sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

"Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação de uma Harley Quinn)" em análise

Depois do pouco sucesso entre críticos e fãs do medíocre Esquadrão Suicida (2016) e também de Liga da Justiça (2017), o “Universo Estendido da DC Comics” iniciou-se numa difícil tarefa de retomar a ribalta e conquistar opiniões positivas. A solução foi começar a apostar em filmes a solo, focados apenas em determinadas personagens, de preferência que ainda pouca visibilidade tivessem tido no grande ecrã: Aquaman (2018) e Shazam! (2019) trouxeram melhores resultados para a Warner Bros. No entanto, continuava a faltar dar algum destaque aos vilões e anti-heróis, tão acarinhados por muitos. Pegar novamente na história deixada por Esquadrão Suicida parece ter ficado fora de questão, mas a ideia de pegar numa das suas melhores personagens foi uma opção bem escolhida. A Harley Quinn de Margot Robbie brilhou, tanto para o público como para a própria atriz, que apostou nela e produziu este filme que a traz novamente aos cinemas: Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação de uma Harley Quinn), realizado por Cathy Yan. 


Não sabemos precisamente quanto tempo passou desde os acontecimentos de Esquadrão Suicida, mas estes são referidos. De resto, o importante a saber é que a Harley Quinn e o Joker separaram-se, o que fica explicado numa introdução em animação. É notável a intuição de deixar para trás os aspetos negativos do Esquadrão: nesse, a Harley vivia pelo Joker; aqui temos uma Harley Quinn no seu estado puro, pois os elos que tinha com outras personagens anteriormente foram cortados. Este acaba por ser um filme que serve de introdução à personagem, mesmo não sendo o primeiro em que aparece. 

Birds Of Prey introduz ainda um grande leque de novas personagens femininas: Black Canary, Huntress, Cassandra Cain e Renée Montoya. Todas são introduzidas pela voz-off de Harley Quinn, à medida que os seus nomes aparecem no ecrã, ao estilo dos videojogos. Nesta linha de estilo, segue-se um pouco Esquadrão Suicida, onde as personagens também eram assim introduzidas, mas sem a voz. Estas apresentações limitam-se ao básico, não denunciando logo tudo sobre as personagens, mas dão a oportunidade de Margot brilhar um pouco mais a fazer a voz de Quinn, com o seu sotaque tão característico, meio irónico. Por incrível que pareça, isto consegue levar a uma aproximação com o público, pois parece que a história nos está a ser contada diretamente. Esta sensação é aumentada por vários momentos em que a protagonista olha para a câmara e faz alguma observação ou pisca um olho. 


A narrativa não é linear; muitas vezes a ação avança para recuar logo de seguida (nem que seja apenas quatro minutos!) e termos uma explicação do modo como alguma coisa aconteceu. Não se torna confuso, pois o timing dos recuos foi pensado de modo a evitar arruinar momentos cómicos ou de maior interesse na construção da história. Isto aliado à voz-off de Harley é fundamental para termos um conhecimento de outros pontos de vista e sabermos o que está a acontecer fora do seu radar.

As atrizes que desempenham as novas personagens trazem desempenhos notáveis, essencialmente Mary Elizabeth Winstead, que “é fantástica” e cuja personagem guarda segredos interessantes e de alguma importância para a narrativa, e Jurnee Smollett-Bell, a Dinah Lance/Black Canary que é capaz de roubar para si a atenção durante vários momentos. Ewan McGregor assume o rosto – e isto é suposto ser uma piada – do vilão Roman Sionis/Black Mask. Apesar de as suas feições estarem perfeitas, lamento que não tenha tido um pouco de mais tempo de antena, pois apenas deixa a ideia de que a sua personagem só manda fazer coisas, pois nunca o vemos seriamente em ação. 


Muitos momentos da Harley Quinn apresentados em Birds of Prey são retirados das comics na sua totalidade. A construção da personagem também é muito feita ao estilo do que Amanda Conner trouxe nas suas histórias de banda desenhada. Não a temos num modo tão “sedutor”. Temos uma mulher em busca de emancipação, mesmo sendo no mundo do crime de Gotham. Harley aqui é independente, que é uma das características que Amanda procurou apresentar. Para além disso, é interessante refletir que aqui não é apenas uma tolinha má da fita, pois também tem coração e sentimentos, entregando uma nova visão. Até o seu amor por animais está representado, o que, honestamente, me deixou imensamente feliz. 

Visualmente, Birds Of Prey também tem o seu interesse. Tem sequências de ação e de luta coreografadas na perfeição, com elementos externos a aumentar a sua qualidade. Por exemplo, uma das lutas é feita num piso molhado, o que torna toda a sequência mais bonita visualmente, com reflexos e personagens a deslizar na água. Para além disso, a iluminação traz as cores de Harley para a cidade de Gotham, tingindo tudo de azul e roxo, tornando o filme colorido, mesmo tendo em conta que a cidade é negra e suja – é como se a protagonista espalhasse um raio de luz com a sua irreverência. 


O resultado de Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação de uma Harley Quinn) é puro entretenimento, com alguma comédia à mistura. É um daqueles filmes em que sentimos constantemente que nada de mal vai acontecer às protagonistas (o que, curiosamente, até é sugerido no facto de Harley no início estar a ver um episódio dos Looney Tunes, onde também temos alguma violência, mas as personagens safam-se sempre), mas sabe bem vê-las em ação. Traz uma história que pode não soar a novidade, mas é contada de um modo diferente, que rapidamente consegue receber o nosso interesse. É mais um passo no caminho certo da DCEU. Vale a pena verem, sejam ou não fãs da personagem!

8/10
SOBRE A AUTORA

Estudante de Cultura e Comunicação, com uma grande admiração pela sétima arte. Vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos. A criação deste espaço foi a solução para ligar este meu interesse à escrita, da qual também tanto gosto!

3 comentários:

  1. Quero muito ver essa continuação da história da Harley Quinn, adoro a atriz!
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  2. Adorei as personagens, nomeadamente a Harley que está muito bem conseguida!No entanto não achei a historia nada de especial, sinceramente estava à espera de melhor, mas considero que seja um bom filme, dei algumas gargalhadas. xD

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