sexta-feira, 13 de março de 2020

Sabem que dia é hoje? É sexta-feira 13!

É difícil falar de filmes de terror nas décadas de 70/80 sem falar só género slasher, que começou com Black Christmas em 1974. Claro que é um filme esquecido por muitos, e até na altura devido a alguma controvérsia, era o que muitos preferiam. Mas, poucos anos depois, um rapaz chamado Michael Myers decidiu fugir de um hospital para traumatizar babysitters excitadas com a maior parte dos rapazes que lhes apareciam à frente. E foi com o sucesso de Halloween que este novo género disparou no mercado cinematográfico, começando uma correria às distribuidoras para se arranjarem novas ideias para outros filmes de slashers, mesmo sem contar com as possíveis sequelas que estariam para vir – que, claro, Halloween também começou a ter muito antes de outras franquias de terror terem essa ideia. E, na altura, a maior parte deste slashers até eram bem recebidos, tanto pela crítica como pela audiência, por isso valia a pena fazer sempre mais, e muitos deles introduziram muitos realizadores que ficaram depois com os seus nomes reconhecidos. A série Elm Street é outro exemplo disso, e Hellraiser também. No entanto, havia uma espécie de ovelha negra, que ninguém – especialmente os críticos – parecia gostar, mas faziam imenso dinheiro no box office, fazendo um total de onze sequelas e um reboot, e a somar (provavelmente). Estou obviamente a falar dos filmes de Sexta-Feira 13, que tinham ainda há poucos anos anunciado que iria ser lançado o seu 13° filme, mas parece que está com azar. Ironic


A série começou como uma simples revenge story. Há quem ainda não tenha visto, motivo pelo qual não entrarei em detalhes sobre isso. E é a partir daí que surge o icónico Jason Voorhees, juntamente com a sua machete, ou qualquer outra coisa que tenha à sua frente. Pode também ter algumas mudanças de visuais pelo caminho, pois inicialmente nem uma máscara de hockey tinha, roubando-a depois a um dos jovens que tinha matado. As três sequelas após o primeiro seguem a mesma estrutura de vingança, sendo que o último era suposto ser o capítulo final – tendo até esse nome. O quinto é uma espécie de filme com personagens de filmes anteriores com PTSD, e, como esse foi um flop por ter sido demasiado diferente dos anteriores, ressuscitaram no sexto filme a única personagem interessante dos filmes para continuar a sua matança – e de que maneira, visto que o sexto filme é considerado, por muitos, o melhor filme da série. Este depois tem novos desafios, desde uma rapariga com poderes psíquicos aos grandes edifícios de Nova Iorque (sim, o Jason vai a Nova Iorque no último terço do oitavo filme)… E, o pior de todos, problemas de direitos de personagem. Durante a maior parte dessa década, houve uma disputa entre a Paramount e a New Line pelos direitos da personagem, pois esta última queria juntar a sua personagem, Freddy Krueger, num versus com o Jason, e os fãs adoravam a ideia. Mas, na altura, a Paramount não tinha muitas licenças lucrativas. Sim, tinha os filmes de Star Trek, mas não era o suficiente, e as receitas de Jason também já não estavam a receber o lucro que antecipavam. 


E é por essa mesma razão que esse nono filme é inexistente em Portugal, e dificilmente consigo dizer se saiu ou não, pelo menos, em VHS por cá, mas em DVD digo com certeza que não existe, se não estaria na minha prateleira. De qualquer forma, após a compra da personagem, a New Line decidiu acabar com a personagem, matando-a de vez… ou não. Estariam, com o final especial que o filme tem, a planear o duelo que já se antecipava com Freddy, mas este ainda demoraria mais de dez anos a chegar aos cinemas. Antes disso, a personagem ainda foi ao espaço e teve um upgrade no seu fato, fazendo-o parecer um robocop de segunda classe. E, como podem imaginar, foi um flop enorme, mesmo com tal conceito idiota e “original”. Se tinha ao menos algo de jeito, que seja o Cronenberg. E, finalmente, após as várias décadas de tentativas, o confronto final chegou e… foi a coisa mais “early 2000s” que se podia ter: tudo over the top, música rock da pesada, e efeitos especiais que deixavam sempre a desejar. Mas, ver tanto Freddy como Jason a contracenar um contra o outro, finalmente, foi até uma delicia. 


Ficou-se por aí, mas por pouco tempo. Um certo maníaco por explosões cinematográficas e patriota americano decidiu fazer um remake em 2009, mas decidiu torná-lo num filme de terror típico moderno. Tinha as mesmas coisas que os antigos, mas decidiu mostrar mais carne, e torná-lo mais sexualizado. E, claro, as críticas repararam nisso, e criticaram-no imenso por ser apenas uma maneira de tirar os adolescentes de casa para ver “soft porn” misturado com terror no cinema. E, fun fact, foi um dos primeiros DVDs que este vosso escritor comprou por conta própria… com apenas uns 12 anos…


E ficou-se por aí há já mais de uma década. Muitos fãs da série aguardam por ver Jason nos cinemas outra vez, outros aguardam vê-lo pela primeira vez no ecrã. Mesmo sem o termos no grande ecrã, tivemos no pequeno, pois em 2017 foi lançado para todas as consolas o jogo Friday The 13th The Game, que foi até financiado graças a um kickstarter, e até bem recebido pela comunidade gamer, apesar dos pequenos glitches habituais de um pequeno jogo indie online


Mas, se a maior parte dos filmes não passam de treta, porque pedem as pessoas mais de Jason? Certamente não é só por causa de mamas, mas é capaz de ser, também, por serem divertidos, especialmente no que toca às várias maneiras que os escritores tentam arranjar para matar as várias personagens irritantes que não têm personalidade quase nenhuma, ou seja, o tipo de personagens que gostamos de ver serem mortas apenas porque sim. Claro que não tem o mesmo tipo de liberdade que qualquer filme da série O Último Destino, ou, a certo ponto, O Pesadelo em Elm Street, mas ver o machete do Jason a voar por entre os corpos dos adolescentes, ou outras coisas, foi sempre aquilo que atraiu as pessoas para ver este tipo de filmes. 


Hoje, sexta-feira 13, é um bom dia para fazer uma maratona desta mítica série de terror que mete mais medo aos críticos que as audiências. Se bem que, se qualquer um de nós ouvisse o tema do filme a tocar no meio do bosque, correríamos todos pelas nossas vidas!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

5 comentários:

  1. Confesso que não sou fã desses filmes de terror em que o sangue a jorros e braços cortados por moto-serras aparecem sempre como os momentos altos de tensão, excepção feita aos contornos das protagonistas. Prefiro o suspense presente em filmes como Final Destination, Gritos e outros do género em que o terror não precisa de ser levado a extremos, sendo mais psicológico.

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    1. Confesso que esses thrillers também são do que tem saído melhor ultimamente. Os slashers basicamente morreram na década de 90...

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  2. Sempre que é sexta-feira 13 planeio ver os filmes, mas o tempo é escasso. Desta vez como estava em casa revi o primeiro. Não são grandes filmes, mas divertem e o Jason é uma personagem icónica por si só! Espero que desse lado estejam a passar bem e que continuem com bons artigos durante este período de quarentena. Resto de bom fim de semana. Um abraço!

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    1. Infelizmente ainda não estou em casa por isolamento ou quarentena devido a trabalho... Tristeza este país.
      Mas sim, às sexta feira 13 faço sempre uma maratona destes filmes, tal como em dias trovejantes vejo O Exorcista!

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    2. Tem uma boa semana, e que tenhas sempre bons filmes!

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