sábado, 22 de fevereiro de 2020

Uma viagem turbulenta em "Train to Busan" (2016)

Depois das vitórias de Parasitas de Bong Joon Ho nos Óscares, pareceu-nos boa ideia explorar aqui um pouco mais o Cinema sul-coreano, por isso vamos trazer vários Rebobinar dedicados a filmes deste país. Hoje falamos sobre um que foi um grande sucesso quando estreou, pelo modo como trata o seu tema com uma sensação de novidade, apesar de já ter sido tão trabalhado na área do entretenimento. Train to Busan (2016) – ou Busanhaeng no nome original –, realizado por Sang-ho Yeon, é, por meras palavras, um filme de zombies, mas durante as suas duas horas tem muito mais para entregar para além disso. 


A trama começa por fazer uma breve introdução das suas personagens, antes de um vírus se espalhar pelas cidades, transformando as pessoas em mortos-vivos devoradores de humanos – zombies, portanto. Nesses instantes iniciais, conhecemos um pai, Seok-woo, e a sua filha, que quer ir para casa da mãe, depois de sentir que o pai está demasiado ocupado com o trabalho e que, por esse motivo, não lhe presta tanta atenção. É durante a viagem de comboio, para ir ter com a mãe, que coisas estranhas começam a acontecer: as pessoas correm pela vida, para fugir de um vírus que se propaga demasiado rápido. 

Esta apresentação das personagens torna-se fundamental para criarmos uma certa empatia com elas, apreciando algumas das suas atitudes, carregadas de simbolismos. Vai haver um grupo de personagens que nos vai fazer desejar que sobrevivam a este “apocalipse”. Já perto do final, reconhecemos ainda mais a importância dos minutos iniciais, ao termos a “redenção” de um dos protagonistas, que pretende mostrar o que mais importa na vida. 


A maioria da ação do filme desenvolve-se no comboio, estando limitada a um espaço quase claustrofóbico, o que intensifica o pânico das personagens. Ainda assim, a transição entre carruagens e o facto de estar sempre um novo perigo à espreita faz com que mesmo estando restritos a esse espaço nunca saibamos o que pode acontecer a seguir. As personagens encontram-se sempre em movimento, tornando este filme num dos mais dinâmicos que vi nos últimos anos. Para além do ritmo acelerado, é de notar que a ação é completamente insana, no sentido de que é capaz de nos deixar surpreendidos muitas vezes. 

Como referi anteriormente, sente-se que este filme é uma brisa de ar fresco no género. Quando se fala de zombies, acredito que rapidamente vos vem à cabeça a série The Walking Dead, por exemplo. Ora, aqui temos um tipo de zombies completamente diferente, que entrega mais ação em duas horas do que a série entrega numa temporada inteira – atenção, que sou fã da série e já a acompanho desde 2010, o que às vezes me faz desejar que o seu ritmo fosse tão energético quanto o deste filme. Estes mortos-vivos parecem trabalhar em equipa, para além de serem rápidos. Por várias vezes vamos vê-los a amontoarem-se para atingir algo ou alguém, unindo-se para fazer mais vítimas. É nestes momentos que vamos sentir os nossos corações a bater mais rápido, com a subida da adrenalina. 


Train to Busan é um filme que teve o sucesso merecido. Pode não ser a melhor sugestão para se iniciarem no cinema sul-coreano, mas é certamente um dos filmes que mais me marcou nos últimos tempos e considero que entrega uma experiência cinematográfica memorável. Se forem fãs do género, não posso deixar de o recomendar!
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

8 comentários:

  1. Embora não seja um género de filmes que me atraia, a tua crítica deixou-me com alguma vontade de o acrescentar à minha lista. Talvez me surpreenda

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    1. É um filme que acaba por trazer mensagens que vão para além dos típicos clichés associados aos filmes de zombies!

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  2. A Coreia está a ser muito falada.
    Primeiro porque causa de Parasitas e agora por causa do estupor coronavírus.
    Boa semana

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    1. Aqui em Portugal não se fala de outra coisa, é só coronavírus, já chateia!

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  3. Não acho que este Train to Busan seja dos melhores exemplos do cinema sul-coreano, assim como o recente vencedor do Oscar. Digo-o por ser fã do que se faz nestas paragens, com especial preferência pela Coreia do Sul ou mesmo Taiwan. As minhas preferências continuam a ser Always ou mesmo Hear Me, só para citar dois. Parasitas, não querendo citar Trump, mas acho que a certa altura perdeu-se nas boas intenções que tinha. Resvalou para uma espécie de uma violência absurda que caracterizava os filmes asiáticos como os conheciamos no início, resvalando para um exagero que o fazia perder a credibilidade. Mas isso é o que penso.

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    1. Miguel, muito obrigada pela partilha de opinião! No caso do "Train to Busan" não posso considerá-lo um dos melhores exemplos do cinema sul-coreano, mas sim um dos melhores a abordar a temática dos zombies - que foi onde mais me foquei neste artigo e que é algo com que engraço. Já no que toca ao "Parasitas", dou o Óscar por muito bem entregue! Vou seguir as duas sugestões que dá no seu comentário e talvez em breve escreva um Rebobinar sobre eles. Obrigada pela visita! 😊

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  4. A crítica fez-me saudades de voltar a ver o filme, e já o vi pelo menos 3 vezes! :)
    O "Train to Busan" foi para mim uma autêntica lufada de ar fresco em termos de filmes de zombies, gostei imenso do filme!
    Joana, se ainda não viram, sugiro que vejam o "I am a Hero", um filme japonês de zombies de que também gostei bastante:
    https://www.imdb.com/title/tt3775202/?ref_=nv_sr_srsg_0

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    1. Acredito que o Diogo é capaz de já ter visto, mas eu ainda não, por isso vou seguir a sugestão. Muito obrigada, João! 😊

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