quinta-feira, 16 de abril de 2020

"Braindead" (1992): explosão de sangue e romance

Peter Jackson é um nome que imediatamente associamos à trilogia O Senhor dos Anéis. Poderá ser, então, novidade para alguns o facto de este, anteriormente, ter feito filmes de terror gore e trash, com quantidades extremas de sangue gelatinoso e figuras deformadas. Chocados? Hoje recuamos ao início da sua carreira e trazemos algumas palavras sobre Dead Alive, ou, como é mais conhecido, Braindead (em português, recebeu o nome Morte Cerebral), a sua terceira longa-metragem, datada de 1992. 



Antes de mais, preparem os sacos, pois este é um dos filmes mais nojentos que poderão ver. Mas não se preocupem, porque há mais para além da carnificina! Braindead é, verdade seja dita, um romance, daqueles à prova de tudo – incluindo do tempo, pois o filme continua a ganhar fãs todos os dias. Só que é um romance em circunstâncias menos apropriadas, com “mortos-vivos” (se assim lhes podemos chamar) à mistura. 

O argumento apresenta-nos Paquita Maria Sanchéz, uma moça a quem é dito que irá encontrar o amor quando menos espera. E assim acontece e esta apaixona-se por Lionel Cosgrove, uma espécie de Norman Bates do gore, que é extremamente controlado pela mãe. Para entender o que se passa, temos de recuar ao início do filme onde se descobre, na Sumatra, a existência de uns “ratos-macacos” cuja mordidela transforma as pessoas em coisas menos humanas. Ora, o que acontece é que numa determinada ida ao jardim zoológico, a mãe de Lionel é precisamente mordida por um desses bichanos. Segue-se uma enorme transformação, não só na mãe, mas também nas pessoas que a rodeiam. Lionel, por sua vez, torna-se num verdadeiro babysitter, enquanto Paquita vai tentando conquistar o seu coração. 


A violência deste filme é inegável, mas o que o torna inigualável é o humor com que tudo acontece, às vezes quase num tom de comédia romântica. Em determinados momentos pensamos que as coisas acontecem por causa do karma, mas depois temos momentos surpreendentes, como por exemplo quando um padre revela um conhecimento enorme das artes marciais e dá uma descasca a uns rufias que, entretanto, viraram “mortos-vivos”. Peter Jackson tinha claramente truques debaixo da manga e se durante os dois primeiros atos alguns ainda ficam por revelar, é quando chegamos ao terceiro ato que tudo explode, literalmente. Cabeças a voar, tripas a saltar, pus e sangue, sangue, sangue por todo o lado! 

Apesar do baixo orçamento, as caracterizações criadas por Bob McCarron e os efeitos especiais a cargo de Richard Taylor são complexos e bem elaborados, conseguindo, sem dúvida alguma, provocar a tão desejada repulsa nos espectadores. É, especialmente, neste terceiro ato que acima referi que estas qualidades se sobressaem, num banho de sangue em ambiente grotesco que só tende a piorar. 


Timothy Balme é quem mais brilha neste filme, no papel de um autêntico falhado que não sabe lidar com a morte da mãe e parece até sentir um pouco falta do controlo que esta lhe exercia. A determinado momento, parece um maníaco, a conviver com os mortos, como se estes estivem vivos, apenas restritos. Balme consegue, muitas vezes só com o olhar, transmitir o estado de loucura em que a sua personagem se encontra, apresentando um desempenho notável e inesquecível. 

Não é por acaso que Braindead é considerado um dos melhores filmes do seu género. Consegue ter uma história coerente – dentro dos possíveis, claro – e uma estética única, mesmo com o seu baixo orçamento e recursos limitados. Traz sequências icónicas – como por exemplo o nascimento do bebé ou o momento em que a mãe de Lionel aumenta e toda ela é composta por peles flácidas –, que fazem desta uma experiência cinematográfica que levamos para o resto da vida. O mais interessante é ainda pensar que Peter Jackson, associado a filmes de culto, teve esta veia mais sanguinária dez anos antes de ter realizado O Senhor dos Anéis. E vocês desse lado, também têm assim um gosto oculto pelo grotesco?
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, desde criança que fico encantada com as animações, mas os grandes clássicos também me conquistaram o coração. Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e Cinema Paraíso são alguns dos meus favoritos. E é impossível esquecer a trilogia de O Senhor dos Anéis!

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