quarta-feira, 25 de março de 2020

"A Princesa Mononoke" (1997) a rebobinar

O génio Hayao Miyazaki não faz filmes maus. É um facto. E talvez seja esse o motivo pelo qual tantos dos seus filmes – praticamente todos – continuam presentes no nosso imaginário, não importa há quanto tempo os vimos. Recentemente, grande porção das suas obras, dos Studio Ghibli, aterraram na Netflix e hoje falamos sobre uma delas: A Princesa Mononoke, de 1997. 


A Princesa Mononoke pode não ser o mais popular, mas é talvez um dos mais revolucionários nos temas que aborda, tratando-se de um filme de animação. Leva-nos para um espaço envolvente, onde vemos os humanos e a sua ligação com a natureza e com os animais, à medida que apresenta dois plenos opostos: Mononoke em comunhão com a natureza e os “humanos” a devastarem tudo. 

Começamos por ser apresentados ao príncipe Ashitaka, que depois de matar o Deus-Javali para proteger a sua terra é vítima de uma maldição, que lhe consome os ossos e que depressa o levará até à morte, a não ser que este encontre uma cura para o problema. Distante, temos San, a princesa Mononoke, que está do lado dos Deuses-Animais numa luta contra os humanos que querem destruir a floresta. E é num cenário de guerra que Ashitaka encontra San e alia-se a ela contra as intenções destrutivas dos homens, para depois perceber o motivo pelo qual foi amaldiçoado. 


Este está certamente na lista de filmes dos Studio Ghibli menos indicados para crianças, e ainda assim é capaz de conquistá-las. Na verdade, temos até alguns momentos agressivos, inclusive cabeças a saltar com flechas e ferimentos muito sangrentos. Também os temas que aborda podem estar longe de ser infantis, mas as personagens têm a capacidade de conquistar qualquer um imediatamente. San, essencialmente, é uma personagem com um carisma característico, um tanto crua e frontal. A sua própria aparência ressoa uma certa altivez. Por sua vez, Ashitaka demonstra determinação e coragem. Os dois unidos tornam-se complexos e têm motivações reais. 

O mundo onde se passa a história é apresentado com traços de desenho também realistas, resultando em cenários naturais e refrescantes. É belo, até mesmo nas sequências mais sangrentas, onde os movimentos das personagens são rápidos e instintivos – como, por exemplo, quando San cospe o sangue da Mãe depois de esta ser ferida. Ainda assim, apesar dos confrontos, há espaço para magia e dá-se lugar à imaginação, com mitos a tornarem-se reais e pequenas criaturas curiosas que nos enchem o coração, como é o caso dos kodamas


Esta é a nossa sugestão de hoje para a quarenta. Um clássico da animação que podem facilmente encontrar online, incluindo em plataformas de streaming como a Netflix. Se nunca viram o filme, depois contem-nos o que acharam. Agora, queremos saber: como está a correr a vossa quarentena? Têm visto muitos filmes? Boa sessão!
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos.

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