domingo, 15 de março de 2020

"O Rei dos Gazeteiros" (1986) a rebobinar

Vamos ser sinceros: às vezes o despertador toca de manhã cedo e a nossa maior vontade é ficar na cama e dormir mais umas cinco horas. Há dias em que simplesmente não queremos fazer nada, seja ir trabalhar ou ir à escola. Foi mais ou menos assim que Ferris Bueller se sentiu num dia de sol. Por isso, engendrou um plano pormenorizado para enganar os pais e não ir à escola. Num momento em que devemos ficar em casa, hoje trazemos mais uma sugestão de um filme que podem ver diretamente no vosso sofá e que vos vai entregar quase duas horas de pura comédia e traquitanas. 


O Rei dos Gazeteiros (no nome original, Ferris Bueller’s Day Off), realizado por John Hughes, é um filme de 1986 que ainda continua atual e capaz de representar muitos de nós. Se não fosse o estilo de roupa datado, parecia que os anos não tinham passado por ele! A trama apresenta-nos Ferris Bueller (interpretado por Matthew Broderick), um jovem rapaz que quer aproveitar a vida, mas em dia de aulas vê-se obrigado a inventar um plano para faltar: finge estar doente e engana os pais, mas não a irmã, que já o conhece de ginjeira! Assim que fica sozinho, monta um esquema no seu quarto para simular a sua presença e depois sai para aproveitar o sol com o seu melhor amigo, Cameron (Alan Ruck), e a namorada, Sloane (Mia Sara). Os três acabam por viver grandes aventuras e experiências na cidade de Chicago, incluindo almoçar num restaurante de luxo, visitar um museu, subir uma torre e participar numa parada, onde Ferris junta toda a cidade ao som de “Twist and Shout” dos Beatles, num cenário muito dinâmico, que nos deixar com vontade de saltar para dentro do ecrã para nos juntarmos à festa. 


Os três protagonistas têm personalidades muito distintas. Ora, se Ferris é um extrovertido que pensa em tudo, assim como Sloane, Cameron é aquele que fica sempre um pouco pé-atrás com as sugestões do amigo. Só por aqui, sentimos que podemos identificar-nos com os membros deste trio, o que nos leva a desfrutar das aventuras que vão tendo ao longo deste dia – se eles estão felizes, nós também estamos. Por sua vez, as personagens secundárias têm igualmente uma especial importância, nomeadamente Jeannie, a irmã desconfiada que acaba por ver-se em grandes sarilhos, e o diretor da escola de Ferris, que também já conhece bem este aluno e as suas artimanhas e que, ao contrário do nosso protagonista, vive um dos piores dias da sua vida somente porque o quer “apanhar em flagrante”. Há sempre muita coisa a acontecer na narrativa, pois esta não se limita a ficar centrada nos protagonistas, dando-se à liberdade de mostrar como as atitudes destes influenciam todos aqueles que os rodeiam. Depois, claro, isto leva a momentos irónicos, em que seguimos, por exemplo, o diretor da escola a invadir a casa de Ferris, ou até momentos em que Jeannie está prestes a apanhar o irmão – quase como um episódio de Phineas e Ferb


A interpretação de Matthew Broderick é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme, com este e assumir a faceta de Ferris na perfeição. O ar maroto, por vezes até arrogante, com que olha para a câmara e explica ao espectador, com grande sabedoria, o motivo das suas atitudes contribui para uma aproximação entre personagem e público. Todos nos sentimos como ele pelo menos uma vez na vida: cansados das aulas enfadonhas e com vontade de ficar em casa e Matthew tem de se sentir assim também. Esta prestação caricata foi tão bem recebida na altura que Matthew Broderick chegou mesmo a ser indicado a um Globo de Ouro em 1987, como Melhor Ator de Comédia ou Musical. Alguns anos depois, várias controvérsias relacionadas com o seu passado podem tê-lo afastado um pouco da ribalta, mas ninguém lhe tira o mérito deste Ferris Bueller. 


Atualmente, esta longa-metragem ainda continua a ter algum impacto no Cinema. Por exemplo, se ficarem até ao final vão ver uma das cena pós-créditos mais originais de sempre. Aliás, esta chegou mesmo a ser adaptada pelo Deadpool no seu primeiro filme em 2016. Numa altura em que as cenas pós-crédito não eram assim tão populares, Ferris Bueller’s Day Off deu este passo, que é mais um elemento que mostra que continua atual. Para além disso, ainda é capaz de encher salas de cinema quando é reposto. Foi o caso de uma recente sessão na Cinemateca Portuguesa, que ficou com casa cheia, mesmo sendo quarta-feira num dia de chuva!


E pronto, esta é mais uma sugestão para estes dias de quarentena e isolamento social. O filme está acessível através de uma simples pesquisa na internet e promete divertir-vos durante algum tempo. Lembrem-se: quando o despertador toca, nem sempre vos apetece sair; agora que não precisam de sair, fiquem por casa! Bons filmes! 🍿
SOBRE A AUTORA

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, vejo filmes desde criança e sempre tive um gosto especial pelas animações e grandes clássicos.

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