos efeitos, um pouco fracos, figurinos e humor que nem sempre parece adequado ao que está a acontecer. Parece-me lógico que está muito longe do nível de A Guerra dos Tronos, o que para mim faz sentido tendo em conta que é completamente diferente. Só que a determinada altura, não obstante o interesse da história, dei por mim a achar os episódios aborrecidos, tendo em conta tudo o que de bom podiam ter para oferecer. Para além disso, o argumento está escrito de uma forma vaga e senti que muitas vezes limita-se a passar de um tempo para o outro sem grande necessidade. 

Chegada ao sétimo episódio, admito que já não estava com grande fé. Mas fiquei agradavelmente surpreendida, pois a visualidade melhorou drasticamente (tendo em conta que no sexto episódio temos até dragões que mal se mexem), com sequências de luta bem elaboradas e feitiços que têm efeitos belos. É também neste episódio que a linha temporal fica, finalmente, simplificada e mais explícita, com os três protagonistas a atingir o mesmo tempo, o presente de Ciri. 


Senti que, de facto, a parte final conseguiu finalmente cativar-me. Chegando ao último episódio fiquei mais animada com o que estava a ver. Também neste temos sequências de luta intensas, especialmente com Yennefer a (des)controlar os seus poderes na totalidade, criando o caos total. No fim, dá-se um dos momentos mais aguardados, o encontro de Geralt com Ciri, eternamente ligados pelo destino estabelecido pelos pais da criança. Este momento traz imediatamente uma ponte para uma segunda temporada, pelo que pode não ter tido o impacto que merecia. Pareceu-me bem, mas um pouco abrupto. 

Não queria deixar de ver The Witcher, mas levou o seu tempo a convencer-me. Sinto que podia ter havido um maior cuidado na escrita do argumento e também na produção dos cenários, figurinos e caracterizações. Em determinados momentos não me senti a viajar para outros tempos e sentia falta de magia – por exemplo, nunca consegui ver os pobres coitados dos elfos como seres mágicos por causa das miseráveis orelhas de silicone que até abanam com a brisa. Sinto que era possível fazer algo muito melhor e a prova disso são os dois últimos episódios!

Desse lado já viram The Witcher? O que acharam da série?
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos.

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