sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"Sex Education" - Segunda temporada em análise

A esta hora, já anda tudo a falar da confirmação da terceira temporada e deste lado só há uma semana é que acabámos de ver a segunda de Sex Education, uma das séries mais abertas e curiosas de sempre, cortesia da Netflix. Ora, já estava na altura de trazer para aqui algumas palavras sobre os oito episódios mais recentes e pareceu-me que não havia melhor altura para o fazer do que no Dia de S. Valentim, ou não fosse esta uma série capaz de tratar do amor de todos os jeitos e feitios! 


A primeira temporada foi um sucesso instantâneo. Apesar de os primeiros segundos do primeiro episódio possivelmente terem afastado muita gente – aqueles que estavam a ver com os pais, talvez –, todos os que continuaram a ver ficaram encantados com a liberdade com que a série fala de sexo, e não só. Para além disso, temos aqui um conjunto de personagens tão fortes e carismáticas que difícil é não ficarmos logo agarrados. Nesta segunda temporada, é a evolução das personagens que ganha a melhor. 

Representatividade é a palavra-chave! Qualquer pessoa, seja adolescente ou não, vai conseguir identificar-se com, pelo menos, uma personagem na série, ou com o seu estilo de vida. Aqui aprendemos uma lição: devemos ser nós mesmos; não importa se somos ricos, pobres, vivemos sozinhos ou com os pais, nem a nossa orientação sexual… Bem, na verdade, importa, pois é aí mesmo que está a trama de Sex Education! 


A primeira temporada tratou de temas como o sexo na adolescência, gravidez indesejada, bullying e discriminação pela orientação sexual. Agora, continuamos a ter temas importantes a serem explorados, para além desses. Desta vez, somos confrontados com a gravidade do assédio sexual e é Aimee, uma das personagens mais queridas dos fãs da série, que se vê nessa situação. A série apresenta, de modo fiel, como uma pessoa pode sentir-se depois de ser assediada e dá conselhos de como se deve lidar com a situação. Sex Education não é, ao contrário do que muitos pensam, só sobre “truca-truca”. Tem este lado humano que salta do pequeno ecrã do computador para a vida real. 

Claro que, como é natural, é preciso continuar a fazer-se jus ao nome e lá nisso a série não se perde. Quase todos os episódios começam por abordar o tema mesmo antes de passarem as letras com o nome da série, mas desta vez o sexo quase que se torna secundário, pois todas as personagens têm backgrounds que merecem ser relatados. Maeve, por exemplo, passa por uma grande transformação nesta temporada e é interessante ver a sua evolução ao pormenor. Depois, claro, há outras personagens que também começam agora a descobrir-se. 


Sex Education é uma série cheia de dinâmica e cor – quase tanta quanto as roupas da Ola –, que consegue tratar de temas sérios. Apesar do seu tom maioritariamente cómico, não se afasta a noção de que alguns temas são sensíveis e entende-se quando devem ser apresentados em gesto de brincadeira e quando devem ser levados totalmente a sério. Acredito que esta é uma daquelas séries fundamentais, essencialmente para os que têm idades idênticas às dos protagonistas da série – mas, claro está, também existem adultos representados e parece-me que só não é recomendado a crianças e bebés.

Feliz Dia de S. Valentim! 💕
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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