terça-feira, 31 de março de 2020

"Verdade Debaixo de Fogo" em análise

Hoje falamos de um daqueles filmes que chegaram em má hora. Na verdade, admito que se não tivesse visto o cartaz numa das últimas vezes que fui ao cinema (que parece ter sido há uma eternidade) nem sabia que este filme ia estrear e, ainda assim, tive de ir confirmar se realmente tinha estado em exibição – parece que sim, estreou no dia 5 de Março, mesmo numa péssima altura! Verdade Debaixo de Fogo, o mais recente de Todd Robinson, conta com um elenco com um certo luxo: Christopher Plummer, Samuel L. Jackson, Sebastian Stan e Jeremy Irvine são alguns dos nomes que o compõem. É um ponto a favor, mas terá mais motivos para valer a pena ser visto?


“William Pitsenbarger foi um herói da guerra do Vietname. Paramédico da Força Aérea, salvou pessoalmente mais de sessenta homens numa das batalhas mais sangrentas do conflito. Tendo oportunidade de fugir do campo de batalha no último helicóptero, Pitsenbarger ficou para salvar e defender os soldados feridos, acabando por ser morto por uma bala inimiga. Pelos seus atos heróicos, é proposto para a mais alta honra militar que um soldado pode alcançar - a Medalha de Honra do Congresso. No entanto, antes de ser atribuída, a medalha é-lhe retirada por razões indeterminadas. Chamado para investigar esta questão, o Inspetor Scott Huffman é obrigado a investigar os obscuros e corruptos meandros políticos por detrás dessa decisão”. Esta é a sinopse oficial, que resume o filme na perfeição. Verdade Debaixo de Fogo é apenas isto, mas consegue apresentar momentos de uma grande ternura, que fazem alguma diferença num argumento à partida simples. 

Todd Robinson entrega sempre um tom emocional, talvez até exagerado, nos seus filmes. Desta vez nota-se que esta carga emocional pode influenciar o rumo da narrativa, no sentido em que os nossos sentimentos estão sempre a ser chamados. O argumento parece ter somente esse objetivo: emocionar o espectador. Por isso, não admira que muitas vezes pareça não haver um elo suficientemente forte a unir as sequências e as personagens. Talvez este até exista, somente presente na figura de William Pitsenbarger, que se torna num fator de união, mas é inevitável sentirmos que a narrativa às vezes é vazia, apenas com as personagens, por sinal interpretados por grandes atores, a fazerem relatos com grande carga dramática. 


No entanto, é como referi acima: há alguns momentos que se destacam e que conseguem elevar o filme a outro nível; momentos em que as palavras ganham maiores significados, capazes de nos deixar arrepiados. Um momento perto do final tem essa capacidade, pois está realmente bem conseguido, mostrando o que um simples ato humano consegue provocar. Lá nisso, sente-se que o filme é real, que não tem muito de ficção. É baseado em factos verídicos, mas podia cair em grandes fachadas. Sim, existem momentos exagerados, mas assume maioritariamente um tom ligeiro e pende pouco para a fantasia. 

O elenco faz um excelente trabalho, especialmente os de mais idade. São grandes nomes, grandes profissionais. Aqui todos desempenham personagens muito distintas, e tendo em conta a carga emocional da história conseguem convencer-nos de que vivenciaram realmente tudo o que relatam. Sebastian Stan também se apresenta bem no papel deste protagonista que se diversifica um pouco de tudo aquilo que nos habituou anteriormente. A sua personagem é ainda sustentada por um background familiar interessante. 


Verdade Debaixo de Fogo pode ser só mais um filme. Longe de ser uma novidade no seu género, consegue ainda apresentar alguns elementos refrescantes. Recomendo a quem gosta de filmes do pós-guerra, com relatos dos que nela participaram – ainda que aqui sejam contados por atores e não por aqueles que realmente lá estiveram. Escusado será dizer que, neste momento de quarentena, basta uma simples pesquisa para o encontrar online...

6/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

2 comentários:

  1. Confesso que foi um filme que me passou despercebido :/
    Talvez o adicione à lista, porque tenho estado mais dedicada ao cinema

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