segunda-feira, 6 de abril de 2020

Do tamanho de uma formiga...

Paul Rudd celebra hoje o seu 51º aniversário e, por isso, decidimos assinalar esta data e sugerir dois filmes por ele protagonizados, que fazem parte do Universo Cinematográfico da MARVEL (MCU). Falamos, claro, de Homem-Formiga (2015) e Homem-Formiga e a Vespa (2018).


Em 2015, o Homem-Formiga chegou aos cinemas num filme que parecia não ser nada de especial, mas que foi capaz de surpreender toda a gente. Super-heróis, com muita comédia à mistura, em grande parte devido ao protagonista, Scott Lang, que rapidamente se tornou num dos mais apreciados pelos fãs da MCU. 

O filme começou por nos mostrar Hank Pym (interpretado por Michael Douglas) a despedir-se da S.H.I.E.L.D depois de descobrir que a organização tentou copiar uma invenção sua: partículas que fazem diminuir o tamanho. Anos mais tarde, Scott Lang, um ladrão, assalta uma casa e encontra um fato estranho, que decide roubar. Quando experimenta o fato, rapidamente percebe que este faz com que diminua o seu tamanho, ao ponto de se tornar tão pequeno quanto uma formiga. Ao mesmo tempo, na empresa Pym Technologies, o inventor Darren Cross (Corey Stoll) revela um novo fato – o Yellowjacket – que também permite encolher, mas que ainda se encontra em fase experimental. Assustado com os perigos que podem ser provocados por esta nova criação inspirada na sua, Hank Pym decide “contratar” Scott, de modo a impedir que o Yellowjacket faça um negócio com a Hydra. Pelo meio, entra a filha de Hank, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), que está totalmente contra o facto de o pai querer a ajuda de Scott, mostrando que ela mesma conseguiria ajudá-lo. No entanto, acaba por treinar Scott, de modo a torná-lo no incrível Homem-Formiga. 


A história de Homem-Formiga é simples, mas consegue agarrar-nos até ao fim. Existem muitas piadas, mas não tantas como nos Guardiões da Galáxia, e, felizmente, aparecem sempre nos momentos certos, o que torna o filme divertido. Isto em parte pode ser devido ao facto de Edgar Wright ter estado envolvido na produção do filme, tendo até sido o realizador durante a maior parte da sua produção, mas, por conflitos com a MARVEL, acabou por sair da cadeira, ficando apenas como argumentista e produtor.

Um dos principais pontos fortes deste filme são as sequências em que o Homem-Formiga está realmente pequeno e vemos tudo do ponto de vista de uma formiga, com grandes cenários à volta, que na verdade nem são assim tão grandes – como é o caso de uma zona cheia de brinquedos, onde se dá uma das “lutas”.


Esta parecia ser uma aposta fraca por parte da MARVEL, tendo em conta que era uma personagem pouco conhecida. No entanto, acabou por se tornar numa personagem admirada pelos fãs, que ficaram bastante satisfeitos com este filme, ao ponto de rapidamente ter chegado a sequela.

Homem-Formiga e a Vespa é o nome da sequela que, por mais estranho que pareça, chegou a Portugal com cerca de mês e meio de demora em comparação a outros países, o que não é nada habitual para o nosso país no que diz respeito a lançamentos de filmes da MARVEL, visto que costumamos ser os primeiros a vê-los.

Passando-se pouco tempo antes dos acontecimentos de Avengers Infinity War, Ant-Man and The Wasp tenta recriar o espírito que o primeiro filme teve – espírito esse que destacava este filme da MCU por ser uma história muito mais contida, mas, tendo este a falta de Edgar Wright no argumento, nota-se um pequeno decline tanto a nível da narrativa como da comédia. A história pode levar a locais e situações inexploráveis à medida que progride, mas age como se a audiência já soubesse as respostas a tudo seguindo apenas em frente com a ação, principalmente no último ato.


O filme tinha muitas oportunidades para criar elementos inesperados, utilizando cenários enormes com personagens em miniatura, algo que foi visto e bem representado no primeiro filme, mas acaba por desperdiçar todas essas oportunidades, nem que seja por motivos cómicos. Assim dizendo, algo que tornou o primeiro filme único foi deixado de lado a favor de elementos menos interessantes. Mas que não seja por isso que o filme, visualmente, não seja bom em cenas especificas.

Os atores deram-nos o que já era esperado com as suas personagens, pois não mudaram muito desde os eventos antecessores, com exceção de uma ou duas personagens. Desnecessários foram os “quase-vilões” da narrativa, pois serviram apenas para prolongar a duração do filme, sendo simples obstáculos para os heróis chegarem do ponto A ao ponto B. São quase como um filler que podia ter sido utilizado para melhor utilizar o verdadeiro “vilão” do filme, esse também pouco interessante e fácil de esquecer pelo simples facto de não parecer uma ameaça, o que é triste tendo em conta que os filmes da MARVEL recentemente tinham progredido no que dizia respeito a bons vilões.


Homem-Formiga e a Vespa tinha o potencial para elevar a fasquia deixada pelo primeiro filme, mas tentou ser equivalente ao mesmo, o que o levou a ficar um pouco desvalorizado em comparação. O filme, infelizmente, acaba por trocar a originalidade visual e genialidade narrativa do primeiro por uma narrativa mais previsível e, por consequente, menos interessante, mesmo que isso não implique que o filme não entretenha do princípio ao fim. Mas talvez esteja a ser demasiado bruto com o filme. Mas é difícil não ser, tendo em conta que este filme saiu depois do Infinity War, e esse já tinha deixado um estrondo enorme nos fãs e era inevitável que o que viesse a seguir nunca teria tanto impacto, algo que aconteceu semelhantemente a Capitão Marvel e a Homem-Aranha: Longe de Casa (tendo este saído após o Endgame, mas tendo o mesmo impacto emocional, se não maior, que Infinity War). E, mesmo quase dois anos após o seu lançamento, continuo a sentir o mesmo. É divertido, sim, mas muito aquém do que já é esperado actualmente da MARVEL. Ainda assim, aqui ficam estas duas sugestões para passarem uma tarde na companhia de Paul Rudd, neste seu papel de Homem-Formiga!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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