sábado, 14 de março de 2020

"Fala-me de Um Dia Perfeito" em análise

Nesta fase em que devemos evitar sair de casa sem necessidade, e apesar de muitos cinemas continuarem abertos e garantirem cuidados de proteção reforçados, parece-nos que o melhor é aproveitar a grande quantidade de filmes que podemos ver no sofá, apenas com recurso a um computador ou à televisão. Nos próximos dias vamos, então, focar-nos mais em filmes acessíveis através de casa: alguns mais antigos, que vamos Rebobinar, e outros que estrearam recentemente em plataformas de streaming. Hoje falamos sobre um que estreou no dia 28 de Fevereiro na Netflix: Fala-me de Um Dia Perfeito (ou All The Bright Places no nome original), realizado por Brett Haley, baseado no livro de Jennifer Niven e protagonizado por Elle Fanning (que também o produziu) e Justice Smith. 


Theodore Finch sai de casa para correr e dá de caras com Violet Markey em cima de uma ponte, pronta para saltar. Aproxima-se da rapariga e tenta perceber o que se passa, convencendo-a a descer dali. Aqui começa uma amizade, que mais tarde revela ser algo mais. No entanto, os fantasmas do passado continuam presentes na vida de ambos, e estes veem-se incapazes de lhes escapar, estabelecendo assim um destino menos feliz nesta relação. 

Este é um filme que, ao contrário da sensação que o nome e o poster podem dar, é trágico, o que acredito que vai levar muitas das pessoas que o vão ver às lágrimas – lembram-se do que sentiram ao ver A Culpa é das Estrelas (2014)? É mais ou menos isso, mas com outros temas. All The Bright Places, de facto, apresenta-nos o brilho da vida, mas também um lado mais negro que muitas vezes parece pesar mais na balança, mas que vai surgindo inesperadamente, quando tudo parece estar bem. Aborda problemas como o suicídio, a depressão e outras doenças mentais, neste caso durante a adolescência. Neste aspeto, para mim o mais negativo no filme é o facto de tratar os problemas de um dos protagonistas com mais ligeireza, de modo a manter a sua figura inicial, não acompanhando o descarrilar da carruagem como deveria ser feito numa situação como a que está a ser retratada. Sentimos, infelizmente, que Violet se torna rapidamente no centro das atenções e que os problemas de Theodore só começam a ser abordados quando o filme já se aproxima do final, entregando um terceiro ato demasiado apressado. 

Os pequenos momentos assumem aqui uma grande importância e somos levados numa viagem por locais por descobrir, que, iluminados, transmitem uma enorme beleza. O momento da montanha-russa merece um especial destaque, pois é o limite do medo de Violet a ser ultrapassado, depois de todo o apoio que até então teve por parte de Theodore. É como um novo início para ela, mas também para ele. A montanha-russa torna-se num elemento essencial neste filme, pois tem subidas e descidas, voltas e reviravoltas, assim como a própria trama e as emoções dos protagonistas. 


No geral, Fala-me de Um Dia Perfeito é agradável de se ver, essencialmente devido ao carisma transmitido pelos dois protagonistas e pela química existente entre ambos os atores. Não se torna memorável pelo simples facto de, por algumas vezes, explorar os seus temas com demasiada leveza e também por em algumas partes ser previsível. Ainda assim, vale a pena ver, se tiverem Netflix e estiverem por casa!

6/10
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas tenho E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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