quarta-feira, 18 de março de 2020

Chama-me pelo teu nome, que eu chamo-te pelo meu...

Chama-me Pelo Teu Nome, baseado no livro bestseller de André Aciman, já foi lançado há três anos e é incrível o impacto que continua a ter no Cinema, sendo já considerado um dos melhores filmes a abordar a homossexualidade, pelo modo sensível (mas não ao extremo) com que apresenta as suas personagens e o que estas sentem. Recentemente, o autor do livro lançou a sequela Find Me (Encontra-me, na tradução portuguesa da editora Clube do Autor), sobre a qual falarei em breve. Pareceu-me, no entanto, pertinente falar antes sobre o filme, que é muito fiel ao livro no qual se baseou, aproveitando assim para dar mais uma sugestão para verem em casa!


Elio é um rapaz que pertence a uma família abastada que vive no Norte de Itália. Oliver é um rapaz recém-graduado que vai passar um Verão com essa família. Ao som de várias músicas dos anos oitenta e rodeados por Arte, os dois acabam por viver uma verdadeira história de amor, com muitos pêssegos à mistura. 

Tenho de admitir que quando vi este filme pela primeira vez fiquei surpreendida pela positiva, pois as expectativas que tinha eram poucas ou nenhumas. Imediatamente senti-me conquistada pelas paisagens e pela tranquilidade vivida nos espaços apresentados, com o conforto da Literatura e da Música a aparecerem em segundo plano. Depois, é notável o cuidado que houve em escolher uma banda sonora com a capacidade de acompanhar a narrativa. 


Se há algo que está muito presente no filme é a Arte. Logo desde início, são-nos apresentadas várias estátuas que nos mostram a anatomia masculina e que dão um sentido um tanto erótico (mas sempre de uma maneira delicada) ao filme. A Arte Clássica, na verdade, é bastante importante aqui e existe uma cena magnífica em que Elio e Oliver vão à procura de uma estátua que há muitos anos estava desaparecida. Esta cena destaca-se também porque nos leva para uma zona geográfica diferente. Grande parte do filme passa-se na vila onde Elio mora e a maioria das cenas são mesmo na casa, mas esta cena e a final são em zonas distintas, fora da sua zona de conforto. 

Por falar na casa de Elio, tudo o que nos é mostrado é visualmente belo. Ficamos imediatamente com uma vontade enorme de viajar para o Norte de Itália e de viver naquela casa, rodeada pela natureza e com rios por perto. Aqui é de notar na presença de elementos decorativos que por si só são capazes de introduzir as personalidades de todos os que ali moram – desde os livros nas estantes, à lareira e ao piano: todos aparecem em destaque a determinado momento na trama. 


Como já disse, outra das coisas que mais gostei no filme foi a escolha das músicas. Nem todas são dos anos oitenta, mas foram pensadas para serem adequadas a cada momento. Se prestarmos alguma atenção às letras das canções, é fácil perceber que estão diretamente relacionadas com o que está a acontecer. Para além disso, as músicas originais de Sufjan Stevens (Mystery of Love e Visions of Gideon) que acompanham as cenas finais tornam o filme ainda mais especial. 

Ao falar do filme, é inevitável falar da prestação dos protagonistas. Timothée Chalamet e Armie Hammer, que interpretam Elio e Oliver respetivamente, transmitem na perfeição o receio das suas personagens e a química entre eles é visível a milhas de distância. Certamente, Call Me By Your Name não seria o excelente filme que é se estes dois não se tivessem empenhado ao máximo. 


Chama-me Pelo teu Nome resulta numa verdadeira carta de amor. Deviam ser feitos mais filmes assim: que nos deixam com vontade de viajar, de nos apaixonar, de ser feliz e, acima de tudo, de aproveitar todos os momentos o melhor possível. Acredito que por esta altura muitos de vocês já viram o filme e, por isso, resta-me apenas recomendá-lo a quem ainda não o viu! 🍑
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

6 comentários:

  1. Tenho este filme em espera, porque queria, primeiro, ler o livro :)

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    1. O final do livro é um pouco diferente e gostei mais do do filme. Ainda assim, tanto livro quanto filme são maravilhosos!

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  2. Este filme é fantástico, tenho de o rever :)

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