quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

"Sonic - O Filme" em análise

A antecipação para muitos, inclusive da minha parte, era quase nula no que dizia respeito a lançamentos baseados em jogos de vídeo. Claro que temos o clássico Mortal Kombat e o primeiro Resident Evil para abafar tudo o resto, mas até esses não passam de meros guilty pleasures, ou seja, não são nada de especial, apenas tinham alguma visibilidade e entretenimento redimível. Vários anos, várias tentativas. Até que, no ano passado, saiu um pequeno filme chamado Detective Pikachu, que quebrou uma barreira invisível que impedia qualquer um de fazer um filme baseado em jogos de vídeo bom. A ideia de fazer um filme do Sonic, a grande mascote das clássicas consolas da Sega, até parecia uma boa ideia após o sucesso de Pikachu, uma das mascotes da Nintendo… até surgir o primeiro trailer, e deixar todos espasmados a questionar como é que algo podia estar a correr tão mal, nomeadamente a maneira como decidiram recriar a personagem em live-action. Após o imenso backlash dos fãs da personagem, e dos milhares de memes, o filme foi adiado de maneira a conseguirem fazer um novo design para a personagem, talvez até mais fiel ao original. Chega então o segundo trailer, que deixou a maior parte das pessoas mais curiosas, mas, sendo uma adaptação de um jogo que não tem muita história por trás – e o filme também parecendo demasiado genérico – não havia muito entusiasmo por onde se pegar. 


Devo admitir que senti um pouco de nostalgia ao ver o logótipo da Sega a aparecer nos créditos iniciais do filme. Mas assim que esse acabou, a narrativa parece que decidiu começar a correr nos seus minutos iniciais, como se não desse tempo para respirar o mundo que nos estavam a mostrar de onde Sonic vem. Mas após isso, quando já estamos no mundo real, a história abranda consideravelmente, mas num ambiente já mais habitual e não tão interessante, visto ser o habitual mundo humano que vemos diariamente e não algo baseado no mundo pixelado que alguns viram centenas de vezes enquanto corriam pelos níveis afora nos jogos. A cidade onde se passa o filme até se chama Green Hills, como no primeiro nível do primeiro jogo, mas essa já era o local onde a narrativa parecia ter começado… Mas isso já são mais nitpicks de quem conhece o Sonic, e muito provavelmente alguns fãs irão ficar decepcionados com o facto do filme não explorar muito o mundo do Sonic e desistir do mesmo nos primeiros três minutos iniciais. 

Adiante, e esquecendo os pontos mais “fanáticos” da personagem. O filme tem um feel bastante genérico ao longo do seu decorrer, especialmente no que diz respeito ao desenrolar da história, mas são as personagens que tornam a coisa diferente. Tanto a personagem de Sonic como a de Marsden são fáceis de agradar e simpatizar, mas é na de Sonic que mais facilmente se percebe as emoções graças às suas expressões cartonizadas. Entretanto, às vezes parecia que as falas não estavam sintonizadas com a boca do Sonic, como se saíssem ou mais cedo ou que o lipsync não estava correto. 


Jim Carrey volta em grande ao seu modo de comédia over the top dos anos 90. Não tão carismático como se gostava no passado, mas a sua presença acaba sempre por ser agradável, mesmo que, às vezes, pareça um pouco irritante o seu tipo de interação. Mas, claro, são as suas expressões que vendem a sua interpretação. Ao menos o filme deu-nos uma razão não repentina para chamar o vilão tanto de Robotnik como Eggman, como nos jogos. 

Em relação aos efeitos especiais, podem ser ou muito bons para um live action do Sonic ou muito bons se tivermos em conta cutscenes de jogos. No que diz respeito à edição de som, é a esperada para um filme do género, senão, talvez, um pouco melhor. A banda sonora de Holkenborg é, infelizmente, nada memorável e vazia, excepto quando este decide usar excertos do banda sonora original do Sonic, que, com um toque subtil, pode deixar alguns com o sorriso na cara. 


Não há muito mais a dizer sobre o filme, senão que foi muito melhor do que inicialmente se esperava. Pode ter tido uma produção caótica, desde realizadores a entrar e sair ao próprio design do ouriço azul, mas acabou tudo por sair dentro do mediano. É um filme que se vê muito bem numa tarde em casa, sozinho ou em família, mas nada que seja memorável o suficiente para dizer “este é um dos filmes que define o género de adaptações de jogos para o cinema”. Mas, posso dizer (sem spoilers, óbvio, isto é apenas um meme/uma piada que se andou a falar imenso quando a produção começou)… que comece a iniciativa Smash Bros.

6/10 ⭐
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

3 comentários:

  1. Bem após ler a analise, agradeço desde já por não ter spoil, eheh.
    Não espero muito por este filme sinceramente, filmes de video jogos não é para qualquer um, mas já tou a ver que as pessoas que o fizeram limitaram-se apenas a jgoar o primeiro nivel de sonic 1 da megadrive, sendo que Sonic é muito mais que isso, ainda não entendi qual é a vibração de green hill zone, para mim é dos niveis mais genericos e a musica...enfim. Espero que o rumo do filme leve futuramente á historia do adventure.

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  2. Quando lançaram o primeiro trailer com o primeiro design assustei-me. Gostei de terem mudado o design, de terem ouvido os fãs. Foi isso que este fim de semana me levou ao cinema para ver o filme e fiquei surpreendido, mesmo não conhecendo a história do Sonic a fundo

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    Respostas
    1. Não que a personagem tenha uma história assim tão grande para se conhecer 😝. Ainda bem que gostaste!
      Abraço, Jaime

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