domingo, 29 de março de 2020

"Os Goonies" (1985) a rebobinar

Hoje falamos de um clássico que ao longo de trinta e cinco anos tem inspirado vários filmes, conquistado inúmeros corações e que continua bem vivo nas nossas memórias de criança: Os Goonies, de 1985, produzido por Steven Spielberg, que também escreveu o argumento, mas que abdicou da cadeira de realizador, escolhendo Richard Donner para esse cargo. Se ainda não conhecem esta história, preparem-se para mergulhar numa intensa busca pelo tesouro do pirata Willy Zarolho, mas, acima de tudo, para conhecer uma das amizades mais carismáticas da história do Cinema!


Em criança, todos nós tínhamos imaginações férteis, por isso não admira a facilidade com que conseguimos integrar este pequeno grupo dos Goonies. Crianças que não são muito populares, pobres, mas criativos e todos eles com personalidades muito distintas, que nunca entram em confronto. Mikey é criativo, inteligente e aventureiro; Mouth é um fala-barato, que sabe falar vários idiomas; Data é um autêntico engenhocas; Chunk só pensa em comida, mas tem um coração do tamanho do mundo. Estes são os membros “originais” dos Goonies, aos quais se juntam também Brand, o irmão de Mikey, Andy e Stef. O pai de Mikey e Brand trabalha no Museu de Astoria, a cidade onde se desenvolve a história, mas está com muitas dívidas pendentes e prestes a perder a casa. Certo dia, os rapazes encontram um mapa no sótão, misturado com outros tantos objetos do Museu, e descobrem que o tesouro de um famoso pirata chamado Willy Zarolho está algures escondido numa gruta perto da praia. Assim começa uma aventura, que se cruza com um trio de bandidos: os Fratelli, que estão a ser procurados pela polícia e cujo “esconderijo” fica precisamente no local onde o mapa indica estar o tesouro. 

O filme arranca com a fuga da prisão de Jake Fratelli. Logo aí, ficamos a conhecer o lado matreiro do bandido, ao enganar a Polícia. Durante a fuga, apoiada pelo irmão e pela mãe, estes acabam por matar um agente, o que, claro, só complica a situação e virá a tornar-se um grande choque para os Goonies quando estes descobrem que estão a lidar com criminosos. Depois da fuga, chegamos ao esconderijo e as histórias juntam-se, acabando por, mais tarde, ter uma personagem em comum: Sloth, um terceiro irmão Fratelli que os outros dois maltratam por ordens da mãe, que é resgatado por Chunk, ao perceber que partilham o mesmo gosto por comida. Sloth é inicialmente apresentado como um monstro, pois foi assim que sempre o trataram, mas perto do final da história vemos o seu lado humano e inclusive torna-se o centro das atenções em algumas cenas. De destacar o momento em que usa uma camisola do Super-Homem e ajuda os Goonies a fugir das grutas durante a derrocada causa por uma armadilha. 


Com um argumento à partida simples e uma realização que também não é estrondosa, é natural que Os Goonies não tenha sido muito bem recebido pela crítica quando foi lançado, até porque na altura as criações dedicadas a um público mais infantil e juvenil não eram tão aclamadas, com algumas exceções, como o E.T. - O Extraterrestre (1982), mas esse foi realizado por Steven Spielberg, que já era um grande nome nos anos 1980, e este filme, ainda que também tenha o seu nome cunhado, foi realizado por outra pessoa menos conhecida. A verdade é que a crítica se enganou num aspeto: a intemporalidade. Os Goonies ainda hoje vivem. Quem vir o filme atualmente, vai sentir o mesmo que uma pessoa que o viu há trinta anos, por um simples facto: os protagonistas são especiais. O grupo de crianças e adolescentes entrega uma grande alegria ao filme e a interação entre todos soa natural, o que nos leva a ter vontade de os conhecer pessoalmente e de fazer parte dos Goonies. Quantos filmes e séries tomaram esta amizade como inspiração… Nem precisamos de ir muito longe, basta referir Stranger Things, por exemplo, que as semelhanças encontram-se a milhas. 

Nota-se que Steven Spielberg teve alguma mão no apoio da equipa. Alguns relatos descrevem que este era uma espécie de maestro para Richard Doomer. E a capacidade de transmitir as ideias é visível no desempenho de todos, especialmente no que toca ao elenco. Aqui temos a presença de algumas caras conhecidas, mas muito mais imberbes. Sean Astin aventurou-se em Astoria antes sequer de imaginar que anos mais tarde ia fazer uma grande viagem até Mordor; Josh Brolin dá os primeiros passos na representação... São talvez estes os dois nomes mais populares, mas é interessante vê-los a atuar neste filme, que se distancia de todos os outros que fizeram no resto das suas carreiras.


Os Goonies é a nossa sugestão para hoje. Para começar a semana de forma animada e positiva! E o melhor é que o filme passou este domingo à tarde no AXN, por isso se quiserem vê-lo basta voltarem atrás na vossa box, para uma pequena aventura de descobertas de tesouros e de resolução de crimes sem saírem do conforto do vosso sofá. E se quiserem entrar no ambiente do filme, peçam uma pizza de pepperonni, que é a melhor de acordo com o Chunk!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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