sábado, 29 de fevereiro de 2020

"I Am Not Okay With This" - Temporada em análise

Estreou na passada quarta-feira, dia 26 de Fevereiro, a mais recente série da Netflix, I Am Not Okay With This, realizada por Jonathan Entwistle e Christy Hall e baseada na banda desenhada de Charles Forsman. As expectativas eram altas, ou não fosse esta dos criadores de Stranger Things e The End Of F***ing World. Os trailers e imagens promocionais davam mesmo a sensação de que se essas duas séries tivessem um filho seria esta I Am Not Okay With This, mas será que em termos de qualidade é a mesma coisa?


A plataforma de streaming já nos habituou a séries com uma certa qualidade, que muitas vezes exploram os dramas da adolescência. Esta segue um pouco esse ritmo e descarrega todas as frustrações da jovem protagonista Sydney, interpretada Sophia Lillis – a atriz que interpretou Beverly em It (2017) e que nos últimos anos tem vindo a destacar-se mais, até porque recentemente também passou pelo grande ecrã com o filme Gretel e Hansel

Sydney vive num seio familiar um tanto problemático: depois da morte do pai só discute com a mãe, mesmo sem motivos. A única pessoa que a apoia é Dina, que considera a sua melhor amiga, e Stanley Barber, um vizinho que nutre uma grande admiração por ela, apesar de durante anos não se terem falado. Sydney não leva uma vida fácil e, para piorar, começam a acontecer-lhe coisas estranhas quando se enerva. Acaba por perceber que tem um dom: consegue controlar coisas com a mente, causando, muitas vezes, consequências. 


Certamente por esta breve descrição da série já sentiram que há muitas semelhanças com outras histórias. Não há coincidências nas produções da Netflix e é impossível não identificarmos algumas características da Eleven de Stranger Things nesta Sydney, até porque muitas sequências são semelhantes – como, por exemplo, quando Sydney vai ao supermercado (Eleven teve uma cena idêntica) ou quando, na sala de aula, Stanley se vira para trás e expressa um fixe (Dustin fez o mesmo em Stranger Things, com a mesma emoção). Mas parece-me que a maior referência aqui presente é Carrie, do livro de Stephen King e respetivos filmes inspirados. A protagonista desta série é como Carrie e os momentos em que esta corre, inicialmente e depois no final, coberta de sangue parecem-me inteiramente relacionados com a personagem de King. 

A série é protagonizada por Sophia Lillis e Wyatt Oleff, que anteriormente já tinham trabalhado juntos em It, onde faziam parte do Clube dos Falhados. Tê-los juntos novamente é um presente, não só por fazerem uma dupla carismática, mas também porque, de um certo modo, fazem com que a série também partilhe semelhanças com It. Curiosamente, Beverly (a personagem de Lillis no filme) também tem uma sequência com muito sangue, o que já parece ser norma no currículo da jovem atriz. Por graça, questiono-me como é que a Funko vai lidar com esta personagem, pois a figura da Beverly em Chase é exatamente igual a uma possível figura desta Sydney – isto é, se decidirem fazer um Pop sobre essa determinada sequência, o que me parece mais do que possível! 


A série vai transmitindo, à medida que decorre, uma “feel good vibe”, mas ao mesmo tempo aborda temas sérios, como o bullying (que é expresso essencialmente através do irmão de Sydney), a morte de alguém que é próximo, violência no namoro, ataques de pânico, e, com um maior foco, a orientação sexual e problemas ligados à aparência – Sydney, por exemplo, tem borbulhas na perna e este é um dos seus segredos mais obscuros! Nota-se que estes temas são abordados de passagem, pois o essencial é perceber como os devemos tratar, mas, ainda assim, são referidos e tornam-se fundamentais no decorrer da narrativa. 

Os episódios são de curta duração – variam entre 18 e 30 minutos cada –, o que torna a temporada muito curta. Geralmente, não sou daquelas pessoas que fazem binge watching, mas, desta vez, vi tudo de seguida, pois cada episódio deixa-nos com vontade de continuar. Como são tão curtos não se tornam cansativos, por isso em pouco mais de três horas veem a temporada toda. E este é para mim o único problema! Senti que a temporada tinha mais para dar, mas estava limitada a poucos e rápidos episódios, o que não permitiu o desenvolvimento de algumas personagens mais secundárias. No entanto, é quase certo que em breve a Netflix vai anunciar uma segunda temporada, como tem sido sempre hábito. 


Resta-me dizer que vale a pena ver esta série se procuram algo que, ainda que não seja totalmente original, consegue entregar uma sensação refrescante. I Am Not Okay With This está repleto de personagens que queremos apoiar e com as quais facilmente simpatizamos, assim como também partilha géneros diferentes. É uma série que no final consegue surpreender, mas preparem-se para um dos finais de temporada mais marados de sempre!
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas tenho E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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