sábado, 18 de abril de 2020

"Baby Driver" (2017): música, romance e alta velocidade

Edgar Wright celebra hoje 46 anos e não podíamos deixar de celebrar o aniversário deste que é um dos nossos realizadores favoritos e um dos mais aclamados do século. Por isso, no artigo de hoje falamos sobre o seu filme mais recente, Baby Driver. Serve apenas de exemplo, pois qualquer um dos seus filmes é merecedor de destaque, mas este é capaz de ser o que mais adrenalina é capaz de entregar às nossas quarentenas!


Eu tornei-me um grande fã de Edgar Wright assim que fui introduzido ao filme Scott Pilgrim Contra o Mundo há alguns anos. A partir daí visualizei todas as obras que este realizador fez, incluindo a sua sitcom Spaced. É, sem nenhuma sombra de dúvida, um dos realizadores que mais aprecio, logo atrás de outros como Quentin Tarantino ou Bong Joon Ho. Portanto, apesar de dececionado pelo facto de ele ter abandonado a produção de Homem-Formiga por diferenças criativas, quando descobri que ele já estava a planear mais um filme e, desta vez, original, que é onde este se destaca mais, fiquei logo empolgado.

Baby Driver chegou aos cinemas no verão de 2017. Um filme, à primeira vista, que parecia uma típica comédia escrita por Wright, mas que acabou por nos ser apresentar algo diferente. Fugindo um pouco do seu estilo habitual de quick jump cuts para fazer comédia, o realizador optou por takes mais longos e espera pelo timing certo dos atores para conseguir trazer a parte cómica que se encontra um pouco escondida do verdadeiro género do filme: um action thriller que quase parece um musical também.


Tudo aquilo em que Wright tocou no filme está perfeito. Tirando um ou dois pequenos aspetos no argumento (falarei sobre isso mais à frente), a sua realização está, como sempre, fantástica. O facto de ter conseguido fazer a maior parte das cenas de perseguição sem efeitos especiais, tendo em conta que muitas até parecem difíceis de executar, e ainda estando extremamente bem filmadas e editadas, faz com que seja melhor que qualquer coisa que se veja nos filmes de carros que são lançados recentemente.

O aspeto positivo que mais merece ser destacado neste filme é, sem dúvida, a maneira como Wright utiliza a banda sonora para fazer desenvolver a história do filme, como também para perceber as suas personagens. Lembram-se de como a música é um aspeto importante nos filmes dos Guardiões da Galáxia? Aqui é exatamente o mesmo, mas Wright consegue sincronizar cada música com todos os movimentos dos atores ou dos carros, como se tudo estivesse a dançar com uma coreografia improvisada ao ritmo de uma música que apenas o Baby (e a audiência) está a ouvir. E isto também acontece graças a uma excelente edição, algo que Wright sempre dominou.


E, assim dizendo, as interpretações de todo o elenco estão muito boas, e cada uma tem uma cena de destaque durante o filme, tornando as personagens todas bastante memoráveis e interessantes. O que mais preocupou a maior parte dos fãs de Wright, foi o facto de ter chamado o ator Ansel Elgort para interpretar a personagem principal do filme, porque nunca se viu este ator a fazer algo mais que filmes direcionados para uma audiência juvenil, como A Culpa é das Estrelas. No entanto, assim que a primeira cena do filme começa, conseguimos fugir da sua cara de inocente e estamos logo agarrados à sua personagem, e isto graças a maneira como ele a interpretou, pois consegue trazer algo tanto cómico como um pouco intimidante, visto que a sua personalidade muda bastante de uma metade do filme para outra.

O aspeto negativo que muita gente aponta, e eu também o farei, é o romance. O romance foi algo em que não me senti muito investido, e como foi algo que simplesmente nos foi apresentado muito rápido, com pouca caracterização e aprofundamento, faz com que essa parte do filme não se sinta tão importante no 3º ato, para além de também abrandar o filme. E ainda, a personagem Debora, interpretada por Lily James, tem de tomar certas decisões para continuar ou não com o Baby, decisões que podem afetar a vida dela a 100%, e no entanto ela faz estas decisões sem sequer pensar duas vezes nas consequências, e sem conhecer os riscos todos que está a tomar, fazendo com que o filme se torne menos realista e mais uma fantasia, algo que duvido que Wright queria fazer.


No fim, para além de um romance que fica bastante aquém das capacidades de escrita de Wright, Baby Driver acaba por ser mais um filme dele a que podia dar uma nota perfeita, pois é assim que me sinto com qualquer filme dele. Apesar de não estar muito longe de ser o melhor filme da sua carreira, ele traz-nos mesmo assim mais uma longa-metragem original e imprevisível. Divertido, rítmico e cheio de adrenalina, acabando por solidificar cada vez mais o seu nome como um dos melhores realizadores a trabalhar hoje na indústria.

Parabéns, Edgar Wright! 🎂
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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